Conta uma lenda árabe que um nômade do deserto resolveu, certo dia, mudar de oásis.
Reuniu todos os utensílios que possuía e de modo ordenado, foi colocando-os sobre o seu único camelo.
O animal era forte e paciente. Sem se perturbar, foi suportando o peso dos tapetes de predileção do seu dono.
Depois, foram colocados sobre ele os quadros de paisagens árabes, maravilhosamente pintados.
Na seqüência, foram acomodados os objetos de cozinha, de vários tamanhos.
Finalmente, vários baús cheios de quinquilharias. Nada podia ser dispensado. Tudo era importante.
Tudo fazia parte da vida daquele nômade, que desejava montar o novo lar, em outras paragens, de igual forma que ali o tinha.
O animal agüentou firme, sem mostrar revolta alguma com o peso excessivo que lhe impunha o dono.
Depois de algum tempo, o camelo estava abarrotado. Mas continuava de pé.
O beduíno se preparava para partir, quando se recordou de um detalhe importante: uma pena de pavão.
Ele a utilizava como caneta para escrever cartas aos amigos, preenchendo a sua solidão, no deserto.
Com cuidado, foi buscar a pena e encontrou um lugarzinho todo especial, para colocá-la em cima do camelo.
Logo que fez isso, o animal arriou com o peso e morreu. O homem ficou muito zangado e exclamou:
"Que animal mole! Não agüentou uma simples pena de pavão!"
Costuma-se dizer que é a gota d’água que faz transbordar a taça. Em verdade, todo ser humano tem seu limite.
Sejas tu, sempre, quem tolere, compreenda e tenha sempre à mão uma boa dose de bom senso...
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
O Poder e a autoridade
Acabei de ler o artigo de Anselmo Borges.
Ele anda à volta de dois conceitos, muito presentes na cultura clássica: Potestas e auctoritas.
Não é a primeira vez, que refiro da necessidade de ir “beber” à cultura clássica, muitos conceitos que caíram em desuso.
O vocábulo potestas vem de potis, com o significado de senhor de, que exerce o poder sobre. Potestas tem a ver com o poder no sentido institucional.
Neste sentido os magistrados, presidentes da câmara e justa de freguesia, deputados, bispos, ministros, polícias, pais, padres, generais, professores… O autor escreve que “as sociedades humanas não podem subsistir sem o exercício do poder.
O vocábulo auctoritas vem do verbo augere, que significa “fazer crescer”, aumentar, donde vem também auctor, com o sentido de aquele que faz crescer, aquele que produz, o autor.
Neste sentido, significa aquilo que possui autoridade e que tem a ver com a excelência pessoal e força intelectual e moral de atracção, de congregação e orientação.
“Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande seja o vosso servo; e quem no meio de vós quiser ser o primeiro seja vosso servo.” (cf. Evang. de S. Mateus)
Jesus não põe em causa o poder político, mas sim o seu modelo de exercício.
Note-se, que no contexto político, os governantes são designados pelo termo “ministro”, sendo o seu chefe o “primeiro-ministro”. O termo vem do latim minister, que significa servo, aquele que serve
Neste contexto, escreve o autor, percebe-se que potestas e auctoritas deveriam caminhar juntas e entrecruzadas.
Surge a questão, quanto aos pais, políticos em geral, falta-lhes competência intelectual, técnica, moral? Quanto à função de deputados ou "ministros" só resta o nome?..
Diziam sobre Jesus (sem qualquer poder institucional; não era sacerdote, nem pertencia a nenhuuma estrutura de poder oficial, civil, político ou mlitar), “Ensinava com autoridade”.
É bom pensar, nesta sociedade onde nos inserimos, Qual o nosso papel?!
(cf. Diário de Notícias, de 2010/01/23)
Ele anda à volta de dois conceitos, muito presentes na cultura clássica: Potestas e auctoritas.
Não é a primeira vez, que refiro da necessidade de ir “beber” à cultura clássica, muitos conceitos que caíram em desuso.
O vocábulo potestas vem de potis, com o significado de senhor de, que exerce o poder sobre. Potestas tem a ver com o poder no sentido institucional.
Neste sentido os magistrados, presidentes da câmara e justa de freguesia, deputados, bispos, ministros, polícias, pais, padres, generais, professores… O autor escreve que “as sociedades humanas não podem subsistir sem o exercício do poder.
O vocábulo auctoritas vem do verbo augere, que significa “fazer crescer”, aumentar, donde vem também auctor, com o sentido de aquele que faz crescer, aquele que produz, o autor.
Neste sentido, significa aquilo que possui autoridade e que tem a ver com a excelência pessoal e força intelectual e moral de atracção, de congregação e orientação.
“Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande seja o vosso servo; e quem no meio de vós quiser ser o primeiro seja vosso servo.” (cf. Evang. de S. Mateus)
Jesus não põe em causa o poder político, mas sim o seu modelo de exercício.
Note-se, que no contexto político, os governantes são designados pelo termo “ministro”, sendo o seu chefe o “primeiro-ministro”. O termo vem do latim minister, que significa servo, aquele que serve
Neste contexto, escreve o autor, percebe-se que potestas e auctoritas deveriam caminhar juntas e entrecruzadas.
