Queridos irmãos e irmãs:
Hoje quero falar de uma pessoa do Ocidente latino verdadeiramente extraordinária: o monge Rábano Mauro. Junto a homens como Isidoro de Sevilha, Beda o Venerável, Ambrósio Autpert, dos quais já falei em catequeses precedentes, ele soube durante os séculos da Alta Idade Média manter contato com a grande cultura dos antigos sábios e dos padres cristãos. Recordado com frequência como praeceptor Germaniae [mestre da Alemanha, N. do T..], Rábano Mauro teve uma fecundidade extraordinária.
Com sua capacidade de trabalho totalmente excepcional, foi talvez o que mais contribuiu a manter viva a cultura teológica, exegética e espiritual à qual recorrerão os séculos seguintes. A ele fazem referência grandes personagens pertencentes ao mundo dos monges, como Pedro Damião, Pedro o Venerável e Bernardo de Claraval, assim como um número cada vez mais consistente de “clérigos” do clero secular, que nos séculos XII e XIII deram vida a um dos florescimentos mais belos e fecundos do pensamento humano. Nascido em Mainz, por volta do ano 780, Rábano entrou no mosteiro quando ainda era muito jovem: deram-lhe o nome de Mauro em referência precisamente ao jovem Mauro, que segundo o segundo livro dos Diálogos de São Gregório Magno, havia sido entregue, quando ainda era uma criança, por seus próprios pais, nobres romanos, ao abade Bento de Núrsia. Esta introdução precoce de Rábano como puer oblatus no mundo monástico beneditino, e os frutos que tirou para seu crescimento humano, cultural e espiritual, abriram possibilidades interessantíssimas não só para a vida dos monges, mas também para toda a sociedade de seu tempo, normalmente chamada “carolíngia”. Falando deles, ou talvez de si mesmo, Rábano Mauro escreve: “Há alguns que tiveram a sorte de ter sido introduzidos no conhecimento das Escrituras desde a terna infância (‘a cunabulis suis’) e se alimentaram tão bem da comida que a santa Igreja lhes ofereceu, que podem ser promovidos, com a educação adequada, às mais elevadas ordens sagradas” (PL 107, col 419BC).
A extraordinária cultura pela qual se distinguia Rábano Mauro chamou rapidamente a atenção dos grandes de seu tempo. Converteu-se em conselheiro de príncipes. Comprometeu-se para garantir a unidade do Império e, em um nível cultural mais amplo, nunca negou uma resposta ponderada a quem lhe perguntava, que se inspirava preferentemente na Bíblia e nos textos dos santos padres. Apesar de ter sido eleito primeiro abade do famoso mosteiro de Fulda e depois arcebispo da cidade natal, Mainz, não deixou seus estudos, demonstrando com o exemplo de sua vida que se pode estar ao mesmo tempo à disposição dos demais, sem privar-se por este motivo de um adequado tempo de reflexão, estudo e meditação. Deste modo, Rábano Mauro se converteu em exegeta, filósofo, poeta, pastor e homem de Deus. As dioceses de Fulda, Mainz, Limburgo, e Breslávia o veneram como santo ou beato. Suas obras preenchem seis volumes da “Patrística Latina” de Migne. Provavelmente compôs um dos hinos mais belos e conhecidos da Igreja latina, o Veni Creator Spiritus, síntese extraordinária de pneumatologia cristã. O primeiro compromisso teológico de Rábano se expressou, de fato, em forma de poesia e teve como tema o mistério da santa Cruz em uma obra titulada De laudibus Sanctae Crucis, concebida para propor não apenas conteúdos conceituais, mas também estímulos maravilhosamente artísticos, utilizando tanto a forma poética como a forma pictórica dentro do mesmo código manuscrito. Propondo iconograficamente entre as linhas de seu escrito a imagem de Cristo crucificado, escreve: “Esta é a imagem do Salvador que, com a posição de seus membros, faz que seja sagrada para nós a doce e queridíssima forma da Cruz, para que, crendo em seu nome e obedecendo seus mandamentos, possamos obter a vida eterna graças à sua paixão. Por isso, cada vez que elevamos o olhar à Cruz, recordamos Aquele que sofreu por nós para arrancar-nos do poder das trevas, aceitando a morte para tornar-nos herdeiros da vida eterna” (Lib. 1, Fig. 1, PL 107 col 151 C). Este método de harmonizar todas as artes, a inteligência, o coração e os sentidos, que procedia do Oriente, seria sumamente desenvolvido no Ocidente, alcançando cumes inalcançáveis nos códices da Bíblia e em outras obras de fé e de arte, que floresceram na Europa até a invenção da imprensa e inclusive depois. Em todo caso, demonstra que Rábano Mauro tinha uma consciência extraordinária da necessidade de envolver a fé na experiência, não só a mente e o coração, mas também os sentidos através desses outros aspectos do gosto estético e da sensibilidade humana que levam o homem a desfrutar da verdade com todo seu ser, “espírito, alma e corpo”. Isto é importante: a fé não é só pensamento, toca a todo o ser. Dado que Deus se fez homem em carne e osso e entrou no mundo sensível, nós temos de procurar encontrar Deus com todas as dimensões de nosso ser. Deste modo, a realidade de Deus, através da fé, penetra em nosso ser e o transforma. Por este motivo, Rábano Mauro concentrou sua atenção sobretudo na Liturgia, como síntese de todas as dimensões de nossa percepção da realidade. Esta intuição de Rábano Mauro o torna extraordinariamente atual. Deixou também os famosos “Carmina”, propostos para ser utilizados sobretudo nas celebrações litúrgicas. De fato, o interesse de Rábano pela liturgia se dava totalmente por subentendido, dado que antes de tudo era um monge. Ele, contudo, não se dedicava à arte da poesia como fim em si mesmo, mas utilizava a arte e qualquer outro tipo de conhecimento para aprofundar na Palavra de Deus. Por isso, procurou, com o máximo empenho e rigor, introduzir seus contemporâneos, mas sobretudo os ministros (bispos, presbíteros e diáconos), na compreensão do significado profundamente teológico e espiritual de todos os elementos da celebração litúrgica. Deste modo, procurou compreender e apresentar aos demais os significados teológicos escondidos nos ritos, recorrendo a Bíblia e a tradição dos padres. Não hesitava em citar, por honestidade e para dar maior peso às suas explicações, as fontes patrísticas às que devia seu saber. E se servia delas com liberdade e discernimento atento, continuando o desenvolvimento do pensamento patrístico. Ao final da “Primeira Epístola” dirigida a um corepíscopo da diocese de Mainz, por exemplo, após ter respondido a pedidos de esclarecimento sobre o comportamento que se deve ter no exercício da responsabilidade pastoral, escreve: “Escrevemos tudo isto tal como o deduzimos das Sagradas Escrituras e dos cânones dos padres. Agora, o senhor, santíssimo homem, tome suas decisões como melhor lhe pareça, caso por caso, tratando de moderar sua avaliação de tal maneira que se garanta em tudo a discrição, pois ela é a mãe da fé cristã, que tem seus inícios na Palavra de Deus; esta, contudo, sempre está viva, desenvolve-se e se expressa de novas maneiras, sempre em coerência com toda a construção, com todo o edifício da fé”. Dado que a Palavra de Deus é parte integrante da celebração litúrgica, Rábano Mauro se dedicou a esta última com o máximo empenho durante toda a sua existência. Redigiu explicações exegéticas apropriadas quase para todos os livros bíblicos do Antigo e do Novo Testamento, com um objetivo claramente pastoral, que justificava com palavras como estas: “Escrevi isto... sintetizando explicações e propostas de outros muitos para oferecer um serviço ao pobre leitor que não pode ter muitos livros à disposição, mas também para ajudar quem, em muitos temas, não consegue aprofundar na compreensão dos significados descobertos pelos padres” (Commentariorum in Matthaeum praefatio, PL 107, col. 727D). De fato, ao comentar os textos bíblicos, ele recorria muito aos padres antigos, com predileção especial por Jerônimo, Ambrósio, Agostinho e Gregório Magno. Sua aguda sensibilidade pastoral o levou depois a enfrentar um dos problemas que mais interessava aos fiéis e aos ministros sagrados de seu tempo: o da Penitência. Compilou “Penitenciários” – assim os chamava – nos quais, segundo a sensibilidade da época, enumeravam-se os pecados e as penas correspondentes, utilizando, na medida do possível, motivações tomadas da Bíblia, das decisões dos concílios e dos decretos dos papas. Destes textos se serviram também os “carolíngios” em seu intento de reforma da Igreja e da sociedade. A este mesmo objetivo pastoral respondiam obras como De disciplina ecclesiastica e De institutione clericorum, nas quais, citando sobretudo Agostinho, Rábano explicava para pessoas simples e ao clero de sua própria diocese os elementos fundamentais da fé cristã: eram uma espécie de pequenos catecismos. Quero concluir a apresentação deste grande “homem da Igreja” citando algumas palavras suas nas quais se reflete sua convicção de fundo: “Quem descuida da contemplação, priva-se da visão da luz de Deus; quem se deixa levar pelas preocupações e permite que seus pensamentos fiquem turbados pelo tumulto das coisas do mundo, condena-se à absoluta impossibilidade de penetrar nos segredos do Deus invisível” (Lib. I, PL 112, col. 1263A).
