domingo, 5 de agosto de 2012

Caminhar para a interioridade

Depois da leitura Deus Ri, mergulhei agora no Deus de surpresas, de Gerard Hughes.

Todo o livro ajuda a descobrir, a partir do interior, o nosso interior.
Deixo algumas passagens, que me marcaram, neste aventura em que que estou metido.

"A razão por que somos tentados a ignorar a nossa vida interior é a de não gostarmos do que vamos encontrar lá dentro"

"Só podemos descobrir a divindade de Cristo na e através da sua humanidade."

"Não é possível vivermos como seres humanos se não formos capazes de descobrir  alguma forma de unidade e de sentido na nossa vida."

"Para encontrarmos sentido na nossa vida precisamos de questionar, criticar, sistematizar e teorizar a nossa experiência"

"O Cristianismo autêntico será sempre crítico."

"A igreja tem de fomentar o elemento crítico [...] Se não o fizer [...] Deus ficará excluído da vida da maioria dos fiéis enquanto a religião for considerada uma excentricidade privada de uma minoria"

"Se negligenciarmos esse mundo interior, ou se algum modo nos anestesiarmos contra ele, ficar-nos-á vedado o acesso a Deus, à fonte da nossa liberdade..."

Eis alguns passos, pensamentos retirados. Pode vos ajudar, como a mim.

Boas leituras!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

a ler "Deus Ri"

É o meu livro de verão, "Deus Ri", de James Martin.
Existe um outro, mas ainda lá não cheguei...
Para quem ainda não o leu, deixo um pequeno trecho:

Um padre meu amigo - escreve o autor -, contou-me a história do primeiro casamento que celebrou pouco tempo após a sua ordenação. O meu amigo tinha pedido emprestado o livro de liturgia do matrimónio. O velho jesuíta tinha-o anotado em diversos locais, a lápis, aquilo a que poderíamos chamar «indicações de palco»: «voltar-me para o noivo», «regressar à cadeira do sacerdote», «tomar os anéis do padrinho». Escrevera também outras indicações, como «levantem-se, por favor», «por favor, ajoelhem-se».
Tudo corria bem até ao momento em que o meu amigo recém ordenado chegou ao final dos votos. Havia uma pequena anotação que acrescentava algo que a maioria dos padres diz, mas que não está incluída nos ritos católicos canónicos.
Na nota a lápis lia-se: «E agora, pode beijar a noiva.»
O meu amigo achou aquilo desconcertante, mas quem era ele para discutir com um velho padre, que celebrara mais casamentos do que ele? Por isso, deteve-se, fechou o livro, inclinou a cabeça para a frente e beijou a noiva.
Ela ficou ali paralisada, sem saber o que fazer, e toda a gente desatou a rir. Finalmente, disse ao noivo: «Hum, parece-me que era você que devia fazer isto!»

Simples passagem para abrir o apetite para que leu estas linhas.
É uma boa leitura de verão, agora que também as férias proporcionam mais tempo para estar com os outros, connosco próprios e com Deus.
Boa leitura.


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Em Roma...

Em 13 de Junho, segundo me dizem, 42 000 pessoas (imagino que pouco mais de metade dos que se esperavam) foram ao Estádio Olímpico de Roma, pagando entre 50 e 70 Euros, ou mais) para ver uma pseudo-madonna, a mesma que, certamente na tentativa de conquistar pontos, há dias em Istambul foi capaz (!) de mostrar um seio, e ontem no palco que teve em Roma fez em parte cair as suas calças. 


Mas isso, francamente, para mim, até não é o pior, muito embora, se tivesse o infortúnio de pagar, ao ver o que ser visto não merece (!) ser, não deixaria de protestar: uma cantora "pop" vale pelo que canta, não pelas partes que mostra, tanto mais que as suas não têm interesse que se veja.


Mas o que me revolta, realmente, é apenas isto: 
Até aqui em Roma, esta mulher feita milhões, mas sem alma que se veja, ou mereça ser apreciada, não prescinde dos seus abusos sobre o Crucifixo nem dos abusos verbais que, ao que me dizem, terá proferido contra o Papa Bento XVI e a sua Imagem. 


