domingo, 2 de setembro de 2012

Uma princesa ruiva...

A mãe bem lhe diz que «uma senhora deve ser elegante», mas Mérida não a ouve.

Merida vive na Escócia na Alta Idade Média. O pai, o rei, é um grande caçador de ursos. A mãe, o máximo da elegância, beleza e boas maneiras, tenta educar a filha para a vida de uma verdadeira princesa. Mérida prefere antes cavalgar, de cabelo ao vento, e gosta de praticar o arco e flecha. 
É uma maria-rapaz.


O confronto com a mãe é o que permite a verdadeira libertação: torna-nos autónomos, diferentes e permite que cheguemos à idade adulta. Se o bom senso popular reteve da psicanálise que é preciso "matar" o pai - complexo de Édipo -, é necessário recordar-lhe que o perdão à mãe está na origem de todos os perdões. Merida, ao querer desembaraçar-se não da sua mãe mas da sua educação, vai fazer essa dolorosa mas salutar experiência.

Ao se deixarem levar por Merida e pelos seus magníficos cabelos ruivos, as crianças viverão aventuras palpitantes num cenário selvagem, respirando a plenos pulmões um ar de liberdade e emancipação que acompanha a chegada da idade adulta. Os adultos, por seu lado, reencontrarão a complexidade das relações entre mãe e filha e os desafios de toda a educação.

Neste nova ano lectivo que se inicia, nada melhor que ver este filme.
A educação, partindo da sua etimologia, indica um ser que conduz para fora, para a sociedade outro ser, com os desafios daí provenientes.

Link's: http://www.disney.pt/bravehttp://splitscreen-blog.blogspot.pt/2012/08/brave-indomavel-por-carlos-antunes.html;

