Tempo de quaresma, tempo de conversão, de mudança, de metanoia, de recomeçar...
Inseridos no mundo, atentos aos sinais de Deus, procuramos caminhar num contínuo recomeçar...
Há sinais que não compreendemos. Podemos tentar lê-los e interpretá-los...
Hoje estava na eucarístia e ouvia o evangelho e o Jesus dizia aos presentes:
«Julgais que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus, por terem assim sofrido? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos igualmente. E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos da mesma forma.»
Acontecimentos da altura, sempre presentes hoje no Haiti, na Madeira, no Chile... nas estradas portuguesas.
Veio-me à memória um texto do Pe. Anselmo Borges, cujo titulo, Haiti: onde estava Deus? Muitos ainda gritam e gritaram ao longo da história, onde estava Deus no Gólgota?, onde estava Deus no terramoto de Lisboa (em 1755), no maremoto da Indonésia?, onde estava Deus em Auschwitz?..
Cremos que o mal é também um mistério que dificilmente encaixa na imagem deDeus omnipotente e misericordioso, sobretudo se traduz em sofrimento dos pobres e inocentes.
Deus não é neutral, está também nessses acontecimentos ao longo da história. Podemos e devemos todos tornar-nos presentes...
O Haiti, Madeira, Chile, Auschwitz personificam hoje os povos crucificados; todos temos de mudar, e a referência de Deus de Jesus há-de ser "o grande acicate de justiça e solidariedade" num mundo cuja ordem internacional "está montada sobre a concentração da riqueza em 20% da humanidade e o desamparo de boa parte dela"
De facto não compreendemos muitas vezes os sinais de Deus, porque estamos mergulhados em demasia neste mundo, ao qual não pertencemos.
Dizia Santo Agostinho, criste-nos para Vós, e não descansamos enquanto não reposármos em Vós"
Boa Quaresma!
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