Obviamente, os produtores de detritos culturais, os poluidores do espírito, quando chegam ao ponto de fazer tournées mundiais, sabem muito bem calcular os riscos, sobretudo no que à frente legal diz respeito.Mas tenho pena que não haja modo, por abuso de imagem e insulto à Religião, de processar de modo exemplar estas bonequinhas do mal, ainda que nada meigas na hora de calcular o "encaixe" final. 


O mais lamentável, claro, é que numa cidade como Roma e arredores, haja mais de 40 000 cabeças de alfinete, ainda que sendo apenas metade das que se esperava, dispostos a pagar, certamente em muitos casos, o que talvez nem sequer são ainda capazes de verdadeiramente ganhar, para ver um espectáculo feito de frivolidades, de assanhada manha e des-gostosa incivilidade. 


Por alguma razão, na passada segunda feira, o Papa Bento XVI falou, tão simples como eloquentemente e a propósito do Sacramento do Baptismo, da absoluta necessidade que o cristão tem de renunciar à "Pompa do Diabo". 


Ninguém pense, portanto, que o tema diz respeito apenas ao que em Roma se passava nos primeiros séculos da Cristandade; não, a "pompa do diabo" é hoje, talvez, mais perigosa, e insidiosa, do que nunca. E não é só porque uma mulher de mais de 50 anos (!) faz com que em público lhe caiam as calças que aparentemente a revestem! 


De facto, antes fosse!
(João J. Vila-Chã, in facebook)

Polémico «Just Love...»


Esclarecimentos.


Antes que chegue às livrarias portuguesas, surgiu uma publicação da irmã Margaret A. Farley – “Jast love: a Framework for Christian Sexual Ethics” -,  em que a irmã Margaret toma posição controversa em assuntos éticos.

De facto a Congregação para a Doutrina da Fé emitiu uma notificação, datada de 30 de Março de 2012, a propósito do referido livro.

Num introdução faz o historial das comunicações efectuadas, com a superiora da congregação, Sisters of Mercy of the Americas.

Depois rebate os vários assuntos do livro, masturbação, uniões homossexuais, actos sexuais,  indissolubilidade do matrimónio, divórcio e segundas núpcias.

Na conclusão a Congregação para a Doutrina da fé expressa profundo pesar pelo fato de que um membro de um Instituto de Virgem Consagrada, afirme posições em contraste direto com a doutrina católica no âmbito da moral sexual.

Para mais desenvolvimento e esclarecimento, podem consultar o site do Vaticano, no seguinte endereço: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20120330_nota-farley_po.html

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Porquê tanta estupidez e crueldade?


Os animais selvagens nunca matam para se divertir. O homem é a única criatura para quem a tortura e a morte dos seus semelhantes podem ser divertidas em si mesmo. Li estas linhas numa revista alemã e instintivamente o meu pensamento levou-me para os horrores do nazismo, quando a tortura mais horrível se transformou em passatempo sádico.

A consideração é atribuída a um historiador britânico do século XIX, James A. Froude, e recolhe um aspeto trágico da humanidade. O animal ataca outro se é atacado ou se quer assegurar a sua sobrevivência. O homem, dotado de criatividade, fantasia e liberdade, rebaixa estes talentos e mergulha na crueldade mais atroz, elaborada por vezes com refinamento intelectual.

Quando eu era criança impressionava-me um quadro do Novíssimo Dicionário Melzi, que era um pouco o livro da minha primeira curiosidade no saber: o quadro representava todas as torturas e podia realmente sentir-se o quanto a inteligência humana pode degenerar em perversão.

É talvez por essa razão que a antiga fábula (a partir do burro bíblico de Balaão) transformou os animais em mestres dos humanos. Ironicamente o poeta Ezra Pound (1885-1972), na poesia “Meditatio”, escrevia: «Quando observo atentamente os curiosos hábitos dos cães, / tenho de concluir / que o homem é o animal superior. // Quando observo os estranhos hábitos do homem / confesso-te, meu amigo, que duvido».

Somos certamente mais evoluídos do que os animais; mas também sabemos precipitar-nos no abismo do absurdo, da crueldade e da brutalidade. Atribuímo-nos o título de reis da criação mas muitas vezes não somos mais do que tiranos implacáveis. E os cães, levantando para nós o seu nariz húmido, parecem perguntar-nos porquê tanta estupidez e crueldade.

D. Gianfranco Ravasi
Presidente do Conselho Pontifício da Cultura 
In Avvenire
Trad. / adapt.: rjm

terça-feira, 15 de maio de 2012

Obama e Matrimonio Gay... raizes...