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Trabalhar para descansar


Agência Ecclesia, 2012-07-31
Tempo livre, tempo de descanso, no comum, férias. O tempo dilatado onde os ponteiros do relógio devem parar para que o equilíbrio seja restabelecido. Um novo fôlego que pode levar à contemplação, criatividade, procura de Deus ou simplesmente ao encontro com o outro. Vasco Pinto Magalhães, sacerdote jesuíta, aborda estes e outros temas, antecipando ainda o seu novo livro, ‘Só avança quem descansa’.
Agência Ecclesia (AE) – Falar em férias implica falar em descanso. Descanso em Deus ou descanso para Deus?
Vasco Pinto Magalhães (VPM) – As duas coisas. Este é um tema de que gosto muito de falar, porque não é nada um tema lateral. Às vezes pensa-se que se descansa para trabalhar, mas eu penso que devíamos trabalhar para descansar. Aliás, acabo agora de escrever um livro, que ainda não está publicado, que tem o título ‘Só avança quem descansa’.
O tempo de férias pode ser muito ambíguo, porque é uma paragem no trabalho que às vezes visa mais o descanso físico e psicológico do que o descanso espiritual. O que nos descansa é o equilíbrio, a boa consciência e não se pode descansar uma parte sem a outra. Muitas vezes não se descansa nada nas férias porque se está cheio de pressa de fazer coisas e depois é um engano, porque a pressa e o medo ou ansiedade tiram-nos qualquer descanso!
AE – Por isso as férias têm de trazer a calma e a serenidade?
VPM  Sim, e portanto não implicam ter de passar por muitos locais extraordinários - que ajudam, porque somos corporais -, mas trata-se mais de uma atitude interior. Estar descansado é estar em paz, em paz consigo mesmo, em paz com os outros: às vezes pode estar-se descansado com muito trabalho.
AE – Nas férias há o convite a cada cristão de descansar em Deus. Há esta consciência da presença de Deus?
VPM – O cristão deveria estar sempre consciente da presença de Deus para viver descansado. Descansar é um treino para o descanso eterno, que é o céu, e esse é o nosso objetivo na vida. O nosso objetivo não é trabalhar, mas sim trabalhar para estar cada vez mais descansado, mais equilibrado, mais saudável, mais em Deus.
Acredito que aquilo que mais nos descansa é uma relação saudável com outra pessoa, o sentir-se amado, o poder ser eu perante uma pessoa sem ter de me estar a defender, a mascarar ou a arranjar conversa, e isso é o que acontece com Deus!
AE – Então o próprio “encontro com o outro” deve ser um momento de descanso?
VPM – Estou convencido que é isso o que mais descansa, assim como a boa consciência, o ter um sentido para a vida. São essas coisas que equilibram e integram, senão há uma grande agitação interior que se torna desgaste. O trabalho, por exemplo, desgasta porque trabalhamos mal, à pressa, em intensidade, horas em quantidade e não em qualidade, sob pressão! O trabalho de que eu gosto e pelo qual sou reconhecido, esse não me cansa!
AE – Deus também descansou ao 7.º dia. No evangelho de Marcos, Jesus convoca: “Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco”. Este é o verdadeiro convite para as férias?
VPM – Exatamente e é uma coisa tão bonita! Claro que arranjar um espaço bonito para as férias é equilibrante, mas agora imagine-se que estou cheio de problemas por dentro: por mais bonito que seja o lugar, um passeio à beira mar ou uma serra bonita, se eu estiver cheio de pressa não descanso!
Se eu não estiver inteiro, que é uma das boas maneiras de descansar, então é porque estou dividido. O evangelho também fala nisso: “Marta! Marta! Estás dividida!”. Há coisas que criam ambiente e, como somos corporais, temos de criar o ambiente certo, uma coisa bonita, um bom livro que me faz encontrar comigo próprio, com a minha história, que me liga a cabeça e o coração. Tudo aquilo que integra a pessoa e relaciona bem faz descansar.
AE – Qual a melhor atitude para partir para férias?
VPM – Primeiro que tudo, saber o que eu quero fazer, marcar prioridades e sobretudo não entrar em competição nem em consumismos, mas realmente aproveitar bem todos os bocadinhos para se encontrar consigo mesmo. E ao encontrar-me comigo mesmo encontro-me com Deus, no sentido de me encontrar com o amor, porque Deus é amor!
AE – Há vários sítios para onde podemos ir nas férias: na praia, no campo, nas peregrinações ou em viagem…
VPM – Sim, todos servem para encontrar Deus, basta estar inteiro, ter ultrapassado a mentalidade do negócio, da pressa. Porque se estou na ânsia das fotografias, de riscar este museu e o outro e correr para ver mais este ou aquele monumento, então não descanso. Tem de se acabar com esse sufoco, apreender aquilo a que os antigos chamavam ócio, que não é estar sem fazer nada, mas sim estar contemplativo.
Aqui chega-se à importância do tempo livre, se for tempo de liberdade. Nos anos 60 chegávamos ao lazer e tempo livre mas, depois, estes foram esgotados pelo consumismo e pela competição. Uma pessoa pensa que é mais feliz se tiver muito dinheiro, se fizer muitas viagens e muita coisa, o que a leva a desintegrar-se e espalhar-se por várias coisas.
AE – As férias são, por isso, uma quebra na rotina e nos tempos ritmados de pressa e horários.
VPM  Sim, põe-me equilibrado, num equilíbrio dinâmico. Para um cristão, que descansa em Deus, equilíbrio não é ataraxia dos gregos ou nirvana hindu, isso seria realmente parar tudo e nem pensar em nada – o que às vezes ajuda, até um bocadinho de yoga podia ajudar.
Há pessoas para quem o descanso é uma correria: andar quilómetros ou ver os filmes todos que perderam. Então, tudo é transformado em ansiedade.
Eu dizia que o equilíbrio é dinâmico, não é uma paragem no sentido de “não me vou mexer”, ou “vou dormir”. Pode ser um engano, por exemplo, um retiro espiritual que pode ser um grande descanso ou uma grande ansiedade, se houver grandes decisões a tomar, não me situei no amor ou no sentido da vida.
