quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cavalo de Guerra


No ano em que adaptou a obra de Hergé ao grande ecrã, Steven Spielberg lançou-se a nova obra cruzando uma incrível aventura com uma forte mensagem no género humano.
“Cavalo de Guerra” é um drama ambientado na Primeira Guerra Mundial e traz-nos à cabeça a história de Joey, um heroico cavalo que cruza os mais adversos cenários bélicos e geográficos desde que em 1914 é vendido numa feira de Devon, ao modesto quinteiro Narracott, até que cai em pleno campo de batalha francês, entre trincheiras inglesas e alemãs...
Não faria tanto sentido o filme versar apenas sobre o belíssimo  equídeo senão integrasse diversas histórias que, todas juntas, compõem uma clara mensagem: no caso, uma mensagem de esperança na capacidade dos homens de transpor disputas mais e menos pessoais de modo a concorrer para um bem comum. Aqui simbolizado na vida de Joey.
Assim, não é apenas a incrível resiliência de Joey que o faz sobreviver mas igualmente os vários gestos de amor de cada pessoa por quem passa para consigo. E é nesto sentido que “Cavalo de Guerra” deixa de ser a história dum animal heroico para passar claramente a ser uma história de pessoas heroicas, muito mais habilitadas para o bem que une que para o mal que divide.
Postas as inequívocas qualidades temáticas da obra, o filme apresenta na sua conceção original um enorme desafio: levar-nos a percorrer duas horas e meia de viagem à garupa de um cavalo conseguindo interessar-nos equitativa e equilibradamente por cada pequeno enredo que compõe a totalidade da história. Um desafio muito mais difícil do que as palavras parecem sugerir e que deixa algumas reservas quanto ao resultado final... tecnicamente o filme vive muito bem do bom trabalho fotográfico e de uma justa realização, mas não é aposta ganha na gestão do argumento.
Apesar de entrar na corrida aos Oscars como potencial candidato a melhor filme e desta ultimamente trazer surpresas, é provável que Spielberg, com todo o mérito da mensagem que passa, deixe a um dos pares o podium da noite da academia.
Margarida Ataíde

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Tempo e prioridades…


Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavra, pegou num frasco grande e vazio de maionese e começou a enchê-lo com bolas de golfe.
A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio.
Todos estiveram de acordo em dizer que "sim".

O professor então pegou numa caixa de fósforos e esvazio-a dentro do frasco de maionese.
Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe.
O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que "sim".

Logo, o professor pegou uma caixa de areia e vazou-a dentro do frasco.
Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor questionou novamente se o frasco estava cheio.
Os alunos responderam-lhe com um "sim" retumbante.

O professor em seguida adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco e preencheu todos os espaços vazios entre a areia.
Os estudantes riram-se nesta ocasião.

Quando os risos terminaram, o professor comentou:
- "Quero que percebam que este frasco é a Vida.
As bolas de golfe são as coisas importantes - a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos, as coisas que vos apaixonam. São coisa que mesmo que perdêssemos tudo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia.
Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro, etc.
A areia é tudo o resto, as pequenas coisas. Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe.
O mesmo ocorre com a Vida. Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes.
Presta atenção às coisas que realmente importam.
Estabelece as tuas prioridades... e o resto é só areia."

Um dos estudantes levantou a mão e perguntou: - "Então e o que representa o café?".
O professor sorriu e disse:
- "Ainda bem que perguntas! Isso e só para lhes mostrar que, por mais ocupada que a vossa vida possa parecer, há sempre lugar para tomar um café com um amigo."


in Povo

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

NEM SÓ DE PÃO VIVE O HOMEM

Tenho amigos meus que são membros e militantes da CDU e são cristãos empenhados na Igreja...
A confusão continua, e agora com Ricardo Sá Fernandes, neste mundo sem coluna vertebral, onde os valores são confusos...


_____________________________________________________


Declaração sobre a maçonaria – Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé - 26.11.1983 (v. L’Osservatore Romano de 26.11.83)<>

“ (...) Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.
Não corresponde às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçónicas com um juízo que implique derrogação de quanto acima estabelecido e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação, de 17 de Fevereiro de 1981 (cf. AAS 73, 1981, p.240-241). (...)”
_______________________________

A desassombrada declaração de interesses de Ricardo Sá Fernandes no jornal Público de hoje, de que é cristão e maçon e de que se assume como católico, vem com erro.
Quem diz acreditar na ressurreição de Jesus Cristo como filho de Deus não pode ser maçon, visto que a maçonaria nega nos seus pressupostos e sempre no seu pensamento e na sua acção, o Deus que se revela pessoalmente: o Deus humanado que vem servir e não ser servido, que padeceu, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia e que fundou a Igreja una, santa, católica e apostólica.
Grande confusão de Sá Fernandes, portanto, a induzir confusão.
Ou se é maçon, o que é uma pena, ou se é católico.