Surge a questão, quanto aos pais, políticos em geral, falta-lhes competência intelectual, técnica, moral? Quanto à função de deputados ou "ministros" só resta o nome?..
Diziam sobre Jesus (sem qualquer poder institucional; não era sacerdote, nem pertencia a nenhuuma estrutura de poder oficial, civil, político ou mlitar), “Ensinava com autoridade”.
É bom pensar, nesta sociedade onde nos inserimos, Qual o nosso papel?!
(cf. Diário de Notícias, de 2010/01/23)
domingo, 10 de janeiro de 2010
Para onde vamos?
Em 2001, um livro me marcou. Acabado de ser publicado, ajudou-me no meu crescimento espiritual.
Vem isto a propósito, porque acabou de ser votado a favor, na Assembleia da República, o diploma sobre o casamento homossexual. Tal como no livro, pergunto, “a homossexualidade, tal como no-la apresentam os programas de televisão, cheios de compreensão e aceitação, será mesmo apenas outra opção, um direito de igual dignidade e realização?”
As pessoas homossexuais merecem, à partida, a nossa compreensão e precisam da nossa ajuda sem qualificar a situação imediatamente como culpa e pecado, embora não se possa deixar de se falar de homossexualidade como perversão : ela é uma versão errada da sexualidade humana, mesmo que não haja culpa.
A homossexualidade não é uma opção, precisamente porque o homossexual não pode, nem consegue escolher. Sofre mesmo de uma fixação psicológica. Os ditos “assumidos” não fizeram mais do que resignar-se a tornar pública essa situação. Mas não há escolha do “objecto sexual”.
A homossexualidade não é constitucional. É sempre fruto do processo de identificação e identidade do sexo psicológico em consonância com o genital.
Não é uma degenerescência, o processo é psicológico, ao nível da formação de identidade, dependendo sobretudo das experiências traumáticas da primeira infância ou de orientações de fuga ligadas a falhanços, ou a fundos sentimentais de inferioridade, com fixações no mais fácil e infantil.
A homossexualidade não é algo que seja dado ou paralelo aos caracteres sexuais secundários. Na realidade, o que existe são homens ou mulheres. Não há um terceiro género.
É preciso dizer ainda que a homossexualidade tem um carácter neurótico e corresponde sempre a uma fixação no processo de evolução e maturação sexual que fica bloqueada – infantil – onde há ainda indefinição, não chegando a identificar-se com o sexo genital de base existente desde o primeiro momento. Torna-se estruturante.
Perante o que foi dito, perante tantos lobys existentes na sociedade, no meio político, podemos perguntar, para onde vamos?
Nesta sociedade em que tudo é relativo, é necessário cada vez mais um verdadeiro testemunho. Só podemos encontrá-lo em Jesus Cristo. Ele é a novidade que a fé cristã oferece de um outro ponto de partida, novo ponto de chegada, bem como novo envolvente.
É um desafio que volto a deixar: conhecer Cristo! Aceitam-no?
PS: cf. O Olhar e o ver, de Pe. Vasco Pinto de Magalhães, s.j.
Vem isto a propósito, porque acabou de ser votado a favor, na Assembleia da República, o diploma sobre o casamento homossexual. Tal como no livro, pergunto, “a homossexualidade, tal como no-la apresentam os programas de televisão, cheios de compreensão e aceitação, será mesmo apenas outra opção, um direito de igual dignidade e realização?”
As pessoas homossexuais merecem, à partida, a nossa compreensão e precisam da nossa ajuda sem qualificar a situação imediatamente como culpa e pecado, embora não se possa deixar de se falar de homossexualidade como perversão : ela é uma versão errada da sexualidade humana, mesmo que não haja culpa.
A homossexualidade não é uma opção, precisamente porque o homossexual não pode, nem consegue escolher. Sofre mesmo de uma fixação psicológica. Os ditos “assumidos” não fizeram mais do que resignar-se a tornar pública essa situação. Mas não há escolha do “objecto sexual”.
A homossexualidade não é constitucional. É sempre fruto do processo de identificação e identidade do sexo psicológico em consonância com o genital.
Não é uma degenerescência, o processo é psicológico, ao nível da formação de identidade, dependendo sobretudo das experiências traumáticas da primeira infância ou de orientações de fuga ligadas a falhanços, ou a fundos sentimentais de inferioridade, com fixações no mais fácil e infantil.
A homossexualidade não é algo que seja dado ou paralelo aos caracteres sexuais secundários. Na realidade, o que existe são homens ou mulheres. Não há um terceiro género.
É preciso dizer ainda que a homossexualidade tem um carácter neurótico e corresponde sempre a uma fixação no processo de evolução e maturação sexual que fica bloqueada – infantil – onde há ainda indefinição, não chegando a identificar-se com o sexo genital de base existente desde o primeiro momento. Torna-se estruturante.
Perante o que foi dito, perante tantos lobys existentes na sociedade, no meio político, podemos perguntar, para onde vamos?