AE – É nas férias que encontramos momentos de fraternidade, a família, os amigos de sempre e os que estão mais longe. Esta é outra forma de descanso?
VPM – Sim, porque no tempo de trabalho, infelizmente, as pessoas não têm tempo para ser gente, não têm tempo para a relação, não há tempo para as coisas mais básicas, comem à pressa, dormem à pressa, falam à pressa, não ouvem…
Depois há desgaste, claro, mas também é verdade que cada um tem tempo para aquilo que quer, só que às vezes temos as prioridades mal arrumadas; se eu quero mesmo uma coisa então tenho tempo para ela!
AE – Que prioridades mal arrumadas são essas? O que é que não nos deixa partir para férias?
VPM  A ansiedade interior e a pressa, mas as principais causas são as atitudes interiores. Claro que um mal de saúde ou uma doença grave na família nos causa preocupação, mas não significa que nos tire a atitude de estar equilibrado, descansado. Santo Agostinho dizia que “a paz é a tranquilidade na ordem” e o descanso é a mesma coisa.
AE – O tempo de descanso é também uma paragem para ver e contemplar a beleza e a beleza na fé?
VPM – Sim, esse é um tema importante. A beleza descansa muito, desde a beleza natural, a beleza das ações à beleza do pensamento criativo…
A beleza também é ordem, é o esplendor do ser, o esplendor da conjugação de todos os aspetos que me fazem levar ao êxtase, à contemplação. Hoje somos pouco contemplativos, vemos muitas coisas mas não entramos nelas. Uma coisa é olhar para o mar ou olhar do alto de uma montanha, outra coisa é “entrar” na paisagem, para que possa fazer parte de mim. Senão somos todos um pouco “voyeurs”: cheguei, vi e parti mas nada fica, não há tempo para entrar na realidade.
AE – Faz falta termos tempo para contemplar, ver e sentir?
VPM  Exatamente. O livrinho de que falei, que estou a escrever, começou como um ensaio com o título “gestão do tempo”. Realmente não somos educados para gerir o tempo. O tempo livre é uma coisa que fica para as sobras ou para os intervalos; ora acho que tem de ser o contrário. O dia forte tem de ser o domingo, descansar para depois trabalhar.
AE – Essa falta de tempo leva à falta de fé?
VPM – Leva ou então leva a uma fé angustiada que cansa muito, também. Como é que se tem tempo para Deus? Uma vez ouvi dizer que “rezar é perder tempo com Deus” e é tão bonito isto, perder tempo, que não o é, é ganhar tempo. As pessoas não valorizam tudo aquilo que não está a ser economizado ou não tem sucesso económico. Não valorizam o gratuito, o tempo em si, o próprio viver.
AE – As férias podem ser a oportunidade para essa busca?
VPM – Eu penso que devia ser isso mesmo, encontrar esse espaço onde eu me torno mais eu e eu; onde sou eu nas relações, na comunhão, mas também com tempos para estar só. É também importante a conversa interior, tranquilamente comigo próprio, para me autoconhecer e me pacificar. Ao equilibrar a respiração, equilibro o pensamento e ele começa a lidar bem com o coração.
AE – Há vários tipos de férias, aqui falávamos de férias associadas ao verão, que trazem uma luz e um calor diferentes, que nos transformam.
VPM  Para nós latinos, sobretudo… Nos países nórdicos, por exemplo, fazem férias de inverno para poder ir para a neve, que é outro tipo de férias, de experiências, de passar o tempo, de descansar. Mas o segredo está na atitude.
Claro que a mim me ajuda imenso o calor, gosto muito de praia, de montanha, mas também de uma varanda, um prato de percebes e o mar à vista… (risos)
AE – São coisas como essas, simples, que temos de trazer para as férias?
VPM  Sim, a boa companhia de um livro ou de um pensamento que me envolve, de uma paisagem que me alarga o coração, que me faz não sentir sem sentido. Há pessoas que não conseguem descansar porque a sua própria vida não tem sentido, é uma correria. Criámos uma sociedade de stress, muito deprimida, e por isso vive em descansos, curas de sono, pastilhas e tudo mais… Tudo porque nos satisfazemos pela quantidade e não pela qualidade.
AE – O tempo livre podia ser a solução para deixar muitas caixas de comprimidos?
VPM – Exato, por isso é que eu acho que nós precisamos de feriados, de férias… Quanto mais feriados, melhor trabalhamos, ao contrário do que se pensa. Julgar que por estar mais horas no trabalho se trabalha melhor é um erro. Há muita coisa acumulada e por isso é que há pessoas que quando entram de férias, na primeira semana, têm de parar a “onda” que as persegue.
É bom trabalhar para ir de férias, sem ver o trabalho só como o que é produtivo ou negócio. Rezar também é uma forma de trabalho, relacionar-se com os outros é outra forma. O desgaste físico é muito relativo.
Por exemplo, uma coisa que me descansa muito é mexer no barro, mas gera-me também tensão. Estou sempre à espera de ter tempo para moldar, fazer alguma coisa de novo e sinto a tensão criativa do que vai sair ou da concretização de uma imagem. Mas depois dá-me a sensação de descanso, que me equilibra, por algo que criei.
 AE – Moldar o barro é um exemplo do que faz nas férias. Que outras coisas deixa para fazer em tempo de descanso?
VPM – Guardo livros que não tive tempo para ler, conversas e alguns tempos de comunicação com a natureza que, no dia a dia, se tornam impossíveis. Predisponho-me também a viajar, principalmente quando são destinos que me preenchem vazios, tempos de conhecimento e maior ligação ao mundo. Estes espaços e momentos que me humanizam são o mais necessário nas férias.
São férias com afetos, os afetos não fazem férias… E também é preciso equilibrá-los porque andam deprimidos ou exaltados e é preciso vê-los como um todo a caminho de uma plenitude. Esta plenitude vem com a comunhão, maior comunhão comigo próprio e melhor com os outros.