Creio que Rábano Mauro nos dirige hoje estas palavras: no trabalho, com seus ritmos frenéticos, e nas férias, temos de reservar momentos para Deus. Abrir-lhe nossa vida, dirigindo-lhe um pensamento, uma reflexão, uma breve oração e, sobretudo, não podemos esquecer o domingo como o dia do Senhor, o dia da liturgia, para perceber na beleza de nossas igrejas, da música sacra e da Palavra de Deus, a própria beleza de Deus, deixando-o entrar em nosso ser. Só assim nossa vida se torna grande, faz-se vida de verdade.
[Tradução de Élison Santos. Revisão de Aline Banchieri.© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Bento XVI e as crianças
– Meu nome é Anna Filippone, tenho 12 anos, sou coroinha, venho da Calábria, da diocese de Oppido Mamertina-Palmi. Papa Bento, meu amigo Giovanni tem um pai italiano e uma mãe equatoriana e é muito feliz. O senhor acha que diferentes culturas um dia poderão viver sem brigar pelo nome de Jesus?
– Bento XVI: Eu soube que vocês queriam saber como nós, quando éramos crianças, nos ajudávamos reciprocamente. Tenho que dizer que vivi os anos do Ensino Fundamental em um pequeno povoado de 400 habitantes, muito afastado dos grandes centros. Portanto, éramos um pouco ingênuos e, nesse povoado, havia, por uma parte, agricultores muito ricos e outros menos ricos, mas acomodados; por outra, pobres empregados, artesãos. Nossa família, pouco antes de que começasse a escola primária, havia chegado a este povoado procedente de outro e, portanto, éramos um pouco estrangeiros para eles, inclusive o dialeto era diferente. Nesta escola, portanto, refletiam-se situações sociais muito diferentes. Contudo, dava-se uma bela comunhão entre nós. Eles me ensinaram seu dialeto, que eu ainda não conhecia. Colaboramos bem, e tenho de confessar que em algum momento, naturalmente, também briguei, mas depois nos reconciliamos e esquecemos o que havia acontecido. Isto me parece importante. Às vezes, na vida humana parece inevitável brigar; mas o importante é, de qualquer forma, a arte de reconciliar-se, o perdão, voltar a começar e não deixar a amargura na alma. Com gratidão, recordo como colaborávamos todos: um ajudava o outro e seguíamos juntos nosso caminho. Todos éramos católicos e isso era naturalmente uma grande ajuda. Assim, aprendemos juntos a conhecer a Bíblia, começando pela Criação até o sacrifício de Jesus na Cruz, e chegando aos inícios da Igreja. Juntos aprendemos o catecismo, aprendemos a rezar e nos preparar-nos juntos para a primeira confissão, para a primeira comunhão: aquele foi um dia esplêndido. Compreendemos que o próprio Jesus vem a nós e que não é um Deus distante: entra na própria vida, na própria alma. E, se o próprio Jesus entra em cada um de nós, nós somos irmãos, irmãos, amigos e, portanto, temos de comportar-nos como tais. Para nós, esta preparação para a primeira confissão, como purificação de nossa consciência, de nossa vida, e depois também a primeira comunhão, como encontro concreto de Jesus, que vem a mim e a todos, foram fatores que contribuíram para formar nossa comunidade. Eles nos ajudaram a avançar juntos, a aprender juntos a reconciliar-nos, quando era necessário. Fizemos também pequenos espetáculos: é importante também colaborar, prestar atenção um no outro. Depois, aos 8 ou 9 anos, eu me tornei coroinha. Naquele tempo não havia ainda coroinhas mulheres, mas as meninas liam melhor que nós. Portanto, elas liam as leituras da liturgia, nós éramos coroinhas. Naquele tempo, ainda havia muitos textos em latim que era preciso aprender; deste modo, cada um teve que realizar sua parte de esforço. Como disse, não éramos santos: tivemos nossas brigas, mas de qualquer forma, dava-se uma bela comunhão, na qual a diferença entre ricos e pobres, inteligentes e menos inteligentes não contava. Contava a comunhão com Jesus no caminho da fé comum e da responsabilidade comum, nos jogos, no trabalho comum. Encontramos a capacidade para viver juntos, para ser amigos, e apesar de que, desde 1937, ou seja, há mais de 70 anos, já não morei mais nesse povoado, mas continuamos amigos. Aprendemos a aceitar-nos um ao outro, a levar o peso um do outro. Isso parece-me importante: apesar de nossas fraquezas, nós nos aceitamos e com Jesus Cristo, com a Igreja, encontramos juntos o caminho da paz e aprendemos a viver bem.
– Chamo-me Letizia e queria lhe perguntar. Querido Papa Bento XVI, o que queria dizer para o senhor, quando era pequeno, o lema: “As crianças ajudam as crianças”? O senhor tinha pensado que alguma vez chegaria a ser Papa?
– Bento XVI: Para dizer a verdade, nunca pensei que seria Papa, pois, como já disse, era um jovem bastante ingênuo, em um pequeno povoado muito afastado das cidades, na província esquecida. Éramos felizes de viver nessa província e não pensávamos em outras coisas. Naturalmente conhecemos, veneramos e amamos o Papa – era Pio XI –, mas para nós era uma altura inalcançável, quase outro mundo: era nosso pai, mas, de qualquer forma, uma realidade muito superior a nós. E tenho de dizer que ainda hoje me custa compreender como o Senhor pôde pensar em mim, destinar-me a este ministério. Mas o aceito de suas mãos, ainda que é algo surpreendente e me parece que vai muito além de minhas forças. Mas o Senhor me ajuda.
– Querido Papa Bento. Sou Alessandro. Queria perguntar-lhe: o senhor é o primeiro missionário; nós, jovens, como podemos ajudá-lo a anunciar o Evangelho?
– Bento XVI: Eu diria que uma primeira maneira é esta: colaborar com a Obra Pontifícia da Infância Missionária. Deste modo, vocês fazem parte de uma grande família, que leva o Evangelho ao mundo. Deste modo, pertencem à uma grande rede. Vemos aqui como é representada a família dos diferentes povos. Vocês estão nesta grande família: cada um põe sua parte e juntos são missionários, promotores da obra missionária da Igreja. Têm um belo programa, indicado por sua porta-voz: escutar, rezar, conhecer, compartilhar, ser solidários. Estes são os elementos essenciais que constituem realmente uma forma de ser missionário, de fazer crescer a Igreja e a presença do Evangelho no mundo. Quero sublinhar alguns destes pontos. Antes de tudo, rezar. A oração é uma realidade: Deus nos escuta e, quando rezamos, Deus entra em nossa vida, faz-se presente entre nós, age. Rezar é algo muito importante, que pode mudar o mundo, pois torna presente a força de Deus. E é importante ajudar-se para rezar: rezamos juntos na liturgia, rezamos juntos na família. Eu diria que é importante começar o dia com uma pequena oração e acabar também o dia com uma pequena oração: lembrar dos pais na oração. Rezar antes do almoço, antes do jantar, e por ocasião da celebração comum do domingo: Um domingo sem missa, a grande oração comum da Igreja, não é um verdadeiro domingo: falta-lhe o coração do domingo, assim como a luz para a semana. Vocês podem também ajudar os demais, especialmente quando talvez não se reza em casa, quando não se conhece a oração, ensinando-os a rezar: ao rezar com eles, vocês os introduzem na comunhão com Deus. Depois, deve-se escutar, ou seja, aprender realmente o que Jesus nos diz. Também é preciso conhecer a Sagrada Escritura, a Bíblia. Na história de Jesus, aprendemos – como disse o cardeal –, o rosto de Deus, aprendemos como é Deus. É importante conhecer Jesus profundamente, pessoalmente. Deste modo, Ele entra em nossa vida e, através de nossa vida, entra no mundo. Também é preciso compartilhar, não se pode querer as coisas só para si mesmo, mas para todos; dividir com os demais. E se vemos que outro talvez tem necessidade, que tem menos qualidades, temos de ajudá-lo, e deste modo tornar presente o amor de Deus sem grandes palavras, em nosso pequeno mundo pessoal, que faz parte do grande mundo. Deste modo, juntos nos convertemos em uma família, na qual se tem respeito pelo outro: suportar o outro em sua alteridade, aceitar também os antipáticos, não deixar que se fique marginalizado, mas ajudá-lo a integrar-se na comunidade. Tudo isso quer dizer simplesmente viver nesta grande família da Igreja, nesta grande família missionária: viver os pontos essenciais como compartilhar o conhecimento de Jesus, a oração, a escuta recíproca e a solidariedade já é uma obra missionária, pois ajuda a que o Evangelho se converta em realidade em nosso mundo.