Li um artigo “o declive do apreço pela vida humana: chaves culturais”, que analisa a nossa sociedade, na sua evolução ideológica, nos últimos tempos, reflectida no modo de viver hoje.

Li uma notícia, onde refere que Obama expressa o seu apoio ao “casamento gay”. Desta posição, houve reacções positivas ao apoio do presidente, mas também os bispos, através do presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, Cardeal Timothy Dolan, critica, em comunicado, a posição assumida pelo presidente do país, Barack Obama. “As declarações de hoje do Presidente Obama, em favor da redefinição do casamento, são profundamente tristes”.

No tal artigo, refere as chaves culturais que levaram a humanidade a ter tão pouco apreço da vida humana: o nominalismo, em que Deus é visto afastado, uma simples potencia, no fundo desconhecida, que criou o mundo; mas ao qual não se lhe conhece em sua intimidade. Estende-se o individualismo, como primeiro efeito, em todos os aspectos da vida social.
A negação da providência, o domínio do homem sobre si mesmo, onde não há lugar de encontro com Deus, constata-se hoje na sociedade, visível nas expressões como “eu cá tenho a minha fé” ou “confesso a Deus directamente” ou “…
A teoria de pactos da sociedade, onde a própria vida social se quer reger por acordos de interesses desde uma perspectiva utilitarista, perdendo valor para a sociedade.
Outra chave é o evolucionismo, com Darwin, onde se aponta a uma lei puramente físico-biológica.
Temos de considerar uma última chave, para entender a actual falta de apreço até da vida humana: uma série de revoluções sexuais que se estenderam ao longo do século XX: A prática abortiva que nasce na Rússia bolchevique; a caída do puritanismo como sistema moral; nos anos 20, o feminismo radical e a reivindicação de um reconhecimento público da homossexualidade que tem em comum a radical separação da sexualidade, entendida genitalmente, de qualquer significado de procriação.

Assim se contextualiza a sociedade actual, a posição de Obama, com os seus problemas e dificuldades.
Perante esta realidade, apresenta-nos diante dos cristãos uma tarefa imensa: reconstruir uma sociedade na que se descubra de novo a vida humana como o bem fundamental que partilhamos todos e cujo reconhecimento como sagrado, como não disponível para os interesses de outros ou da própria sociedade. Há que experimentar  profundamente a fecundidade do amor, algo muito maior que uma simples continuidade biológica já que nos introduz numa lógica de sobreabundancia.

É bom reflectir o que nos rodeia, parar e olhar para o que é essencial. Somos criados para louvar, amar e servir a Deus, nosso Senhor…

terça-feira, 17 de abril de 2012

Frei Carlos e seu tempo da verdade


     Hoje, 17 de Abril, faz um mês que me desloquei a Alvaiázere, ao funeral do Carlos Furtado, amigo dominicano, “mestre do sorriso”.
     Com ele, mais ou menos tempo, caminhámos com ele na vida. Eu caminhei desde 1984, quando o conheci.
     De forma, mais próxima, foram vários anos, desde 2002, na dinamização do Movimento, no seu Sector Juvenil.
     Mais do que palavras minhas, num contexto de “emergência social” e em que os bispos portugueses reunidos em Fátima, apelam à “verdade política”, eis algumas palavras do Carlos, actualizadíssimas, orientadas para a juventude.


  Escreve..:


«Estamos a viver num mundo em processo de mudança acelerada. Há realmente, muitas razões acerca das mudanças, que os jovens têm que enfrentar no seu dia a dia. Enfrentar e analisar a realidade significa abandonar o território seguro e ir para um lugar desconhecido. Assim, à que criar novas relações com os outros e com o mundo.
O mundo está transformado num espaço aberto e é neste espaço, que a juventude deve fazer uma reflexão profunda sobre o tempo real e questionar-se: será que o mundo se está a transformar na global cidadania da mentira, do medo e do terror?
Parece que temos muitas razões para dizer que estamos a viver um período histórico de transição muito importante. […] Uma nova cultura… vive-se uma concentração exclusiva ao presente e ao instante.
É neste tempo que temos que nos interrogar: quem somos? Onde estamos?
Teremos coragem de enfrentar a realidade ou queremos permanecer na ilusão das distracções constantes? Lançamo-nos ao mar, ou afundamo-nos irremediavelmente ao som da orquestra, como os passageiros do Titanic?
Chegou a hora de nos vestirmos de esperança, para ir ao encontro da verdade e redimirmos o mundo – irmos à verdade de nós próprios.
É a Verdade/Jesus Cristo, que nos revela a beleza e a bondade do mundo de Deus. Esta Verdade empurra-nos para os outros e coloca-nos em acção.
Maria ensina-nos a conversar sobre o que nos toca mais profundamente. Só assim tomamos decisões de mudança e nos tornamos apóstolos da Verdade.