(in POVO)

domingo, 5 de agosto de 2012

Caminhar para a interioridade

Depois da leitura Deus Ri, mergulhei agora no Deus de surpresas, de Gerard Hughes.

Todo o livro ajuda a descobrir, a partir do interior, o nosso interior.
Deixo algumas passagens, que me marcaram, neste aventura em que que estou metido.

"A razão por que somos tentados a ignorar a nossa vida interior é a de não gostarmos do que vamos encontrar lá dentro"

"Só podemos descobrir a divindade de Cristo na e através da sua humanidade."

"Não é possível vivermos como seres humanos se não formos capazes de descobrir  alguma forma de unidade e de sentido na nossa vida."

"Para encontrarmos sentido na nossa vida precisamos de questionar, criticar, sistematizar e teorizar a nossa experiência"

"O Cristianismo autêntico será sempre crítico."

"A igreja tem de fomentar o elemento crítico [...] Se não o fizer [...] Deus ficará excluído da vida da maioria dos fiéis enquanto a religião for considerada uma excentricidade privada de uma minoria"

"Se negligenciarmos esse mundo interior, ou se algum modo nos anestesiarmos contra ele, ficar-nos-á vedado o acesso a Deus, à fonte da nossa liberdade..."

Eis alguns passos, pensamentos retirados. Pode vos ajudar, como a mim.

Boas leituras!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

a ler "Deus Ri"

É o meu livro de verão, "Deus Ri", de James Martin.
Existe um outro, mas ainda lá não cheguei...
Para quem ainda não o leu, deixo um pequeno trecho:

Um padre meu amigo - escreve o autor -, contou-me a história do primeiro casamento que celebrou pouco tempo após a sua ordenação. O meu amigo tinha pedido emprestado o livro de liturgia do matrimónio. O velho jesuíta tinha-o anotado em diversos locais, a lápis, aquilo a que poderíamos chamar «indicações de palco»: «voltar-me para o noivo», «regressar à cadeira do sacerdote», «tomar os anéis do padrinho». Escrevera também outras indicações, como «levantem-se, por favor», «por favor, ajoelhem-se».
Tudo corria bem até ao momento em que o meu amigo recém ordenado chegou ao final dos votos. Havia uma pequena anotação que acrescentava algo que a maioria dos padres diz, mas que não está incluída nos ritos católicos canónicos.
Na nota a lápis lia-se: «E agora, pode beijar a noiva.»
O meu amigo achou aquilo desconcertante, mas quem era ele para discutir com um velho padre, que celebrara mais casamentos do que ele? Por isso, deteve-se, fechou o livro, inclinou a cabeça para a frente e beijou a noiva.
Ela ficou ali paralisada, sem saber o que fazer, e toda a gente desatou a rir. Finalmente, disse ao noivo: «Hum, parece-me que era você que devia fazer isto!»