– Bento XVI: Eu soube que vocês queriam saber como nós, quando éramos crianças, nos ajudávamos reciprocamente. Tenho que dizer que vivi os anos do Ensino Fundamental em um pequeno povoado de 400 habitantes, muito afastado dos grandes centros. Portanto, éramos um pouco ingênuos e, nesse povoado, havia, por uma parte, agricultores muito ricos e outros menos ricos, mas acomodados; por outra, pobres empregados, artesãos. Nossa família, pouco antes de que começasse a escola primária, havia chegado a este povoado procedente de outro e, portanto, éramos um pouco estrangeiros para eles, inclusive o dialeto era diferente. Nesta escola, portanto, refletiam-se situações sociais muito diferentes. Contudo, dava-se uma bela comunhão entre nós. Eles me ensinaram seu dialeto, que eu ainda não conhecia. Colaboramos bem, e tenho de confessar que em algum momento, naturalmente, também briguei, mas depois nos reconciliamos e esquecemos o que havia acontecido. Isto me parece importante. Às vezes, na vida humana parece inevitável brigar; mas o importante é, de qualquer forma, a arte de reconciliar-se, o perdão, voltar a começar e não deixar a amargura na alma. Com gratidão, recordo como colaborávamos todos: um ajudava o outro e seguíamos juntos nosso caminho. Todos éramos católicos e isso era naturalmente uma grande ajuda. Assim, aprendemos juntos a conhecer a Bíblia, começando pela Criação até o sacrifício de Jesus na Cruz, e chegando aos inícios da Igreja. Juntos aprendemos o catecismo, aprendemos a rezar e nos preparar-nos juntos para a primeira confissão, para a primeira comunhão: aquele foi um dia esplêndido. Compreendemos que o próprio Jesus vem a nós e que não é um Deus distante: entra na própria vida, na própria alma. E, se o próprio Jesus entra em cada um de nós, nós somos irmãos, irmãos, amigos e, portanto, temos de comportar-nos como tais. Para nós, esta preparação para a primeira confissão, como purificação de nossa consciência, de nossa vida, e depois também a primeira comunhão, como encontro concreto de Jesus, que vem a mim e a todos, foram fatores que contribuíram para formar nossa comunidade. Eles nos ajudaram a avançar juntos, a aprender juntos a reconciliar-nos, quando era necessário. Fizemos também pequenos espetáculos: é importante também colaborar, prestar atenção um no outro. Depois, aos 8 ou 9 anos, eu me tornei coroinha. Naquele tempo não havia ainda coroinhas mulheres, mas as meninas liam melhor que nós. Portanto, elas liam as leituras da liturgia, nós éramos coroinhas. Naquele tempo, ainda havia muitos textos em latim que era preciso aprender; deste modo, cada um teve que realizar sua parte de esforço. Como disse, não éramos santos: tivemos nossas brigas, mas de qualquer forma, dava-se uma bela comunhão, na qual a diferença entre ricos e pobres, inteligentes e menos inteligentes não contava. Contava a comunhão com Jesus no caminho da fé comum e da responsabilidade comum, nos jogos, no trabalho comum. Encontramos a capacidade para viver juntos, para ser amigos, e apesar de que, desde 1937, ou seja, há mais de 70 anos, já não morei mais nesse povoado, mas continuamos amigos. Aprendemos a aceitar-nos um ao outro, a levar o peso um do outro. Isso parece-me importante: apesar de nossas fraquezas, nós nos aceitamos e com Jesus Cristo, com a Igreja, encontramos juntos o caminho da paz e aprendemos a viver bem.
– Chamo-me Letizia e queria lhe perguntar. Querido Papa Bento XVI, o que queria dizer para o senhor, quando era pequeno, o lema: “As crianças ajudam as crianças”? O senhor tinha pensado que alguma vez chegaria a ser Papa?
– Bento XVI: Para dizer a verdade, nunca pensei que seria Papa, pois, como já disse, era um jovem bastante ingênuo, em um pequeno povoado muito afastado das cidades, na província esquecida. Éramos felizes de viver nessa província e não pensávamos em outras coisas. Naturalmente conhecemos, veneramos e amamos o Papa – era Pio XI –, mas para nós era uma altura inalcançável, quase outro mundo: era nosso pai, mas, de qualquer forma, uma realidade muito superior a nós. E tenho de dizer que ainda hoje me custa compreender como o Senhor pôde pensar em mim, destinar-me a este ministério. Mas o aceito de suas mãos, ainda que é algo surpreendente e me parece que vai muito além de minhas forças. Mas o Senhor me ajuda.
– Querido Papa Bento. Sou Alessandro. Queria perguntar-lhe: o senhor é o primeiro missionário; nós, jovens, como podemos ajudá-lo a anunciar o Evangelho?
– Bento XVI: Eu diria que uma primeira maneira é esta: colaborar com a Obra Pontifícia da Infância Missionária. Deste modo, vocês fazem parte de uma grande família, que leva o Evangelho ao mundo. Deste modo, pertencem à uma grande rede. Vemos aqui como é representada a família dos diferentes povos. Vocês estão nesta grande família: cada um põe sua parte e juntos são missionários, promotores da obra missionária da Igreja. Têm um belo programa, indicado por sua porta-voz: escutar, rezar, conhecer, compartilhar, ser solidários. Estes são os elementos essenciais que constituem realmente uma forma de ser missionário, de fazer crescer a Igreja e a presença do Evangelho no mundo. Quero sublinhar alguns destes pontos. Antes de tudo, rezar. A oração é uma realidade: Deus nos escuta e, quando rezamos, Deus entra em nossa vida, faz-se presente entre nós, age. Rezar é algo muito importante, que pode mudar o mundo, pois torna presente a força de Deus. E é importante ajudar-se para rezar: rezamos juntos na liturgia, rezamos juntos na família. Eu diria que é importante começar o dia com uma pequena oração e acabar também o dia com uma pequena oração: lembrar dos pais na oração. Rezar antes do almoço, antes do jantar, e por ocasião da celebração comum do domingo: Um domingo sem missa, a grande oração comum da Igreja, não é um verdadeiro domingo: falta-lhe o coração do domingo, assim como a luz para a semana. Vocês podem também ajudar os demais, especialmente quando talvez não se reza em casa, quando não se conhece a oração, ensinando-os a rezar: ao rezar com eles, vocês os introduzem na comunhão com Deus. Depois, deve-se escutar, ou seja, aprender realmente o que Jesus nos diz. Também é preciso conhecer a Sagrada Escritura, a Bíblia. Na história de Jesus, aprendemos – como disse o cardeal –, o rosto de Deus, aprendemos como é Deus. É importante conhecer Jesus profundamente, pessoalmente. Deste modo, Ele entra em nossa vida e, através de nossa vida, entra no mundo. Também é preciso compartilhar, não se pode querer as coisas só para si mesmo, mas para todos; dividir com os demais. E se vemos que outro talvez tem necessidade, que tem menos qualidades, temos de ajudá-lo, e deste modo tornar presente o amor de Deus sem grandes palavras, em nosso pequeno mundo pessoal, que faz parte do grande mundo. Deste modo, juntos nos convertemos em uma família, na qual se tem respeito pelo outro: suportar o outro em sua alteridade, aceitar também os antipáticos, não deixar que se fique marginalizado, mas ajudá-lo a integrar-se na comunidade. Tudo isso quer dizer simplesmente viver nesta grande família da Igreja, nesta grande família missionária: viver os pontos essenciais como compartilhar o conhecimento de Jesus, a oração, a escuta recíproca e a solidariedade já é uma obra missionária, pois ajuda a que o Evangelho se converta em realidade em nosso mundo.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Mergulhar em...
Mergulha-se nas várias notícias e artigos que vão surgindo em cima da mesa. São oriundos de diversos jornais e outros meios de comunicação – os mass media.
Far-se-à referência a textos de D. António Marcelino, de A. Sílvio Couto e de Paulo Fafe (Diário do Minho)
Deste mergulhar, deparamos vários atentados contra a igreja e seus valores, indo até longe demais.