Nesta sociedade em que tudo é relativo, é necessário cada vez mais um verdadeiro testemunho. Só podemos encontrá-lo em Jesus Cristo. Ele é a novidade que a fé cristã oferece de um outro ponto de partida, novo ponto de chegada, bem como novo envolvente.
É um desafio que volto a deixar: conhecer Cristo! Aceitam-no?
PS: cf. O Olhar e o ver, de Pe. Vasco Pinto de Magalhães, s.j.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Entre o lixo e o paraíso
A Igreja diz-nos que isto é mais que uma questão técnica. Não envolve apenas os gelos e degelos, os mares e as marés. Envolve-nos.
“A natureza não é um monte de lixo lançado ao acaso”.Disse-o Heraclito de Éfeso há 2500 anos. Lembrou-o Bento XVI na recente mensagem para o Dia da Paz. Há uma lei interna, secreta, inteligente, no coração das coisas, que remói a história, vai muito para além da escassez das nossas contas e das nossas vidas. Tudo nos foi confiado por Deus. Não somos donos dos vulcões, ventos e tempestades. Nem fazemos nascer as manhãs de suave brisa ou os tons sublimes do luar. Mas a Terra, ínfima parcela do universo, é a nossa casa. E merece o nosso olhar de respeito para que nos abrigue e permita em cada dia o pão e a alegria sobre a nossa mesa.
Para os lados de Copenhaga disseram que está doente o nosso planeta, sufocado pelos fumos de destruição que inventámos e exploramos sem medirmos o alcance do que jogamos em fogo, terra, ar e a água.
A Igreja diz-nos que isto é mais que uma questão técnica. Não envolve apenas os gelos e degelos, os mares e as marés. Envolve-nos. Lembra-nos o mistério de termos o mundo nas nossas mãos. Cada gota de orvalho vale um oceano. Cada grão de areia é como uma enorme praia. Cada minúscula semente tem a força duma floresta. Cada partícula de ar é um pulmão de vida que sofregamente respiramos.
No cosmos há “um desígnio de amor e de verdade”. A herança da criação pertence à humanidade inteira.
É o futuro que está em causa. O futuro é a grande palavra de fé, inteligência e humanidade. Quer dizer que acreditamos no para além de nós, no tempo para além do nosso, do viver, pensar e agir para além de nós. E que sentimos o orgulho de estarmos unidos a uma humanidade para além do indivíduo que cada um de nós é. É isso a solidariedade com o futuro. A ecologia humana é esse tratamento consciente e uno do homem e da terra, do pó a que havemos de regressar, da mão direita de Deus onde repousará o nosso coração. É na purificação da nossa mente que começa a pureza da terra. É no ethos como ponto de ligação que estabelecemos pontes com o universo. Na harmonia do homem e da natureza como uma fraternidade tranquila, proclamada e vivida por Francisco de Assis.
E se descermos ao concreto dos nossos hábitos quotidianos na relação com a energia, a água, o céu, o mar, o frio e o calor, sentiremos que a Terra é um problema político, cultural, económico e tecnológico. Mas é um problema ético, humano, capítulo segundo do Génesis que todos nós reescrevemos. Ninguém no planeta está fora do alcance de edificar, dominar e respeitar a Terra que, como nós, brotou das mãos de Deus. Trata-se dum poema muito mais belo e decisivo que todos os discursos de maldição sobre o CO2. A Terra não é o paraíso. Mas não é um monte de lixo.
in Agência Ecclesia, António Rego
domingo, 20 de dezembro de 2009
Natal 2009...
Olha-se a nossa volta.
Interrogo, será que se vive o nascimento de Jesus, hoje?
Chegou-me às mãos um texto, onde anuncia um Natal semelhante à 2000 anos.
Deus-Menino vai nascer, faz-se os preparativos. Imagino como José e Maria andam atarefados à procura de um lugar... Os homens na altura, como hoje centram-se nas suas tarefas, sem se aperceberem neste jovem casal. José e Maria grávida dos seus últimos dias passam despercebidos. São pobres! Os pobres não suscitam muita consideração.
A história repete-se na integra. Existe tantos sinais que abafam a grande notícia, as "popotas", as "Leopoldinas", um turbulhão de contra-valores que põe em questão os valores da família, autoridade, a fé; os interesses económicos sobressaem mais do que a própria humanidade; onde o cumulo chega até ao ponto de substituir a imagem de Nossa Senhora da Conceição pela imagem de uma gata coroada!!
Deus, sem precisar dos homens, quer hoje nascer e nasce hoje despercebido.
E eu? Onde me situo?
Interrogo, será que se vive o nascimento de Jesus, hoje?
Chegou-me às mãos um texto, onde anuncia um Natal semelhante à 2000 anos.
Deus-Menino vai nascer, faz-se os preparativos. Imagino como José e Maria andam atarefados à procura de um lugar... Os homens na altura, como hoje centram-se nas suas tarefas, sem se aperceberem neste jovem casal. José e Maria grávida dos seus últimos dias passam despercebidos. São pobres! Os pobres não suscitam muita consideração.