Simples passagem para abrir o apetite para que leu estas linhas.
É uma boa leitura de verão, agora que também as férias proporcionam mais tempo para estar com os outros, connosco próprios e com Deus.
Boa leitura.


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Em Roma...

Em 13 de Junho, segundo me dizem, 42 000 pessoas (imagino que pouco mais de metade dos que se esperavam) foram ao Estádio Olímpico de Roma, pagando entre 50 e 70 Euros, ou mais) para ver uma pseudo-madonna, a mesma que, certamente na tentativa de conquistar pontos, há dias em Istambul foi capaz (!) de mostrar um seio, e ontem no palco que teve em Roma fez em parte cair as suas calças. 


Mas isso, francamente, para mim, até não é o pior, muito embora, se tivesse o infortúnio de pagar, ao ver o que ser visto não merece (!) ser, não deixaria de protestar: uma cantora "pop" vale pelo que canta, não pelas partes que mostra, tanto mais que as suas não têm interesse que se veja.


Mas o que me revolta, realmente, é apenas isto: 
Até aqui em Roma, esta mulher feita milhões, mas sem alma que se veja, ou mereça ser apreciada, não prescinde dos seus abusos sobre o Crucifixo nem dos abusos verbais que, ao que me dizem, terá proferido contra o Papa Bento XVI e a sua Imagem. 


Obviamente, os produtores de detritos culturais, os poluidores do espírito, quando chegam ao ponto de fazer tournées mundiais, sabem muito bem calcular os riscos, sobretudo no que à frente legal diz respeito.Mas tenho pena que não haja modo, por abuso de imagem e insulto à Religião, de processar de modo exemplar estas bonequinhas do mal, ainda que nada meigas na hora de calcular o "encaixe" final. 


O mais lamentável, claro, é que numa cidade como Roma e arredores, haja mais de 40 000 cabeças de alfinete, ainda que sendo apenas metade das que se esperava, dispostos a pagar, certamente em muitos casos, o que talvez nem sequer são ainda capazes de verdadeiramente ganhar, para ver um espectáculo feito de frivolidades, de assanhada manha e des-gostosa incivilidade. 


Por alguma razão, na passada segunda feira, o Papa Bento XVI falou, tão simples como eloquentemente e a propósito do Sacramento do Baptismo, da absoluta necessidade que o cristão tem de renunciar à "Pompa do Diabo". 


Ninguém pense, portanto, que o tema diz respeito apenas ao que em Roma se passava nos primeiros séculos da Cristandade; não, a "pompa do diabo" é hoje, talvez, mais perigosa, e insidiosa, do que nunca. E não é só porque uma mulher de mais de 50 anos (!) faz com que em público lhe caiam as calças que aparentemente a revestem! 


De facto, antes fosse!
(João J. Vila-Chã, in facebook)

Polémico «Just Love...»


Esclarecimentos.


Antes que chegue às livrarias portuguesas, surgiu uma publicação da irmã Margaret A. Farley – “Jast love: a Framework for Christian Sexual Ethics” -,  em que a irmã Margaret toma posição controversa em assuntos éticos.

De facto a Congregação para a Doutrina da Fé emitiu uma notificação, datada de 30 de Março de 2012, a propósito do referido livro.

Num introdução faz o historial das comunicações efectuadas, com a superiora da congregação, Sisters of Mercy of the Americas.

Depois rebate os vários assuntos do livro, masturbação, uniões homossexuais, actos sexuais,  indissolubilidade do matrimónio, divórcio e segundas núpcias.

Na conclusão a Congregação para a Doutrina da fé expressa profundo pesar pelo fato de que um membro de um Instituto de Virgem Consagrada, afirme posições em contraste direto com a doutrina católica no âmbito da moral sexual.

Para mais desenvolvimento e esclarecimento, podem consultar o site do Vaticano, no seguinte endereço: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20120330_nota-farley_po.html

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Porquê tanta estupidez e crueldade?


Os animais selvagens nunca matam para se divertir. O homem é a única criatura para quem a tortura e a morte dos seus semelhantes podem ser divertidas em si mesmo. Li estas linhas numa revista alemã e instintivamente o meu pensamento levou-me para os horrores do nazismo, quando a tortura mais horrível se transformou em passatempo sádico.