Transcrevo, “na Bélgica e na Espanha, países de tradição cristã, mas de há muito sob a influência de um laicismo mortífero e arrasador, que não se priva de nada para destruir tudo e todos quantos, no mundo de hoje, falam de Deus ou apelam aos valores transcendentes da vida, foram os parlamentos, nacional e regional, que decidiram, por votação de maioria, fazer com que o Papa se retratasse e pedisse perdão ao mundo pelas intervenções dissonantes, de ordem ética e moral. Nada menos.”
“A Igreja e seus responsáveis são ditos a expressão pública do que é ser reaccionário e o obstáculo maior a que o mundo vá para a frente…”
Hoje, é chamada a agir num mundo dominado por uma nova cultura, pelo diálogo necessário com uma sociedade marcada por vazio e ansiedades. Contudo depara com sérias dificuldades, na sua comunicação e acção. Neste cenário, não pode regredir em relação ao caminho traçado pelas raízes evangélicas, retomado, com nova sensibilidade e vigor, pelo Concílio Vaticano II. Deve assumir, sempre mais, a identidade de Povo de Deus, peregrino na sociedade e na história.
Estamos, mas não somos!!
Devemos utilizar os meios que temos à disposição, para agir. “O anúncio de Cristo no mundo das novas tecnologias supõe um conhecimento profundo das mesmas para se chegar a uma sua conveniente utilização.
Temos de ser audazes, unidos e persistentes neste anúncio de Jesus… a todos e em todo o momento.
“Está na Assembleia da República um projecto de lei sobre a distribuição de preservativos nas escolas secundárias…”
Em vez de se apostar numa verdadeira educação, faz-se ainda hoje, da parte dos responsáveis, mimese do acto de Pilatos : lava-se as mãos. É um caminho mais fácil, mas nada responsável. As consequências estão à vista de todos... um perfume de alguma anarquia em tudo.
“Eu julguei que as grandes questões da esquerda eram a distribuição da riqueza, a saúde, a segurança, o trabalho, a educação, a habitação… agora estava fora das minhas cogitações que fossem meter o nariz nos preservativos”
No mundo de hoje, como no de sempre, “a renovação ou vem de dentro ou nunca de dará. É preciso que quem se sente Igreja o entenda e o assuma. Não há outro caminho.”
Far-se-à referência a textos de D. António Marcelino, de A. Sílvio Couto e de Paulo Fafe (Diário do Minho)
Deste mergulhar, deparamos vários atentados contra a igreja e seus valores, indo até longe demais.
Transcrevo, “na Bélgica e na Espanha, países de tradição cristã, mas de há muito sob a influência de um laicismo mortífero e arrasador, que não se priva de nada para destruir tudo e todos quantos, no mundo de hoje, falam de Deus ou apelam aos valores transcendentes da vida, foram os parlamentos, nacional e regional, que decidiram, por votação de maioria, fazer com que o Papa se retratasse e pedisse perdão ao mundo pelas intervenções dissonantes, de ordem ética e moral. Nada menos.”
“A Igreja e seus responsáveis são ditos a expressão pública do que é ser reaccionário e o obstáculo maior a que o mundo vá para a frente…”
Hoje, é chamada a agir num mundo dominado por uma nova cultura, pelo diálogo necessário com uma sociedade marcada por vazio e ansiedades. Contudo depara com sérias dificuldades, na sua comunicação e acção. Neste cenário, não pode regredir em relação ao caminho traçado pelas raízes evangélicas, retomado, com nova sensibilidade e vigor, pelo Concílio Vaticano II. Deve assumir, sempre mais, a identidade de Povo de Deus, peregrino na sociedade e na história.
Estamos, mas não somos!!
Devemos utilizar os meios que temos à disposição, para agir. “O anúncio de Cristo no mundo das novas tecnologias supõe um conhecimento profundo das mesmas para se chegar a uma sua conveniente utilização.
Temos de ser audazes, unidos e persistentes neste anúncio de Jesus… a todos e em todo o momento.
“Está na Assembleia da República um projecto de lei sobre a distribuição de preservativos nas escolas secundárias…”
Em vez de se apostar numa verdadeira educação, faz-se ainda hoje, da parte dos responsáveis, mimese do acto de Pilatos : lava-se as mãos. É um caminho mais fácil, mas nada responsável. As consequências estão à vista de todos... um perfume de alguma anarquia em tudo.
“Eu julguei que as grandes questões da esquerda eram a distribuição da riqueza, a saúde, a segurança, o trabalho, a educação, a habitação… agora estava fora das minhas cogitações que fossem meter o nariz nos preservativos”
No mundo de hoje, como no de sempre, “a renovação ou vem de dentro ou nunca de dará. É preciso que quem se sente Igreja o entenda e o assuma. Não há outro caminho.”
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Episódios...Lições de vida
A Senhora da limpeza
Durante o meu segundo ano no ensino superior, o nosso professor deu-nos um teste. Eu era um aluno consciente e respondi rapidamente a todas as questões até ler a última:
"Qual é o nome da mulher que faz a limpeza na escola?"Isto só podia ser uma brincadeira. Eu tinha visto a mulher da limpeza inúmeras vezes. Ela era alta, cabelo escuro, à volta dos 50 anos, mas como poderia eu saber o nome dela? Eu entreguei o meu teste, deixando em branco a última questão. Mesmo antes da aula terminar, um dos estudantes perguntou se a última questão contava para nota.
"Absolutamente," respondeu o professor. "Nas vossas carreiras irão encontrar muitas pessoas. Todas são significativas. Elas merecem a vossa atenção e cuidado, mesmo que tudo o que vocês façam seja sorrir e dizer 'olá'."
Nunca esquecerei aquela lição. Também aprendi que o nome da senhora era Dolores.
A boleia na chuva
Uma noite, pelas 11:30 p.m., uma mulher de origem Africana, estava apeada numa autoestrada do Alabama, a tentar aguentar uma valente chuva torrencial. O carro dela tinha avariado e ela precisava desesperadamente de uma boleia. Completamente encharcada, ela decidiu fazer stop ao carro que se aproximava. Um jovem, branco, decidiu ajudá-la, apesar de isto ser uma atitude de bravado naqueles dias de racismo (década de 60). O homem levou-a até um lugar seguro, ajudou-a a resolver a sua situação e arranjou-lhe um taxi.
Ela parecia estar com muita pressa, mas mesmo assim tomou nota damorada do jovem e agradeceu-lhe. Uma semana mais tarde batiam à porta do jovem. Para sua surpresa, uma televisão de ecrãn panorâmico era-lhe entregue à porta. Um cartão de agradecimento acompanhava a televisão.
Dizia:"Muito obrigado por me ajudar na autoestrada na outra noite. A chuva não só encharcou a minha roupa, como o meu espírito. Foi então que apareceste. Por causa de si consegui chegar ao meu marido antes de ele falecer. Que Deus o abençoe por me ter ajudado e ter servido outros de maneira tão altruísta. Com sinceredidade, Mrs. Nat King Cole."
Lembra-te sempre daqueles que servem
Nos dias em que um gelado custava muito menos do que hoje, um rapazinho de 10 anos entrou no café de um hotel e sentou-se a uma mesa. Uma empregada de mesa trouxe-lhe um copo de água.
"Quanto custa um gelado de taça?" perguntou o rapazinho."Cinquenta cêntimos," respondeu a empregada.
O rapazinho tirou do bolso uma mão cheia de moedas e contou-as."Bem, quanto custa um gelado simples?" perguntou ele.A esta altura já mais pessoas estavam à espera de uma mesa e a empregada começava a ficar impaciente.
"Trinta e cinco cêntimos," respondeu ela com brusquidão.
O rapazinho contou novamente as suas moedas.
"Vou querer o gelado simples." Respondeu ele.
A empregada trouxe o gelado, colocou a conta em cima da mesa, recebeu o dinheiro do rapazinho e afastou-se. O rapazinho terminou o seu gelado e foi-se embora.Quando a empregada foi levantar a mesa começou a chorar. Em cima da mesa, colocado delicadamente ao lado da conta, estavam 3 moedas de cinco cêntimos...
Não sei se está a ver! Ele não podia comer o gelado cremoso porque queria ter dinheiro suficiente para deixar uma gorjeta à empregada.
O obstáculo no nosso caminho
Em tempos antigos, um rei mandou colocar um enorme pedregulho num caminho. Depois escondeu-se e ficou a ver se alguém retirava a enorme pedra. Alguns dos comerciantes mais ricos do Rei passaram e simplesmente se afastaram da pedra, contornando-a. Alguns culpavam em alta voz o Rei por não manter os caminhos limpos. Mas nenhum fez nada para afastar a pedra do caminho.