A história repete-se na integra. Existe tantos sinais que abafam a grande notícia, as "popotas", as "Leopoldinas", um turbulhão de contra-valores que põe em questão os valores da família, autoridade, a fé; os interesses económicos sobressaem mais do que a própria humanidade; onde o cumulo chega até ao ponto de substituir a imagem de Nossa Senhora da Conceição pela imagem de uma gata coroada!!
Deus, sem precisar dos homens, quer hoje nascer e nasce hoje despercebido.
E eu? Onde me situo?
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
A caminho de Belém, na alegria

Aproxima o grande DIA DA SALVAÇÃO.
Nestas semanas, que precedem o Natal,que já passaram, fomos percebendo a delicadeza de Deus com as nossas vidas, isto é , Ele vai conduzindo-nos pelo caminho que leva a Belém, um caminho de contemplação, de interiorização, de conversão, levando-nos a fazer “espaço “ para abrir-nos ao Novo, ao Essencial, que é a sua Presença, uma Presença Amiga, que veio para salvar, para levar-nos à Vida .
Nesta semana (de 14 a 20 de Dezembro), somos convidados a parar com todo o nosso Ser, ante o dom da ALEGRIA.
E porque o dom da Alegria ? Porque o nascimento de Jesus veio instaurar um “novo céu e uma nova terra... “Ap21,1ss.
Veio trazer-nos a certeza radical de que “DEUS AMA O SEU POVO”, Deus acredita na bondade do coração do Homem. O nosso Deus é o Deus da Alegre Esperança. Assim é o Seu olhar ante a realidade do nosso mundo, da nossa vida pessoal, comunitária efamiliar.
Muias vezes experimentamos que Deus olha as circunstâncias de uma maneira bem diferente da nossa. Nós sentimos afectados pelo desânimo; pela falta de esperança na situação actual-a crise; sentimos medo frente ao futuro, dúvidas, incertezas ..., pouco a pouco no coração vai-se instalando o pessimismo. Tudo isto vai debilitando as forças, torna o nosso horizonte pequeno...
A Palavra de Deus, neste domingo, anuncia uma alegria estável, porque está apoiada n’Ele, isto é, enraiza a alegria na FIDELIDADE DE DEUS, manifestada em Jesus Cristo. Por isso, vai mais além dos nossos sentimentos, do momento dificil que possamos estar a atravessar, ou da situação na minha família. Somos convidados a abrir o coração e deixar-nos guiar. Guiar pela Estrela, que conduziu os pastores à Aquele que é a Alegria Verdadeira .
O convite desta semana é colocar nas mãos de Deus todas as situações que levamos no nosso coração, todas as vivências onde nos falte a alegria. E aí fazer experiência de que Deus as transforma com a Sua Presença, Ele é o Emanuel , isto é , o”Deus Conosco “.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Natal com os pastorinhos (de Fátima)
Como seria o Natal em casa dos pastorinhos de Fátima? Como viviam e vivenciavam?
Uma pequena curiosidade que me levou novamente a mergulhar nas Memórias da Ir. Lúcia.
Mas recorri primeiro a um pequeno livro, Aljustrel, uma aldeia de Fátima, onde retirei algumas notas…
No tempo do Advento, as 4as, 6as e 3º Sábado eram dias especiais de jejum e de abstinência, sendo todo o Advento tempo de oração e de penitência.
O Natal começava a ser vivido no dia 24 de Dezembro, com a família à volta da lareira. A ceia era frugal, muito semelhante à de qualquer outro dia (não havia hábito de comer batatas com bacalhau. O encantamento estava nas filhoses.
As prendas no sapatinho na chaminé só surgiu pelos anos cinquenta. O dinheiro era pouco e mal chegava para comprar o estritamente necessário. Não havia prendas...
A “Missa do Galo” era muito participada; havia diversos grupos que se deslocavam e cantavam quadras natalícias ao som da guitarra, do pífaro, do realejo e dos ferrinhos. A celebração em si era simples e familiar. No fim, o Menino Jesus era beijado, entoando, Bendito e louvado seja o Sagrado Nascimento do Menino Jesus, e a assembleia respondia, E as Suas divinas chamas nos abrasem de amor e nos encham de luz.
No dia 25 de Dezembro, celebrava-se às 11 horas a missa da festa.
Depois fui às Memórias e li e acrescentei mais algumas notas…
“ não havia festa nem dança onde elas não fossem: carnaval, S. João, Natal; era fixo, tinha que haver baile.”
“A noite de Natal, enquanto que se esperava pela hora de ir para a Missa da meia-noite, depois da ceia da consoada, ficava-se à lareira, a fazer as filhoses. Enquanto que a Mãe com as minhas irmãs, estendiam a massa e as deitavam no azeite a ferver, o Pai, com um grande garfo de ferro, virava-as e tirava-as para um alguidar, pondo-as a escorrer dentro dum crivo. À hora precisa, lá íamos para a Missa do Galo, e o açafatinho com o presente das filhoses que levava ao Menino Jesus, quando ia a beijar a Sua imagem, e no dia de Natal, pela manhã, às pessoas acima mencionadas.”