A consideração é atribuída a um historiador britânico do século XIX, James A. Froude, e recolhe um aspeto trágico da humanidade. O animal ataca outro se é atacado ou se quer assegurar a sua sobrevivência. O homem, dotado de criatividade, fantasia e liberdade, rebaixa estes talentos e mergulha na crueldade mais atroz, elaborada por vezes com refinamento intelectual.

Quando eu era criança impressionava-me um quadro do Novíssimo Dicionário Melzi, que era um pouco o livro da minha primeira curiosidade no saber: o quadro representava todas as torturas e podia realmente sentir-se o quanto a inteligência humana pode degenerar em perversão.

É talvez por essa razão que a antiga fábula (a partir do burro bíblico de Balaão) transformou os animais em mestres dos humanos. Ironicamente o poeta Ezra Pound (1885-1972), na poesia “Meditatio”, escrevia: «Quando observo atentamente os curiosos hábitos dos cães, / tenho de concluir / que o homem é o animal superior. // Quando observo os estranhos hábitos do homem / confesso-te, meu amigo, que duvido».

Somos certamente mais evoluídos do que os animais; mas também sabemos precipitar-nos no abismo do absurdo, da crueldade e da brutalidade. Atribuímo-nos o título de reis da criação mas muitas vezes não somos mais do que tiranos implacáveis. E os cães, levantando para nós o seu nariz húmido, parecem perguntar-nos porquê tanta estupidez e crueldade.

D. Gianfranco Ravasi
Presidente do Conselho Pontifício da Cultura 
In Avvenire
Trad. / adapt.: rjm

terça-feira, 15 de maio de 2012

Obama e Matrimonio Gay... raizes...


Li um artigo “o declive do apreço pela vida humana: chaves culturais”, que analisa a nossa sociedade, na sua evolução ideológica, nos últimos tempos, reflectida no modo de viver hoje.

Li uma notícia, onde refere que Obama expressa o seu apoio ao “casamento gay”. Desta posição, houve reacções positivas ao apoio do presidente, mas também os bispos, através do presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, Cardeal Timothy Dolan, critica, em comunicado, a posição assumida pelo presidente do país, Barack Obama. “As declarações de hoje do Presidente Obama, em favor da redefinição do casamento, são profundamente tristes”.

No tal artigo, refere as chaves culturais que levaram a humanidade a ter tão pouco apreço da vida humana: o nominalismo, em que Deus é visto afastado, uma simples potencia, no fundo desconhecida, que criou o mundo; mas ao qual não se lhe conhece em sua intimidade. Estende-se o individualismo, como primeiro efeito, em todos os aspectos da vida social.
A negação da providência, o domínio do homem sobre si mesmo, onde não há lugar de encontro com Deus, constata-se hoje na sociedade, visível nas expressões como “eu cá tenho a minha fé” ou “confesso a Deus directamente” ou “…
A teoria de pactos da sociedade, onde a própria vida social se quer reger por acordos de interesses desde uma perspectiva utilitarista, perdendo valor para a sociedade.
Outra chave é o evolucionismo, com Darwin, onde se aponta a uma lei puramente físico-biológica.
Temos de considerar uma última chave, para entender a actual falta de apreço até da vida humana: uma série de revoluções sexuais que se estenderam ao longo do século XX: A prática abortiva que nasce na Rússia bolchevique; a caída do puritanismo como sistema moral; nos anos 20, o feminismo radical e a reivindicação de um reconhecimento público da homossexualidade que tem em comum a radical separação da sexualidade, entendida genitalmente, de qualquer significado de procriação.

Assim se contextualiza a sociedade actual, a posição de Obama, com os seus problemas e dificuldades.
Perante esta realidade, apresenta-nos diante dos cristãos uma tarefa imensa: reconstruir uma sociedade na que se descubra de novo a vida humana como o bem fundamental que partilhamos todos e cujo reconhecimento como sagrado, como não disponível para os interesses de outros ou da própria sociedade. Há que experimentar  profundamente a fecundidade do amor, algo muito maior que uma simples continuidade biológica já que nos introduz numa lógica de sobreabundancia.