Apareceu então um camponês, carregando um molho de vegetais. Ao aproximar-se do pedregulho, o camponês colocou o seu fardo no solo e tentou deslocar a pedra para a berma do caminho. Depois de muito empurrar, finalmente conseguiu. O camponês voltou a colocar os vegetais ás costas e só depois reparou num porta-moedas no sitio onde antes estivera a enorme pedra.
O porta-moedas continha muitas moedas de ouro e uma nota a explicar que o ouro era para aquele que retirasse a pedra do caminho. O camponês aprendeu aquilo que muitos de nós nunca compreendem!
Cada obstáculo apresenta uma oportunidade para melhorar a nossa situação.
Dar quando conta
Muitos anos atrás, quando eu trabalhava como voluntário num hospital, conheci uma pequena menina chamada Liz, que sofria de uma doença rara e muito grave. A sua única hipótese de salvamento parecia ser uma transfusão de sangue do irmão mais novo, de cinco anos, que já tinha tido o mesmo problema e sobrevivido milagrosamente, desenvolvendo anticorpos necessários para a combater. O médico explicou-lhe a situação da irmã e peguntou-lhe se ele estaria disponível para dar o seu sangue à sua irmã.
Eu vi-o a hesitar por uns instantes, antes de respirar fundo e dizer"sim, eu faço-o se isso a salvar."À medida que a transfusão ía correndo, ele mantinha-se deitado ao lado da sua irmã, sorrindo. Todos nós sorríamos, vendo a cor a regressar à face da menina. Foi então que o menino começou a ficar pálido e o seu sorriso a desaparecer.
Ele olhou para o médico e perguntou-lhe, com a voz a tremer, "Será que eu começo a morrer já?".
Sendo muito jovem, o menino não compreendeu o médico; ele pensou que teria que dar todo o seu sangue à irmã para a poder salvar.
"Trabalha como se não precisasses do dinheiro,
ama como se nunca tivesses sido magoado,
e dança como danças quando não há ninguém a ver-te."
Durante o meu segundo ano no ensino superior, o nosso professor deu-nos um teste. Eu era um aluno consciente e respondi rapidamente a todas as questões até ler a última:
"Qual é o nome da mulher que faz a limpeza na escola?"Isto só podia ser uma brincadeira. Eu tinha visto a mulher da limpeza inúmeras vezes. Ela era alta, cabelo escuro, à volta dos 50 anos, mas como poderia eu saber o nome dela? Eu entreguei o meu teste, deixando em branco a última questão. Mesmo antes da aula terminar, um dos estudantes perguntou se a última questão contava para nota.
"Absolutamente," respondeu o professor. "Nas vossas carreiras irão encontrar muitas pessoas. Todas são significativas. Elas merecem a vossa atenção e cuidado, mesmo que tudo o que vocês façam seja sorrir e dizer 'olá'."
Nunca esquecerei aquela lição. Também aprendi que o nome da senhora era Dolores.
A boleia na chuva
Uma noite, pelas 11:30 p.m., uma mulher de origem Africana, estava apeada numa autoestrada do Alabama, a tentar aguentar uma valente chuva torrencial. O carro dela tinha avariado e ela precisava desesperadamente de uma boleia. Completamente encharcada, ela decidiu fazer stop ao carro que se aproximava. Um jovem, branco, decidiu ajudá-la, apesar de isto ser uma atitude de bravado naqueles dias de racismo (década de 60). O homem levou-a até um lugar seguro, ajudou-a a resolver a sua situação e arranjou-lhe um taxi.
Ela parecia estar com muita pressa, mas mesmo assim tomou nota damorada do jovem e agradeceu-lhe. Uma semana mais tarde batiam à porta do jovem. Para sua surpresa, uma televisão de ecrãn panorâmico era-lhe entregue à porta. Um cartão de agradecimento acompanhava a televisão.
Dizia:"Muito obrigado por me ajudar na autoestrada na outra noite. A chuva não só encharcou a minha roupa, como o meu espírito. Foi então que apareceste. Por causa de si consegui chegar ao meu marido antes de ele falecer. Que Deus o abençoe por me ter ajudado e ter servido outros de maneira tão altruísta. Com sinceredidade, Mrs. Nat King Cole."
Lembra-te sempre daqueles que servem
Nos dias em que um gelado custava muito menos do que hoje, um rapazinho de 10 anos entrou no café de um hotel e sentou-se a uma mesa. Uma empregada de mesa trouxe-lhe um copo de água.
"Quanto custa um gelado de taça?" perguntou o rapazinho."Cinquenta cêntimos," respondeu a empregada.
O rapazinho tirou do bolso uma mão cheia de moedas e contou-as."Bem, quanto custa um gelado simples?" perguntou ele.A esta altura já mais pessoas estavam à espera de uma mesa e a empregada começava a ficar impaciente.
"Trinta e cinco cêntimos," respondeu ela com brusquidão.
O rapazinho contou novamente as suas moedas.
"Vou querer o gelado simples." Respondeu ele.
A empregada trouxe o gelado, colocou a conta em cima da mesa, recebeu o dinheiro do rapazinho e afastou-se. O rapazinho terminou o seu gelado e foi-se embora.Quando a empregada foi levantar a mesa começou a chorar. Em cima da mesa, colocado delicadamente ao lado da conta, estavam 3 moedas de cinco cêntimos...
Não sei se está a ver! Ele não podia comer o gelado cremoso porque queria ter dinheiro suficiente para deixar uma gorjeta à empregada.
O obstáculo no nosso caminho
Em tempos antigos, um rei mandou colocar um enorme pedregulho num caminho. Depois escondeu-se e ficou a ver se alguém retirava a enorme pedra. Alguns dos comerciantes mais ricos do Rei passaram e simplesmente se afastaram da pedra, contornando-a. Alguns culpavam em alta voz o Rei por não manter os caminhos limpos. Mas nenhum fez nada para afastar a pedra do caminho.
Apareceu então um camponês, carregando um molho de vegetais. Ao aproximar-se do pedregulho, o camponês colocou o seu fardo no solo e tentou deslocar a pedra para a berma do caminho. Depois de muito empurrar, finalmente conseguiu. O camponês voltou a colocar os vegetais ás costas e só depois reparou num porta-moedas no sitio onde antes estivera a enorme pedra.
O porta-moedas continha muitas moedas de ouro e uma nota a explicar que o ouro era para aquele que retirasse a pedra do caminho. O camponês aprendeu aquilo que muitos de nós nunca compreendem!
Cada obstáculo apresenta uma oportunidade para melhorar a nossa situação.
Dar quando conta
Muitos anos atrás, quando eu trabalhava como voluntário num hospital, conheci uma pequena menina chamada Liz, que sofria de uma doença rara e muito grave. A sua única hipótese de salvamento parecia ser uma transfusão de sangue do irmão mais novo, de cinco anos, que já tinha tido o mesmo problema e sobrevivido milagrosamente, desenvolvendo anticorpos necessários para a combater. O médico explicou-lhe a situação da irmã e peguntou-lhe se ele estaria disponível para dar o seu sangue à sua irmã.
Eu vi-o a hesitar por uns instantes, antes de respirar fundo e dizer"sim, eu faço-o se isso a salvar."À medida que a transfusão ía correndo, ele mantinha-se deitado ao lado da sua irmã, sorrindo. Todos nós sorríamos, vendo a cor a regressar à face da menina. Foi então que o menino começou a ficar pálido e o seu sorriso a desaparecer.
Ele olhou para o médico e perguntou-lhe, com a voz a tremer, "Será que eu começo a morrer já?".
Sendo muito jovem, o menino não compreendeu o médico; ele pensou que teria que dar todo o seu sangue à irmã para a poder salvar.
"Trabalha como se não precisasses do dinheiro,
ama como se nunca tivesses sido magoado,
e dança como danças quando não há ninguém a ver-te."
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Saber olhar...
A «homossexualidade revela imaturidade afectiva», leio num artigo do jornal Diário do Minho, como dita pelo Padre Vasco Pinto de Magalhães, enquadrada na jornada de formação do clero da Arquidiocese de Braga.
Vem o seu desenvolvimento, onde revela, que não é mais que «uma dificuldade de identificação com a complementaridade».
Dentro das patologias das relações interpessoais, a homossexualidade liga-se à questão da educação, é um «problema de imaturidade e de não desenvolvimento saudável da afectividade.»
A homossexualidade tem a ver com a «dificuldade de superação da síndrome de Narciso», ligada à fase dos sete anos de vida da criança.
«A síndrome de Narciso é uma excessiva fixação na fase pré-adolescente, em que a criança se procura a si mesma, e, se mais tarde, não supera isso, com a descoberta da complementaridade, está lançada a base para a homossexualidade»
No mesmo artigo, refere a Teilhard de Chardin. Apoiado nele, o padre Vasco destacou que «a felicidade depende do exercício gradual da pessoa aprender a centrar-se, a descentrar-se e a sobrecentrar-se».