Conclui que os pastorinhos de Fátima viviam um Natal normal, como se vivia naquele tempo, nesta povoação da Serra d’Aire. Simplicidade dominava em todos os actos, onde a família e o convívio celebrativo imperavam.
Uma pequena curiosidade que me levou novamente a mergulhar nas Memórias da Ir. Lúcia.
Mas recorri primeiro a um pequeno livro, Aljustrel, uma aldeia de Fátima, onde retirei algumas notas…
No tempo do Advento, as 4as, 6as e 3º Sábado eram dias especiais de jejum e de abstinência, sendo todo o Advento tempo de oração e de penitência.
O Natal começava a ser vivido no dia 24 de Dezembro, com a família à volta da lareira. A ceia era frugal, muito semelhante à de qualquer outro dia (não havia hábito de comer batatas com bacalhau. O encantamento estava nas filhoses.
As prendas no sapatinho na chaminé só surgiu pelos anos cinquenta. O dinheiro era pouco e mal chegava para comprar o estritamente necessário. Não havia prendas...
A “Missa do Galo” era muito participada; havia diversos grupos que se deslocavam e cantavam quadras natalícias ao som da guitarra, do pífaro, do realejo e dos ferrinhos. A celebração em si era simples e familiar. No fim, o Menino Jesus era beijado, entoando, Bendito e louvado seja o Sagrado Nascimento do Menino Jesus, e a assembleia respondia, E as Suas divinas chamas nos abrasem de amor e nos encham de luz.
No dia 25 de Dezembro, celebrava-se às 11 horas a missa da festa.
Depois fui às Memórias e li e acrescentei mais algumas notas…
“ não havia festa nem dança onde elas não fossem: carnaval, S. João, Natal; era fixo, tinha que haver baile.”
“A noite de Natal, enquanto que se esperava pela hora de ir para a Missa da meia-noite, depois da ceia da consoada, ficava-se à lareira, a fazer as filhoses. Enquanto que a Mãe com as minhas irmãs, estendiam a massa e as deitavam no azeite a ferver, o Pai, com um grande garfo de ferro, virava-as e tirava-as para um alguidar, pondo-as a escorrer dentro dum crivo. À hora precisa, lá íamos para a Missa do Galo, e o açafatinho com o presente das filhoses que levava ao Menino Jesus, quando ia a beijar a Sua imagem, e no dia de Natal, pela manhã, às pessoas acima mencionadas.”
Conclui que os pastorinhos de Fátima viviam um Natal normal, como se vivia naquele tempo, nesta povoação da Serra d’Aire. Simplicidade dominava em todos os actos, onde a família e o convívio celebrativo imperavam.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Tempo de espera... (1)
Juntos queremos caminhar até Belém, neste tempo de Advento.
A palavra ADVENTO significa preparação para a vinda de Cristo, predispor o coração para recebe-Lo.
Como o Povo de Israel vivia na expectativa do DIA DA SALVAÇÃO, também hoje os nossos corações estão esperando a chegada d'Aquele “ QUE É CAPAZ DE FAZER NOVAS TODAS AS COISAS “ (Ap21), e necessitamos estar vigilantes, para compreender os sinais que nos fala o Evangelho. Sinais que nos ajudam a perceber que Ele está proximo, talvez no teu coração já os vais percebendo: no sonho duma sociedade nova, com fundamentos na partilha ,”onde ninguém passava necessidade “(Act,4); no desejo que as nossas relações- familiares ,de trabalho ,fraternas ,estudo ,de amizade- sejam mais sinceras ,verdadeiras e honestas, no desejo de olharmo-nos uns aos outros desde o valor que Deus dá a cada pessoa.
Este tempo de Advento é o tempo propício para acreditar que esses sinais, que estão escondidos no mais profundo do teu coração ,são verdadeiros e realizáveis.
Nestas quatro semanas vamos “preparar“ o coração para CONTEMPLAR.
O que é contemplar ? É atravessar a realidade ,isto é ,é ir para lá do evidente , do que nos dizem as nossas primeiras impressões , é deixar-nos conduzir, deixar falar o coração, é fazer silêncio, ”despir-nos “ dos nossos preconceitos e como crianças deixar-nos surpreender.
É muito importante percorrer este caminho, ou seja,entrar na pedagogia de Deus que é diferente da nossa. Deus é Aquele que se faz presente no pobre ,no pequeno ,na fragilidade, no que não brilha...
Quando estamos diante destas situações -de pobreza ,fragilidade ,fracasso- não nos é facil descobrir a manifestação de Deus, porque as olhamos com os olhos físicos, o que nos limita e nos leva a perder o sentido da vida , a alegria e as forças para lutar.
S. José aprendeu a contemplar a obra de Deus no silêncio e esperou a manifestação do Deus Menino. Peçamos-Lhe ajuda para oferecer a Deus tudo o que nos impede de contemplar, com os seus olhos .