Miguel Alvim
Advogado

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Impostos nos Países Baixos

Estamos saturados de manhosos, desconfiados de moralistas, estamos sem ídolos, sem heróis, estamos encandeados pelos faróis dos que saltam para o lado do bem para escapar à turba contra o mal. Quando apanhamos, abocanhamos. Estraçalhamos. Somos uma multidão furiosa. Às vezes, erramos. A família Soares dos Santos não está a fugir aos impostos. Mesmo se vai fugir ao País. 

Só há um antídoto contra a especulação: a informação. É assustador ver tanta opinião instantânea sobre o que se desconhece. A sede de vingança tomou o lugar da fome de justiça. O problema não está na rua, nas redes sociais, nas esquinas dos desempregados. Está em quem tem a obrigação de saber do que fala. Do Parlamento, de Ana Gomes, de António Capucho, dos que pedem boicotes ao Pingo Doce(para comprar onde, já agora? No Continente da Sonae que tem praças na Holanda? No Lidl, que as tem na Alemanha?).

A decisão da família Soares dos Santos pode ser criticada mas não pelas razões que ontem se ouviu. A Jerónimo Martins não vai pagar menos impostos. E a família que a controla também não - até porque já pagava poucos.

Uma empresa tem lucro e paga IRC; depois distribui lucro pelos accionistas, que pagam IRC (se forem empresas) ou IRS (se forem particulares). Neste caso, a Jerónimo continua a pagar o mesmo IRC em Portugal (e na Polónia); o seu accionista de controlo, a "holding" da família Soares dos Santos, transferiu-se para a Holanda. Por ter mais de 10% da Jerónimo, essa "holding" não pagava cá imposto sobre os dividendos e continuará a não pagar lá. Já quando essa "holding" paga aos membros da família, cada um pagaria 25% de IRS cá - e pagará 25% lá. Com uma diferença: 10% são para a Holanda, 15% para Portugal.

Porque tomou a família uma decisão que, sendo neutra para si, prejudica o Estado português? Pela estabilidade e eficácia fiscal de lá, que bate a portuguesa. Pelo acesso a financiamento, impossível cá. E porque a família tem planos de crescimento que não incluem Portugal. 

Aqueles que se escandalizaram ontem deviam ter-se comovido também quando, há um par de meses (como aqui foi escrito), a Jerónimo anunciou como iria investir 800 milhões de euros em 2012: 400 milhões da Colômbia, 300 na Polónia... e 100 milhões em Portugal. Isto sim, é sair de Portugal. E quando a Jerónimo investir na Colômbia, provavelmente vai fazê-lo também através da Holanda, onde se paga menos. Estes são problemas diferentes dos que ontem foram enunciados: a falta de atracção de investimento de Portugal; e a instabilidade fiscal, que muda leis como quem muda de camisa, afastando o capital.

A família Espírito Santo tem sede no Luxemburgo. Belmiro lançou a OPA à PT a partir do Holanda. O investimento estrangeiro é feito de fora. Isabel dos Santos investe na Zon a partir de Malta. Queiroz Pereira tem os activos estrangeiros separados de Portugal. António Mota desabafa há dias que pode ter de criar uma sede fora de Portugal só para que a banca lhe empreste dinheiro. E a família Soares dos Santos tem um plano que não nos contou mas que ainda nos vai surpreender - feito com bancos estrangeiros e a partir da Holanda, que é uma plataforma fiscal mais favorável à internacionalização para fora do espaço europeu, uma vez que não há dupla tributação da Holanda para e do resto do mundo.

O que custa a engolir não é que Soares dos Santos tenha cortado o passado com Portugal, esse mantém-no e continua a pagar impostos. É que tenha cortado o futuro. É que tenha decidido investir fora daqui porque aqui não tem por onde crescer, para procurar lucros fora de Portugal, criar postos de trabalho fora de Portugal e, então sim, pagar impostos desse futuro fora de Portugal. Pensando bem, esse é um grande problema e é um problema nosso. Mas investir fora do País não é traição. É apenas desistir dele. E a Jerónimo já partiu para a Polónia há muitos, muitos anos - ou ninguém reparou?


Pedro Santos Guerreiro, in Jornal de Negócios

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Deus e a Crise



Vivemos na primeira civilização ateia, que perdeu a conexão com o infinito e a eternidade”. São palavras de Vaclav Havel, recordadas por Jorge Almeida Fernandes no “Público”. Para Havel, isso implica preferir o ganho a curto prazo e ter a ideia arrogante de que tudo sabemos ou viremos a saber.

Para este “meio crente”, que não aderia a uma religião revelada, era essencial o sentido de transcendência. E Havel considerava “incrivelmente míope” o homem poder esquecer que não é Deus.