É preciso querer crer!

Não é possível querer sem crer!

“- Quereis oferecer-vos a Deus…?
- Sim, queremos”.»

Obrigado, Frei Carlos, pelos teus ensinamentos, que agora vamos relendo…

domingo, 1 de abril de 2012

Fernando Pessoa

Hoje fui revisitar Fernando Pessoa...
Digo revisitar, pois "tive com ele" no secundário e na universidade.
Agora, foi na Fundação Calouste Gulbenkian.

Estive não só com Fernando Pessoa, mas também com Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Bernardo Soares...

Deixo algumas pinceladas d'o poeta que é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente.
Entre muitos traços que podia referir, fixei-me em alguns.
Numa sociedade onde deparamos cada vez mais com a ausência de Deus, de Jesus Cristo, no concreto de cada dia, eis o que pode acontecer para o pagão cada coisa tem o seu génio ou ninfa, cada coisas é uma ninfa cativa ou uma dríade apanhada pelo olhar; por isso cada objeto tem para ele uma espantosa realidade imediata, e com cada coisa ele está em convívio quando a vê, e em amizade, quando lhe toca.
O homem que vê em cada objeto uma outra coisa qualquer, que não seja isto, não pode ver, amar ou sentir esse objeto...
Pertenço a uma geração - suponho que essa geração seja mais pessoas que eu - que perdeu por igual a fé nos deuses das religiões antigas e a fé nos deuses das irreligiões modernas. 
Uma religião individual impera com esta frase típica: "eu cá tenho a minha fé"... Será!?
A fé nunca se vive individualmente, mas sempre em relação.


Foi uma final de manhã bem passado, e que vos convido a visitarem... Vale a pena!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Saudades...

Estamos já em início de fim de semana.
Mais uma semana da nossa vida passou, sem darmos por ela.

É bom recomeçar cada manhã que nasce.
Olhar cada manhã com olhos novos, vendo novidade nas mesmas coisas diárias.
É um desafio.

Não podemos tirar as lembranças de alguém muito querido, que fazia / faz parte na nossa vida.
Frei Carlos esteve/está presente. Ele está presente mais do que nunca.

Na Terça feira, ele esteve presente na oração mensal, que decorreu em Vale Travesso (Ourém).
Lá rezamos um salmo que transcrevo um pedaço:

          "Leva-me, Senhor, mais dentro
          mais dentro de ti, do teu coração...
          Mais dentro do que está oculto e não se vê,
          mais dentro dos gestos simples e generosos, 
          mais dentro da vida vivida por amor,
          mais dentro do que sou,
          mais dentro do abraço que acolhe.
          Leva-me Senhor, contigo...
          Leva-me Senhor mais longe..."

Saudades...


quarta-feira, 7 de março de 2012

Um Deus frágil

Olhar para um Deus frágil, por humano ser.

 Escreveu um dia Juan Arias: “É difícil de entender para muitos o meu Deus frágil, o meu Deus que chora, o meu Deus que não se defende. É difícil o meu Deus frágil, amigo da vida, o meu Deus que sofreu as mordeduras de todas as tentações, o meu Deus que suou sangue antes de aceitar a vontade do seu Pai. É difícil este Deus, este meu Deus frágil, para os que acreditam que só se triunfa vencendo, para os que acreditam que só se defende matando, para os que a salvação é sinónimo de esforço e não dom... É difícil o meu Deus frágil para os que ainda sonham com um Deus que não se pareça com os homens”.

Ouvi que também a nossa fé é um dom frágil, porque condicionada pelo humano que somos, com todas as condicionantes daí provenientes.

Este Deus, na sua condição humana, é frágil. 

Nós somos frágeis, mas podemos ser felizes em Deus de Jesus Cristo.