A palavra ADVENTO significa preparação para a vinda de Cristo, predispor o coração para recebe-Lo.
Como o Povo de Israel vivia na expectativa do DIA DA SALVAÇÃO, também hoje os nossos corações estão esperando a chegada d'Aquele “ QUE É CAPAZ DE FAZER NOVAS TODAS AS COISAS “ (Ap21), e necessitamos estar vigilantes, para compreender os sinais que nos fala o Evangelho. Sinais que nos ajudam a perceber que Ele está proximo, talvez no teu coração já os vais percebendo: no sonho duma sociedade nova, com fundamentos na partilha ,”onde ninguém passava necessidade “(Act,4); no desejo que as nossas relações- familiares ,de trabalho ,fraternas ,estudo ,de amizade- sejam mais sinceras ,verdadeiras e honestas, no desejo de olharmo-nos uns aos outros desde o valor que Deus dá a cada pessoa.
Este tempo de Advento é o tempo propício para acreditar que esses sinais, que estão escondidos no mais profundo do teu coração ,são verdadeiros e realizáveis.
Nestas quatro semanas vamos “preparar“ o coração para CONTEMPLAR.
O que é contemplar ? É atravessar a realidade ,isto é ,é ir para lá do evidente , do que nos dizem as nossas primeiras impressões , é deixar-nos conduzir, deixar falar o coração, é fazer silêncio, ”despir-nos “ dos nossos preconceitos e como crianças deixar-nos surpreender.
É muito importante percorrer este caminho, ou seja,entrar na pedagogia de Deus que é diferente da nossa. Deus é Aquele que se faz presente no pobre ,no pequeno ,na fragilidade, no que não brilha...
Quando estamos diante destas situações -de pobreza ,fragilidade ,fracasso- não nos é facil descobrir a manifestação de Deus, porque as olhamos com os olhos físicos, o que nos limita e nos leva a perder o sentido da vida , a alegria e as forças para lutar.
S. José aprendeu a contemplar a obra de Deus no silêncio e esperou a manifestação do Deus Menino. Peçamos-Lhe ajuda para oferecer a Deus tudo o que nos impede de contemplar, com os seus olhos .
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
É preciso não esquecer
O conceito de democracia vem da cultura grega. Etimologicamente, significa, "poder do povo". Já muitos ouviram falar do século de Péricles, século V a.C. Foi neste século que o conceito de democracia levou ao seu expoente máximo, a época de ouro da democracia. Perante estes dados que João César das Neves refere, era bom que muitos conhecessem a cultura grega, sua história e seus conceitos, pois, realmente, «nada há de novo sobre a terra»...
O primeiro-ministro reiterou que o Governo avançará com a proposta para permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo e afastou a hipótese de referendo, dizendo não aceitar "nenhuma lição de democracia" (Sol 6/Nov.). Pobre de quem, pela arrogância da resposta, mostra não entender a democracia. Mas a resposta é curiosa, porque foi nestes temas da vida e família que surgiram os maiores atropelos ao espírito e prática democráticos no Portugal moderno.
Lembremos que nunca a política desceu tão baixo como no longo processo que levou ao actual financiamento público do aborto. A lei da liberalização da prática foi chumbada no Parlamento por um voto a 20 de Fevereiro de 1997. Mostrando supino desprezo pelas instituições, a mesma câmara, depois de substituir alguns deputados, voltou a votar a mesma lei na mesma legislatura, aprovando-a a 4 de Fevereiro de 1998 por nove votos. O descaramento foi tal que até a Assembleia percebeu não poder deixar as coisas assim e convocou um referendo nacional, que a 28 de Junho de 1998 rejeitou a lei.
O veredicto era claro e democrático. Mas a arrogância de quem se julga sabedor e não precisa de lições nunca respeita a vontade popular. Pior ainda, ao convocar novo referendo foi decidido que o tema não ia ser o aborto, acerca do qual já se sabia a opinião. Toda a discussão em 2007 omitiu a referência a embriões, gravidez e até hospitais, para se centrar apenas em... mulheres presas. Quem é que quer as pobres mães atrás das grades? O magnífico embuste resultou e a 11 de Fevereiro, apesar de os votos de rejeição terem aumentado, os abortistas conseguiram a desejada vitória, que os levou não a libertar mulheres, porque nenhuma estava presa, mas a promover o aborto livre e barato.
A experiência eliminou de vez o respeito dos activistas pelo processo democrático. Nunca mais o povo foi consultado, usando-se os meios mais expeditos e manipuladores para atacar as leis mais essenciais e estruturantes.
Em Julho de 1999, o presidente Jorge Sampaio vetou a "lei da procriação medicamente assistida", referindo como razão o insuficiente debate público. Quando o Presidente Cavaco Silva promulgou a lei revista (Lei n.º 32/2006, de 26 de Julho) teve de enviar uma mensagem à Assembleia, manifestando o seu desconforto. Depois, o Governo decidiu banalizar o divórcio e Cavaco Silva foi obrigado a devolver o diploma sem promulgação em Agosto de 2008 com graves críticas à irresponsabilidade do articulado. Acabou por promulgar a Lei n.º 61/2008 de 31 de Outubro, reiterando as críticas em mensagem de 20 de Outubro. Em Agosto deste ano, o Presidente não promulgou a lei das uniões de facto (Decreto 349/X), aprovada a correr no final da legislatura, citando mais uma vez "a ausência de um debate aprofundado" (Mensagem de 24 de Agosto). Como se vê, o Governo e os seus correligionários precisam mesmo de lições de democracia.