Entretanto, nas palavras que dirigiu aos cardeais da Cúria, antes do Natal, Bento XVI uma vez mais apontou a crise ética como raiz da actual crise económica e fi nanceira da Europa. É verdade que há muitos valores compartilhados. “Todavia, falta muitas vezes a força capaz de motivar o indivíduo e os grandes grupos sociais a abraçarem renúncias e sacrifícios”.

Acrescentou o Papa: “onde se torna predominante a dúvida sobre Deus acaba inevitavelmente por seguir-se a dúvida sobre o meu ser homem”. Porque “só a fé me dá esta certeza: é bom existir como pessoa humana, mesmo em tempos difíceis”.


Francisco Sarsfield Cabral
Jornalista

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Coisas?



Ao longo da nossa vida, surgem-nos surpresas, que nos apontam para o essencial. 
Basta olhar para o testemunho do pescador ucraniano, que perdeu tudo - bens materiais -, o que tinha.


Será que nesta época de Natal saibamos ler os acontecimentos?
Prendas... Prendas... Consumo... Consumo... E o essencial?


Deixo-vos pensar com a afirmação do pescador:


      Ao fim de três dias, contra todas as expectativas, foram encontrados e recebidos em festa no país e na sua terra. Apenas um, ucraniano, não regressou a casa, porque vivia no barco afundado, nem voltou para a família, que continua na Ucrânia. Aos olhos do jornalista que o entrevistou, perdeu tudo, mas a sua resposta é elucidativa sobre o que é tudo: 
      "Coisas? Essas compram-se com dinheiro. O trabalho e o dinheiro resolvem, isso não é nada comparado com o que ganhei, a vida".

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

T.S. Eliot, ou o cristão no circo pagão

Em Ensaios Escolhidos, podemos encontrar um texto muito atual de T.S. Eliot: "A ideia de uma sociedade cristã". Este ensaio de 1939 é um ótimo buraco da fechadura para observarmos os dilemas do cristão na sociedade de 2011.

Eliot dizia que o cristão tem de tentar influenciar a sociedade do seu país a um nível pré-político. Ou seja, não estamos perante a defesa de um Estado cristão, mas ante a defesa de uma sociedade cristã, uma sociedade com o seu centro vital amarrado a valores cristãos. Eliot, aliás, afirmava que é mais importante a existência de uma sociedade cristã do que a existência de governantes cristãos. Porquê? Numa sociedade cristã, um político pagão não consegue impor leis anti-cristãs, porque o tecido social não o permite. Ao invés, numa sociedade pós-cristã e pagã, um governo de políticos cristãos já não tem hipótese, pois está rodeado por uma sociedade que despreza o moral cristã.

Portanto, Eliot afirmava que um cristão deve actuar na sua sociedade, porque o cristianismo é a última linha de resistência contra o mau governo, contra o "governo totalitário pagão". Tudo bem? Tudo mal. Eliot já tinha o problema que aflige os cristãos europeus de hoje: a sua sociedade já era pagã. Eliot queixava-se da ausência de fé nas massas, e, como se sabe, esta queixa é recorrente na atualidade. Em 2011, tal como em 1939, a sociedade já não é cristã, logo, o Estado projecta-se através de leis que ferem a ética cristã. Sim, tal como no tempo de Eliot, ainda existe uma "Comunidade de Cristãos", mas já não existe uma "Comunidade Cristã". O processo de descristianização das sociedade europeias, que estava a atingir a maturidade no tempo de Eliot, é hoje uma realidade mais do que madura. Maduríssima. Há muito que não existe um ethos cristão a limitar a ação do Estado e dos governantes.

Ora, quer em 1939, quer neste século XXI, o afastamento das sociedades em relação ao ethos cristão não se deveu apenas às investidas das hordas pagãs. A preguiça, digamos assim, dos cristãos também deve ser considerada enquanto causa da decadência da fé. Em Portugal, por exemplo, há muito católico de sofá e de teclado. Julgo mesmo que os católicos portugueses esqueceram o conselho de Eliot, isto é, pensaram que as leis do Estado protegeriam para sempre o ethos católico. Como todos os portugueses, os católicos portugueses encostaram-se ao Estado, e negligenciaram um ponto fundamental: é preciso fazer catolicismo todos os dias, na rua, nas paróquias, nos bairros, nas associações, no voluntariado, junto das pessoas. A lei não chega.

PS: uma nova geração de católicos portugueses (ainda mais nova do que a minha) está a desbravar caminho neste sentido. Ainda bem.

Henrique Raposo (www.expresso.pt) - 8:00 Quarta feira, 30 de novembro de 2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

"Mão invisível"

Nunca como hoje, na Europa e no chamado Ocidente capitalista, se teve melhor percepção do conceito de “mão invisível”.