E desenvolve. Centrar-se liga-se ao «recto amor e apreço de si próprio», que inclui «capacidade de auto-crítica e auto-avaliação».
O descentrar-se, que é simultâneo ao anterior, tem a ver com o «perceber o valor do outro», colocando-o como «centro de gravidade».
Estes dois exigem um outro, que esteja para além dos dois, e que é transcendente. «O sobrecentrar-se é encontrar alguém que alarga os horizontes e que oferece ideais».
Será que estes breves apontamentos nos poderão ajudar a ver melhor todos os que nos rodeiam e ajudarmo-nos nesta caminhada para Deus..?
Vem o seu desenvolvimento, onde revela, que não é mais que «uma dificuldade de identificação com a complementaridade».
Dentro das patologias das relações interpessoais, a homossexualidade liga-se à questão da educação, é um «problema de imaturidade e de não desenvolvimento saudável da afectividade.»
A homossexualidade tem a ver com a «dificuldade de superação da síndrome de Narciso», ligada à fase dos sete anos de vida da criança.
«A síndrome de Narciso é uma excessiva fixação na fase pré-adolescente, em que a criança se procura a si mesma, e, se mais tarde, não supera isso, com a descoberta da complementaridade, está lançada a base para a homossexualidade»
No mesmo artigo, refere a Teilhard de Chardin. Apoiado nele, o padre Vasco destacou que «a felicidade depende do exercício gradual da pessoa aprender a centrar-se, a descentrar-se e a sobrecentrar-se».
E desenvolve. Centrar-se liga-se ao «recto amor e apreço de si próprio», que inclui «capacidade de auto-crítica e auto-avaliação».
O descentrar-se, que é simultâneo ao anterior, tem a ver com o «perceber o valor do outro», colocando-o como «centro de gravidade».
Estes dois exigem um outro, que esteja para além dos dois, e que é transcendente. «O sobrecentrar-se é encontrar alguém que alarga os horizontes e que oferece ideais».
Será que estes breves apontamentos nos poderão ajudar a ver melhor todos os que nos rodeiam e ajudarmo-nos nesta caminhada para Deus..?
Consagração a Maria
Chegou-me às mãos a Consagração ao Coração de Maria.
Foi escrita pela irmã Lúcia, vidente de Fátima, em Outubro de 1986.
Transcrevo-a:
A Vós Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, ao Vosso Coração Imaculado me consagro em plena entrega de doação ao Senhor.
Tomai-me sob a Vossa maternal protecção, defendei-me dos perigos que me rodeiam, ajudai-me a vencer as tentações que me solicitam para o mal, a conservar a pureza do meu corpo, do meu espírito e do meu coração, para ser, por Vós, levada a Jesus Vosso Filho e Filho de Deus, para com Ele, ser consagrada sobre o altar e oferecida ao Pai, pequenina Hóstia de amor, para eterno louvor da Santíssima Trindade, a Quem adoro e amo, acredito no Seu amor e espero na Sua misericórdia, cantar contigo ó Maria – para sempre – o louvor da Sua Glória.
Coimbra, 29 X 1986
Irmã Maria Lúcia
Foi escrita pela irmã Lúcia, vidente de Fátima, em Outubro de 1986.
Transcrevo-a:
A Vós Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, ao Vosso Coração Imaculado me consagro em plena entrega de doação ao Senhor.
Tomai-me sob a Vossa maternal protecção, defendei-me dos perigos que me rodeiam, ajudai-me a vencer as tentações que me solicitam para o mal, a conservar a pureza do meu corpo, do meu espírito e do meu coração, para ser, por Vós, levada a Jesus Vosso Filho e Filho de Deus, para com Ele, ser consagrada sobre o altar e oferecida ao Pai, pequenina Hóstia de amor, para eterno louvor da Santíssima Trindade, a Quem adoro e amo, acredito no Seu amor e espero na Sua misericórdia, cantar contigo ó Maria – para sempre – o louvor da Sua Glória.
Coimbra, 29 X 1986
Irmã Maria Lúcia
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Estado de desânimo... Em Deus, me reconforto!
Acabei de ler um artigo de Ângela Silva, que transcrevo. Saí da leitura desanimado, mas...
Acabei também de saber de dois casais, ambos desempregados, que nem pão tiveram hoje (23 de Abril de 2009), para o pequeno almoço.
Eis um recado, realemente quem anda em Deus, nestes momentos vividos, mantém-se com forças e a lutar...
"Faltam seis meses – apenas seis meses – para as
eleições legislativas, mas apetecia que fosse hoje.
É dia a dia mais cansativo este compasso de espera
amargo, desesperançado e tosco para que o ciclo
político mude. Ganhe quem ganhar, o país precisa
de uma nova atmosfera que só as eleições ajudarão
a criar. Com novos protagonistas ou com estes relegitimados.
O ar que se respira é escasso, muito escasso. O
primeiro-ministro confessa sentir-se a arrastar uma
cruz, a líder da oposição propõe que o enriquecimento
ilícito seja crime e é desautorizada pelo
seu primeiro vice-presidente; o Presidente da República
insinua que Sócrates está a governar para
as estatísticas, Sócrates responde que está farto de
recados; o Procurador-Geral da República diz que
anseia por quebrar o segredo de Justiça nos processos
que envolvem poderosos, na banca não param os
casos de polícia."
"O primeiro-ministro diz que a televisão mais vista
não faz jornalismo mas caça ao homem, o director
da TVI chama-lhe cobarde; Cavaco faz um discurso
importante no próximo sábado, Sócrates antecipase
e vai à televisão pública mandar-lhe recados;
os processos entre jornalistas e o PM não param,
o Parlamento não consegue escolher um Provedor
de Justiça."
"O FMI não para de nos dar más notícias, o desemprego
aumenta, o défi ce também; Cavaco acha que
a política económica do Governo falhou e Sócrates
não tem soluções novas. Vende o Magalhães e aumenta
a escolaridade obrigatória ao 12º ano – boa
notícia – mas as escolas dizem não ter condições
para a cumprir."
"Em Junho há europeias, mas ninguém quer saber.
Há milhões que desconhecem Vital e Rangel. Para
as legislativas faltam seis meses mas apetecia que
fosse hoje. Não se pode antecipá-las?"
Acabei também de saber de dois casais, ambos desempregados, que nem pão tiveram hoje (23 de Abril de 2009), para o pequeno almoço.
Eis um recado, realemente quem anda em Deus, nestes momentos vividos, mantém-se com forças e a lutar...
"Faltam seis meses – apenas seis meses – para as
eleições legislativas, mas apetecia que fosse hoje.
É dia a dia mais cansativo este compasso de espera
amargo, desesperançado e tosco para que o ciclo
político mude. Ganhe quem ganhar, o país precisa
de uma nova atmosfera que só as eleições ajudarão
a criar. Com novos protagonistas ou com estes relegitimados.
O ar que se respira é escasso, muito escasso. O
primeiro-ministro confessa sentir-se a arrastar uma
cruz, a líder da oposição propõe que o enriquecimento
ilícito seja crime e é desautorizada pelo
seu primeiro vice-presidente; o Presidente da República
insinua que Sócrates está a governar para
as estatísticas, Sócrates responde que está farto de
recados; o Procurador-Geral da República diz que
anseia por quebrar o segredo de Justiça nos processos
que envolvem poderosos, na banca não param os
casos de polícia."
"O primeiro-ministro diz que a televisão mais vista
não faz jornalismo mas caça ao homem, o director
da TVI chama-lhe cobarde; Cavaco faz um discurso
importante no próximo sábado, Sócrates antecipase
e vai à televisão pública mandar-lhe recados;
os processos entre jornalistas e o PM não param,
o Parlamento não consegue escolher um Provedor
de Justiça."
"O FMI não para de nos dar más notícias, o desemprego
aumenta, o défi ce também; Cavaco acha que
a política económica do Governo falhou e Sócrates
não tem soluções novas. Vende o Magalhães e aumenta
a escolaridade obrigatória ao 12º ano – boa
notícia – mas as escolas dizem não ter condições
para a cumprir."
"Em Junho há europeias, mas ninguém quer saber.
Há milhões que desconhecem Vital e Rangel. Para
as legislativas faltam seis meses mas apetecia que
fosse hoje. Não se pode antecipá-las?"
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Presidente da CEP fala de «ataques» à família
D. Jorge Ortiga deixa críticas à legalização do matrimónio entre homossexuais e à banalização do aborto
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, deixou esta Segunda-feira, 20 de Abril, duras críticas às políticas do governo em matérias relacionadas como o casamento, o aborto e a eutanásia.