Dada a vergonha desta história, é claro que agora, na questão estrutural da definição do casamento, nunca admitirão um referendo, sabendo que vão perder. Só o fariam se tivessem uma coisa de que mostram carecer: vergonha. A recusa baseia-se num argumento sumamente desonesto: o facto de a proposta do casamento entre pessoas do mesmo sexo figurar nos programas eleitorais. Quem o diz sabe bem a enormidade do que afirma. Os programas não são menus, em que se possa escolher o que se gosta e rejeitar o resto. Os votos numa lista nada informam sobre a opinião em rubricas concretas. O mais elementar bom-senso e respeito democrático recomendariam uma ponderação cuidada na mudança de uma lei tão fundamental. Mas bom-senso e respeito democrático foi o que mostraram não ter neste tema há décadas.
As gerações futuras censurarão asperamente a nossa pelas terríveis infâmias legais cometidas contra a vida e a família. A apatia e comodismo generalizados merecem bem o repúdio. Mas não podemos esquecer também as enormes manipulações, fraudes e indignidades do processo que, sem desculpar a cumplicidade passiva, mostram bem a baixeza dos ataques.
(adaptado de, DN 20091116, João César das Neves)
O primeiro-ministro reiterou que o Governo avançará com a proposta para permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo e afastou a hipótese de referendo, dizendo não aceitar "nenhuma lição de democracia" (Sol 6/Nov.). Pobre de quem, pela arrogância da resposta, mostra não entender a democracia. Mas a resposta é curiosa, porque foi nestes temas da vida e família que surgiram os maiores atropelos ao espírito e prática democráticos no Portugal moderno.
Lembremos que nunca a política desceu tão baixo como no longo processo que levou ao actual financiamento público do aborto. A lei da liberalização da prática foi chumbada no Parlamento por um voto a 20 de Fevereiro de 1997. Mostrando supino desprezo pelas instituições, a mesma câmara, depois de substituir alguns deputados, voltou a votar a mesma lei na mesma legislatura, aprovando-a a 4 de Fevereiro de 1998 por nove votos. O descaramento foi tal que até a Assembleia percebeu não poder deixar as coisas assim e convocou um referendo nacional, que a 28 de Junho de 1998 rejeitou a lei.
O veredicto era claro e democrático. Mas a arrogância de quem se julga sabedor e não precisa de lições nunca respeita a vontade popular. Pior ainda, ao convocar novo referendo foi decidido que o tema não ia ser o aborto, acerca do qual já se sabia a opinião. Toda a discussão em 2007 omitiu a referência a embriões, gravidez e até hospitais, para se centrar apenas em... mulheres presas. Quem é que quer as pobres mães atrás das grades? O magnífico embuste resultou e a 11 de Fevereiro, apesar de os votos de rejeição terem aumentado, os abortistas conseguiram a desejada vitória, que os levou não a libertar mulheres, porque nenhuma estava presa, mas a promover o aborto livre e barato.
A experiência eliminou de vez o respeito dos activistas pelo processo democrático. Nunca mais o povo foi consultado, usando-se os meios mais expeditos e manipuladores para atacar as leis mais essenciais e estruturantes.
Em Julho de 1999, o presidente Jorge Sampaio vetou a "lei da procriação medicamente assistida", referindo como razão o insuficiente debate público. Quando o Presidente Cavaco Silva promulgou a lei revista (Lei n.º 32/2006, de 26 de Julho) teve de enviar uma mensagem à Assembleia, manifestando o seu desconforto. Depois, o Governo decidiu banalizar o divórcio e Cavaco Silva foi obrigado a devolver o diploma sem promulgação em Agosto de 2008 com graves críticas à irresponsabilidade do articulado. Acabou por promulgar a Lei n.º 61/2008 de 31 de Outubro, reiterando as críticas em mensagem de 20 de Outubro. Em Agosto deste ano, o Presidente não promulgou a lei das uniões de facto (Decreto 349/X), aprovada a correr no final da legislatura, citando mais uma vez "a ausência de um debate aprofundado" (Mensagem de 24 de Agosto). Como se vê, o Governo e os seus correligionários precisam mesmo de lições de democracia.
Dada a vergonha desta história, é claro que agora, na questão estrutural da definição do casamento, nunca admitirão um referendo, sabendo que vão perder. Só o fariam se tivessem uma coisa de que mostram carecer: vergonha. A recusa baseia-se num argumento sumamente desonesto: o facto de a proposta do casamento entre pessoas do mesmo sexo figurar nos programas eleitorais. Quem o diz sabe bem a enormidade do que afirma. Os programas não são menus, em que se possa escolher o que se gosta e rejeitar o resto. Os votos numa lista nada informam sobre a opinião em rubricas concretas. O mais elementar bom-senso e respeito democrático recomendariam uma ponderação cuidada na mudança de uma lei tão fundamental. Mas bom-senso e respeito democrático foi o que mostraram não ter neste tema há décadas.