Algo está realmente mal e não funciona.
Será na economia?
São os mercados?
Não são.
São as pessoas.
Tudo se passa e se decide nesse “território” básico e natural da moral e da ética que é a pessoa humana.
O mais, são meros desenvolvimentos dessa realidade ontológica preliminar constitutiva.
Como pretender e reclamar uma economia saudável, se as pessoas que precisamente actuam no mercado e nos mercados não são sérias?

Como assegurar a vitalidade da família e o bom funcionamento dos sistemas públicos, da saúde à justiça, da regulação e da supervisão bancária à educação, se as pessoas subvertem, enganam e mentem, desviam e roubam, não zelam, não cumprem, não pagam, não se comprometem, não se esforçam, não amam, não cuidam do outro e abortam?
Os exemplos são múltiplos, mas relevam todos do mesmo sintoma de falha espiritual: do carácter (ou da falta dele), da alma, do bom propósito.

A lei positiva, por si só, não tem qualquer validade para além da meramente formal que resulta de um dado compromisso social no tempo e no espaço, se não for, rigorosamente, o reflexo de um conjunto de princípios e valores humanos imutáveis.
O verdadeiro sentido da “mão invisível” não está tanto no jogo no mercado da oferta e da procura.
São essas operações instrumentais, materiais.
A verdadeira, a única “mão invisível” está no ser e na pessoa boa, recta e responsável.
Mais de 30 anos de socialismo ateu e relativista em Portugal e na Europa deram nisto.
Não se queixem.

Mudem.

E já agora, quando se fala tanto de recursos e riquezas naturais que, supostamente, a Europa não tem: as pessoas bem formadas são os nossos diamantes.
E a nossa melhor energia, eternamente renovável, chama-se Jesus Cristo.

Miguel Alvim
Infovitae, 1550, 24.Nov.2011

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Incompreensível

Há muçulmanos que vieram viver para a Europa com os mesmos direitos dos europeus.
Aura Miguel
RR on-line 04-11-2011 6:20

No Iraque, é o contrário. Os cristãos não têm direitos, mesmo os que lá nasceram. Não gozam de liberdade religiosa, vivem sob ameaça e são constantemente alvo de violência. A pressão sobre eles é tão grande que, ao recusarem converter-se ao islão, arriscam a própria vida. Ou seja: estão na sua própria terra, são cristãos e morrem por causa disso.

Por cá, ao abrigo da chamada tolerância, os muçulmanos constroem mesquitas e manifestam-se como querem. E é assim que está certo: a defesa dos direitos humanos, nomeadamente, da liberdade religiosa deveria ser o melhor cartão de visita do Ocidente cristão. Então, porque não nos batemos pela reciprocidade? Se respeitamos em nossa casa os direitos dos muçulmanos, bem podiam os muçulmanos fazer o mesmo com os direitos dos cristãos.

Nestes dias, o grito dos nossos irmãos iraquianos brada aos nossos ouvidos, pela voz do Arcebispo de Kirkuk. Monsenhor Louis Sako está em Portugal para dar testemunho. Desde 2003 até agora, 54 igrejas foram atacadas e 905 cristãos perderam a vida. Os dados são alarmantes e revelam como está em risco o futuro dos cristãos no Iraque.

Mas igualmente grave é o desabafo com que Monsenhor Sako terminou a sua intervenção em Lisboa: “Francamente, não percebo como é que os cristãos na Europa são tão indiferentes e têm vergonha da nossa fé”.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Vira-casacas

Os últimos tempos têm sido ilustrativos da irresponsabilidade com que muitos opinadores, comentadores e mesmo responsáveis políticos se comportam diante das dificuldades.
Raquel AbecasisRR on-line 31-10-2011 7:34

O caminho que temos que trilhar não é fácil, todos o sabíamos há muito tempo. Foi, aliás, por isso que o anterior ciclo político chegou ao fim depois de declarar Portugal incompetente para resolver sozinho os seus problemas. Nessa altura. o consenso era generalizado sobre a necessidade de mudar de vida, de fazer sacrifícios e de diminuir o célebre “monstro”.

Eis que, agora, alguns dos que mais calorosamente defenderam estas teses, diante da dura realidade, clamam “aqui d’el rei” - os sacrifícios são demais e o Governo é incompetente. Chegamos à conclusão de que os que emitem opinião se preocupam, sobretudo, em agradar e ser consensuais junto da população, com a irresponsabilidade inerente a quem não tem que tomar decisões, apenas temdo que as comentar.

Acresce que em, Portugal, começa a fazer caminho a ideia de que é comentador independente aquele que está disponível para criticar os que lhe são mais próximos política e ideologicamente.

Em bom português, é bom que se perceba que estes senhores não são mais do que “vira-casacas”, dispostos a mudar de opinião como quem muda de casaco, com um único objectivo: não de ajudar quem os ouve, mas de manter o seu posto nos diversos órgãos de comunicação social .