O Arcebispo de Braga fez uma referência directa à tentativa de “redefinição legal do casamento (e, desse modo, do conceito de família), de modo a nele incluir uniões entre pessoas do mesmo sexo”, situação que classificou como “grave”. “A identidade própria da família” não pode “confundir-se com qualquer outro tipo de convivência”.
Mais à frente, D. Jorge Ortiga condenou a “banalização” do divórcio, afirmando que “as recentes alterações legislativas ao regime do divórcio, que o facilitam ainda mais e que tornam o casamento civil o mais instável dos contratos, não podem deixar de ser apontadas como sinal negativo”.
Para o Arcebispo de Braga, “os cidadãos têm o direito de saber qual a concepção de política familiar subjacente aos vários programas”, frisando que “seria bom que os candidatos apresentassem propostas reflectidas sobre estas questões, que são mais decisivas para o futuro da sociedade do que muitas outras que ocupam lugares de primazia em agendas partidárias e em primeiras páginas de jornais e noticiários”. “A desestruturação familiar chega a estar na origem de fenómenos tão graves como a toxicodependência e a delinquência juvenil. Mas mesmo quando não se atingem estes extremos, não pode dizer-se que será salutar uma sociedade onde a situação de crianças que não são simultaneamente educadas pelo pai e pela mãe deixou de ser excepção e passou a ser regra”, apontou o presidente da CEP.D. Jorge Ortiga disse também que “a convivência familiar é também, por vezes, a ocasião que propicia fenómenos de violência doméstica, que representam a completa perversão dos valores familiares”.“Sem descurar a acção dos sistemas policial e judicial na repressão deste fenómeno, há que salientar a importância da prevenção, o que também depende da educação e da preparação para o casamento”, indicou.
Aborto e eutanásia
As críticas do Arcebispo de Braga alargaram-se às “ameaças e atitudes de negação do direito a nascer e a viver”, apontando o dedo a uma “mentalidade deliberadamente anti-natalista”.D. Jorge Ortiga referiu que a “legalização do aborto” levou a uma “banalização crescente dessa prática”. “Como se revelam agora enganadoras as declarações de que a legalização permitira conter o número dos abortos, através de sistemas de aconselhamento”, acusa.O discurso do presidente da CEP passou ainda pelas “anunciadas propostas de legalização da eutanásia, que apresentam a morte como resposta ao sofrimento da doença e da fase terminal da vida”.“Há que valorizar a vida, mesmo na doença e na sua fase terminal. A doença não retira dignidade à vida”, defende D. Jorge Ortiga.Para a Igreja, prosseguiu, “a vida biológica, desde a concepção até à morte, possui uma sacralidade intrínseca, uma dignidade inalienável e originária que lhe confere um valor único e irrepetível”. O presidente do episcopado português aplaudiu “medidas recentes de aumento dos abonos de família ou de alargamento das licenças de maternidade e paternidade”, mas lembrou que persiste “a injustiça de um sistema fiscal que discrimina negativamente as pessoas casadas e que não tem em devida conta os encargos que os filhos representam”.Noutro âmbito, o Arcebispo de Braga apontou o dedo à “legislação, recentemente aprovada, que consagra a obrigatoriedade da disciplina de educação sexual, sem atender à necessidade de respeitar as convicções das famílias, pode vir a traduzir-se noutro atentado aos seus direitos”. “Atendendo a experiências já realizadas entre nós, são justificados os receios de que os programas dessa disciplina possam chocar com as concepções éticas das famílias em matéria tão delicada”, acrescentou.
Crise
Numa intervenção que abordou diversos temas da actualidade, D. Jorge Ortiga frisou que “o cenário de crise económica, que já se verifica e que tenderá a agravar-se nos próximos tempos, torna particularmente gravoso o futuro de muitas famílias”. “Esta crise económica poderá servir, precisamente, para descobrir novas formas de organização económica, mais fraternas e solidárias, mais à medida da pessoa e da família”, disse.O Arcebispo de Braga assinalou que “perante a crescente exclusão social, só uma verdadeira integração de todos – pessoas e grupos sociais – permitirá que a pobreza e a discriminação não proliferem”. Após falar no “espectro da pobreza, tantas vezes envergonhada”, este responsável observou que “a falência do sistema económico-financeiro exige uma solução global, onde a participação de cada um faça com que as coisas materiais sejam colocadas ao serviço do bem comum”.Neste contexto, D. Jorge Ortiga acusou os empresários que “abandonaram o barco com atitudes fraudulentas, não respeitando as mínimas exigências éticas” e os trabalhadores que “caminham na ilusão de acreditar em realidades que não existem”. “Só com maior sobriedade, austeridade e compromisso colectivo ultrapassaremos o que parece inevitável”, referiu.
O presidente da CEP deixou claro que “o direito ao trabalho é primário e condicionante da dignidade da pessoa humana”. “Negar ou não proporcionar que todos possam exercer uma actividade que permita o essencial para viver, significa gerar fenómenos de exclusão e marginalidade social, potencialmente causadores de insegurança, violência ou incapacidade de vida em comum no respeito por todos”, alertou, antes de referir ao “problema dos desempregados envergonhados, que nunca poderemos ignorar”.
Em conclusão, o presidente da CEP fez votos de que “Portugal tenha a certeza de que a Igreja acompanha os sofrimentos de todos para fazer alimentar a esperança num amanhã menos cansado, porque cheio de serenidade e alegria”.
“Com o Santo Condestável, inventemos modos novos de servir a causa do Evangelho para que, a partir da família, criemos condições para uma Igreja com futuro e um Portugal com esperança”, disse, lembrando a próxima canonização de Nuno Álvares Pereira.
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, deixou esta Segunda-feira, 20 de Abril, duras críticas às políticas do governo em matérias relacionadas como o casamento, o aborto e a eutanásia.
O Arcebispo de Braga fez uma referência directa à tentativa de “redefinição legal do casamento (e, desse modo, do conceito de família), de modo a nele incluir uniões entre pessoas do mesmo sexo”, situação que classificou como “grave”. “A identidade própria da família” não pode “confundir-se com qualquer outro tipo de convivência”.
Mais à frente, D. Jorge Ortiga condenou a “banalização” do divórcio, afirmando que “as recentes alterações legislativas ao regime do divórcio, que o facilitam ainda mais e que tornam o casamento civil o mais instável dos contratos, não podem deixar de ser apontadas como sinal negativo”.
Para o Arcebispo de Braga, “os cidadãos têm o direito de saber qual a concepção de política familiar subjacente aos vários programas”, frisando que “seria bom que os candidatos apresentassem propostas reflectidas sobre estas questões, que são mais decisivas para o futuro da sociedade do que muitas outras que ocupam lugares de primazia em agendas partidárias e em primeiras páginas de jornais e noticiários”. “A desestruturação familiar chega a estar na origem de fenómenos tão graves como a toxicodependência e a delinquência juvenil. Mas mesmo quando não se atingem estes extremos, não pode dizer-se que será salutar uma sociedade onde a situação de crianças que não são simultaneamente educadas pelo pai e pela mãe deixou de ser excepção e passou a ser regra”, apontou o presidente da CEP.D. Jorge Ortiga disse também que “a convivência familiar é também, por vezes, a ocasião que propicia fenómenos de violência doméstica, que representam a completa perversão dos valores familiares”.“Sem descurar a acção dos sistemas policial e judicial na repressão deste fenómeno, há que salientar a importância da prevenção, o que também depende da educação e da preparação para o casamento”, indicou.
Aborto e eutanásia
As críticas do Arcebispo de Braga alargaram-se às “ameaças e atitudes de negação do direito a nascer e a viver”, apontando o dedo a uma “mentalidade deliberadamente anti-natalista”.D. Jorge Ortiga referiu que a “legalização do aborto” levou a uma “banalização crescente dessa prática”. “Como se revelam agora enganadoras as declarações de que a legalização permitira conter o número dos abortos, através de sistemas de aconselhamento”, acusa.O discurso do presidente da CEP passou ainda pelas “anunciadas propostas de legalização da eutanásia, que apresentam a morte como resposta ao sofrimento da doença e da fase terminal da vida”.“Há que valorizar a vida, mesmo na doença e na sua fase terminal. A doença não retira dignidade à vida”, defende D. Jorge Ortiga.Para a Igreja, prosseguiu, “a vida biológica, desde a concepção até à morte, possui uma sacralidade intrínseca, uma dignidade inalienável e originária que lhe confere um valor único e irrepetível”. O presidente do episcopado português aplaudiu “medidas recentes de aumento dos abonos de família ou de alargamento das licenças de maternidade e paternidade”, mas lembrou que persiste “a injustiça de um sistema fiscal que discrimina negativamente as pessoas casadas e que não tem em devida conta os encargos que os filhos representam”.Noutro âmbito, o Arcebispo de Braga apontou o dedo à “legislação, recentemente aprovada, que consagra a obrigatoriedade da disciplina de educação sexual, sem atender à necessidade de respeitar as convicções das famílias, pode vir a traduzir-se noutro atentado aos seus direitos”. “Atendendo a experiências já realizadas entre nós, são justificados os receios de que os programas dessa disciplina possam chocar com as concepções éticas das famílias em matéria tão delicada”, acrescentou.