As gerações futuras censurarão asperamente a nossa pelas terríveis infâmias legais cometidas contra a vida e a família. A apatia e comodismo generalizados merecem bem o repúdio. Mas não podemos esquecer também as enormes manipulações, fraudes e indignidades do processo que, sem desculpar a cumplicidade passiva, mostram bem a baixeza dos ataques.
(adaptado de, DN 20091116, João César das Neves)
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
José Saramago e outros...
Cerca de um mês depois, volto aqui, escrevendo algumas linhas.
Tenho lido muito, trabalhado muito.
Um conjunto de notícias tem ocupado mais as minhas leituras, onde sobressaiu a figura de José Saramago.
Uma primeira nota, falar de Deus, da religião, abordando assuntos polémicos, dá dinheiro e sucesso. Quando outros assuntos se esgotam, normalmente recorrem a este, pois é um filão do mais rico ouro, para abordar.
São livros com uma história romanciada, baseada num aspecto da realidade.
É por isso que certos escritores, de forma inconsciente/consciente recorrem a esta estratégia.
Neste mundo dos livros, onde me mergulho, olho, para além de Saramago, José Rodrigues dos Santos, Dan Brown, Mark Twain, Daniel...
Não gostei das intervenções de Saramago. Elas mostraram o quanto ele é ignorante. A Bíblia não é uma obra de história ou de Geografia, de Biologia ou de Astronomia. Era de supor que um romancista percebesse isso melhor que ninguém, como sublinha o autor de um artigo, Manuel Pina.
Ninguém deve-se pronunciar, opinando sobre algo que desconhece. Diz o ditado, "quem conta um conto, acrescenta um ponto". A experiência me diz que este ditado está mais presente, na medida que a ignorância é maior. Em todos os campos - social, político e religioso -, devia-se pronunciar com conhecimento de causa e não simplesmente opinando...
No artigo referenciado, escreve o autor que Saramago dizendo "Deus não é de fiar: é vingativo, é má pessoa", acaba por se afirmar "crente, e fundamentalista, levando a novela bíblica a peito e as "más práticas" de Deus (espécie de Ivone - do 'Caminho das Índias' - na Bíblia) à conta da literalidade." Foi este aspecto que se destacou na conversa entre o escritor José Saramago e o biblista Carreira das Neves.
É necessário rezar por este homem, que chega afirmar que, "Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar o seu neomedievalismo universal, um Deus que jamais viu, com o qual nunca se sentou a tomar café, demonstra apenas o absoluto cinismo intelectual da personagem".
Deus inquieta-o 'mais do que nunca', agora que se aproxima no fim da caminhada terrena.
Tenho lido muito, trabalhado muito.
Um conjunto de notícias tem ocupado mais as minhas leituras, onde sobressaiu a figura de José Saramago.
Uma primeira nota, falar de Deus, da religião, abordando assuntos polémicos, dá dinheiro e sucesso. Quando outros assuntos se esgotam, normalmente recorrem a este, pois é um filão do mais rico ouro, para abordar.
São livros com uma história romanciada, baseada num aspecto da realidade.
É por isso que certos escritores, de forma inconsciente/consciente recorrem a esta estratégia.
Neste mundo dos livros, onde me mergulho, olho, para além de Saramago, José Rodrigues dos Santos, Dan Brown, Mark Twain, Daniel...
Não gostei das intervenções de Saramago. Elas mostraram o quanto ele é ignorante. A Bíblia não é uma obra de história ou de Geografia, de Biologia ou de Astronomia. Era de supor que um romancista percebesse isso melhor que ninguém, como sublinha o autor de um artigo, Manuel Pina.
Ninguém deve-se pronunciar, opinando sobre algo que desconhece. Diz o ditado, "quem conta um conto, acrescenta um ponto". A experiência me diz que este ditado está mais presente, na medida que a ignorância é maior. Em todos os campos - social, político e religioso -, devia-se pronunciar com conhecimento de causa e não simplesmente opinando...
No artigo referenciado, escreve o autor que Saramago dizendo "Deus não é de fiar: é vingativo, é má pessoa", acaba por se afirmar "crente, e fundamentalista, levando a novela bíblica a peito e as "más práticas" de Deus (espécie de Ivone - do 'Caminho das Índias' - na Bíblia) à conta da literalidade." Foi este aspecto que se destacou na conversa entre o escritor José Saramago e o biblista Carreira das Neves.
É necessário rezar por este homem, que chega afirmar que, "Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar o seu neomedievalismo universal, um Deus que jamais viu, com o qual nunca se sentou a tomar café, demonstra apenas o absoluto cinismo intelectual da personagem".
Deus inquieta-o 'mais do que nunca', agora que se aproxima no fim da caminhada terrena.
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