É bom reflectir o que nos rodeia, parar e olhar para o que é essencial. Somos criados para louvar, amar e servir a Deus, nosso Senhor…

terça-feira, 17 de abril de 2012

Frei Carlos e seu tempo da verdade


     Hoje, 17 de Abril, faz um mês que me desloquei a Alvaiázere, ao funeral do Carlos Furtado, amigo dominicano, “mestre do sorriso”.
     Com ele, mais ou menos tempo, caminhámos com ele na vida. Eu caminhei desde 1984, quando o conheci.
     De forma, mais próxima, foram vários anos, desde 2002, na dinamização do Movimento, no seu Sector Juvenil.
     Mais do que palavras minhas, num contexto de “emergência social” e em que os bispos portugueses reunidos em Fátima, apelam à “verdade política”, eis algumas palavras do Carlos, actualizadíssimas, orientadas para a juventude.


  Escreve..:


«Estamos a viver num mundo em processo de mudança acelerada. Há realmente, muitas razões acerca das mudanças, que os jovens têm que enfrentar no seu dia a dia. Enfrentar e analisar a realidade significa abandonar o território seguro e ir para um lugar desconhecido. Assim, à que criar novas relações com os outros e com o mundo.
O mundo está transformado num espaço aberto e é neste espaço, que a juventude deve fazer uma reflexão profunda sobre o tempo real e questionar-se: será que o mundo se está a transformar na global cidadania da mentira, do medo e do terror?
Parece que temos muitas razões para dizer que estamos a viver um período histórico de transição muito importante. […] Uma nova cultura… vive-se uma concentração exclusiva ao presente e ao instante.
É neste tempo que temos que nos interrogar: quem somos? Onde estamos?
Teremos coragem de enfrentar a realidade ou queremos permanecer na ilusão das distracções constantes? Lançamo-nos ao mar, ou afundamo-nos irremediavelmente ao som da orquestra, como os passageiros do Titanic?
Chegou a hora de nos vestirmos de esperança, para ir ao encontro da verdade e redimirmos o mundo – irmos à verdade de nós próprios.
É a Verdade/Jesus Cristo, que nos revela a beleza e a bondade do mundo de Deus. Esta Verdade empurra-nos para os outros e coloca-nos em acção.
Maria ensina-nos a conversar sobre o que nos toca mais profundamente. Só assim tomamos decisões de mudança e nos tornamos apóstolos da Verdade.

É preciso querer crer!

Não é possível querer sem crer!

“- Quereis oferecer-vos a Deus…?
- Sim, queremos”.»

Obrigado, Frei Carlos, pelos teus ensinamentos, que agora vamos relendo…

domingo, 1 de abril de 2012

Fernando Pessoa

Hoje fui revisitar Fernando Pessoa...
Digo revisitar, pois "tive com ele" no secundário e na universidade.
Agora, foi na Fundação Calouste Gulbenkian.

Estive não só com Fernando Pessoa, mas também com Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Bernardo Soares...

Deixo algumas pinceladas d'o poeta que é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente.
Entre muitos traços que podia referir, fixei-me em alguns.
Numa sociedade onde deparamos cada vez mais com a ausência de Deus, de Jesus Cristo, no concreto de cada dia, eis o que pode acontecer para o pagão cada coisa tem o seu génio ou ninfa, cada coisas é uma ninfa cativa ou uma dríade apanhada pelo olhar; por isso cada objeto tem para ele uma espantosa realidade imediata, e com cada coisa ele está em convívio quando a vê, e em amizade, quando lhe toca.
O homem que vê em cada objeto uma outra coisa qualquer, que não seja isto, não pode ver, amar ou sentir esse objeto...
Pertenço a uma geração - suponho que essa geração seja mais pessoas que eu - que perdeu por igual a fé nos deuses das religiões antigas e a fé nos deuses das irreligiões modernas. 
Uma religião individual impera com esta frase típica: "eu cá tenho a minha fé"... Será!?
A fé nunca se vive individualmente, mas sempre em relação.


Foi uma final de manhã bem passado, e que vos convido a visitarem... Vale a pena!