Crise
Numa intervenção que abordou diversos temas da actualidade, D. Jorge Ortiga frisou que “o cenário de crise económica, que já se verifica e que tenderá a agravar-se nos próximos tempos, torna particularmente gravoso o futuro de muitas famílias”. “Esta crise económica poderá servir, precisamente, para descobrir novas formas de organização económica, mais fraternas e solidárias, mais à medida da pessoa e da família”, disse.O Arcebispo de Braga assinalou que “perante a crescente exclusão social, só uma verdadeira integração de todos – pessoas e grupos sociais – permitirá que a pobreza e a discriminação não proliferem”. Após falar no “espectro da pobreza, tantas vezes envergonhada”, este responsável observou que “a falência do sistema económico-financeiro exige uma solução global, onde a participação de cada um faça com que as coisas materiais sejam colocadas ao serviço do bem comum”.Neste contexto, D. Jorge Ortiga acusou os empresários que “abandonaram o barco com atitudes fraudulentas, não respeitando as mínimas exigências éticas” e os trabalhadores que “caminham na ilusão de acreditar em realidades que não existem”. “Só com maior sobriedade, austeridade e compromisso colectivo ultrapassaremos o que parece inevitável”, referiu.
O presidente da CEP deixou claro que “o direito ao trabalho é primário e condicionante da dignidade da pessoa humana”. “Negar ou não proporcionar que todos possam exercer uma actividade que permita o essencial para viver, significa gerar fenómenos de exclusão e marginalidade social, potencialmente causadores de insegurança, violência ou incapacidade de vida em comum no respeito por todos”, alertou, antes de referir ao “problema dos desempregados envergonhados, que nunca poderemos ignorar”.
Em conclusão, o presidente da CEP fez votos de que “Portugal tenha a certeza de que a Igreja acompanha os sofrimentos de todos para fazer alimentar a esperança num amanhã menos cansado, porque cheio de serenidade e alegria”.
“Com o Santo Condestável, inventemos modos novos de servir a causa do Evangelho para que, a partir da família, criemos condições para uma Igreja com futuro e um Portugal com esperança”, disse, lembrando a próxima canonização de Nuno Álvares Pereira.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Será a "Febre do ouro" em Portugal?
Portugal está doente. A doença não tem nada a ver com pobreza e desemprego, passa ao lado do défice e educação, é independente da crise internacional. Isto são sintomas, coincidências, analgésicos ou até parte da cura.O problema é pior e é bem conhecido. Começou pelo enriquecimento fácil na Europa. Passou a endividamento acelerado no euro.
Agora é suspeita generalizada em todo o lado. O nosso drama é fartura prometida mas falhada, direitos adquiridos sem razão, sucesso que os outros parecem ter e eu não.
É a velha febre do ouro.A nossa desgraça é toda a gente achar que há muitos bandidos e ficam impunes. Não porque sejamos roubados, porque até nem somos. Mas porque assim ninguém cumpre o seu dever, e muito menos se sacrifica pelo país, porque sente que mais ninguém o faz.
O nosso mal é desconfiar de árbitros e dirigentes desportivos, desesperar dos tribunais, suspeitar de ministros, construtoras, investidores, directores-gerais, funcionários. Até de juízes e magistrados. Portugal não é corrupto. Mas, como pensa ser, a corrupção fica justificada. A suspeita da aldrabice é pior que a patifaria. O primeiro-ministro recebeu subornos? Não sabemos. Nunca saberemos. Isso é pior que se recebesse.
Tivemos a mesma doença há 450 anos. Primeiro veio o enriquecimento fácil no Império. Depois o endividamento acelerado, que levou D. Sebastião a falir na dívida externa em 1560. Tudo acabou com a perda da nacionalidade em 1580.
Desta vez os sintomas não são tão graves. A Europa é menor que o Império.
Mas Portugal tem de curar esta febre do ouro.
Cfr. João César das Neves naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt
Agora é suspeita generalizada em todo o lado. O nosso drama é fartura prometida mas falhada, direitos adquiridos sem razão, sucesso que os outros parecem ter e eu não.
É a velha febre do ouro.A nossa desgraça é toda a gente achar que há muitos bandidos e ficam impunes. Não porque sejamos roubados, porque até nem somos. Mas porque assim ninguém cumpre o seu dever, e muito menos se sacrifica pelo país, porque sente que mais ninguém o faz.
O nosso mal é desconfiar de árbitros e dirigentes desportivos, desesperar dos tribunais, suspeitar de ministros, construtoras, investidores, directores-gerais, funcionários. Até de juízes e magistrados. Portugal não é corrupto. Mas, como pensa ser, a corrupção fica justificada. A suspeita da aldrabice é pior que a patifaria. O primeiro-ministro recebeu subornos? Não sabemos. Nunca saberemos. Isso é pior que se recebesse.
Tivemos a mesma doença há 450 anos. Primeiro veio o enriquecimento fácil no Império. Depois o endividamento acelerado, que levou D. Sebastião a falir na dívida externa em 1560. Tudo acabou com a perda da nacionalidade em 1580.
Desta vez os sintomas não são tão graves. A Europa é menor que o Império.
Mas Portugal tem de curar esta febre do ouro.
Cfr. João César das Neves naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt
"O Papa está certo"
Esta afirmação é do médico Edward Green, uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da SIDA. Ele é director do Projecto de Investigação e Prevenção da SIDA do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Uma das instituições educacionais mais prestigiadas do mundo.Edward C. Green diz que as Nações Unidas ignoraram os resultados de um estudo que encomendaram a Norman Hearst e Sanny Chen, da Universidade da Califórnia, após, em 2003, os investigadores terem concluído pela não existência de evidências que os preservativos estivessem a resultar como forma primária de prevenção do HIV em África.
O médico diz que este dado tem sido confirmado em diversos grandes artigos de revistas cientificas como a Lancet, Science e BMJ, referindo um artigo publicado no ano passado na Science onde 10 especialistas consideram que "o uso consistente de preservativos não atingiu um nível suficientemente alto, mesmo após anos de campanhas alargadas e agressivas para a sua promoção, de modo a fazerem descer o número de novas infecções e das epidemias generalizadas na África Sub-Sahariana". "Eu sou um liberal nas questões sociais e isso é difícil de admitir, mas o Papa está realmente certo. A maior evidência que mostramos é que os preservativos não funcionam como uma intervenção significativa para reduzir os índices de infecção por HIV na África."O estudioso aponta que a contaminação por HIV está em declínio em oito ou nove países africanos. E diz que em todos estes casos, as pessoas estão diminuindo a quantidade de parceiros sexuais.
As campanhas feitas até agora não resultaram porque deveriam chamar a atenção para evitar ter mais de um parceiro sexual. É o que se tem feito em alguns (poucos) países com resultados bem visíveis. O médico lembra que o chamado programa ABC (abstinência, fidelidade e preservativo – este só em último caso), está a funcionar no Uganda, tendo-se mostrado eficiente para diminuir a contaminação de 30% para 7%.
M. V. (in "O Amigo do Povo")
O médico diz que este dado tem sido confirmado em diversos grandes artigos de revistas cientificas como a Lancet, Science e BMJ, referindo um artigo publicado no ano passado na Science onde 10 especialistas consideram que "o uso consistente de preservativos não atingiu um nível suficientemente alto, mesmo após anos de campanhas alargadas e agressivas para a sua promoção, de modo a fazerem descer o número de novas infecções e das epidemias generalizadas na África Sub-Sahariana". "Eu sou um liberal nas questões sociais e isso é difícil de admitir, mas o Papa está realmente certo. A maior evidência que mostramos é que os preservativos não funcionam como uma intervenção significativa para reduzir os índices de infecção por HIV na África."O estudioso aponta que a contaminação por HIV está em declínio em oito ou nove países africanos. E diz que em todos estes casos, as pessoas estão diminuindo a quantidade de parceiros sexuais.
As campanhas feitas até agora não resultaram porque deveriam chamar a atenção para evitar ter mais de um parceiro sexual. É o que se tem feito em alguns (poucos) países com resultados bem visíveis. O médico lembra que o chamado programa ABC (abstinência, fidelidade e preservativo – este só em último caso), está a funcionar no Uganda, tendo-se mostrado eficiente para diminuir a contaminação de 30% para 7%.
M. V. (in "O Amigo do Povo")
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