sexta-feira, 30 de março de 2012
Saudades...
Mais uma semana da nossa vida passou, sem darmos por ela.
É bom recomeçar cada manhã que nasce.
Olhar cada manhã com olhos novos, vendo novidade nas mesmas coisas diárias.
É um desafio.
Não podemos tirar as lembranças de alguém muito querido, que fazia / faz parte na nossa vida.
Frei Carlos esteve/está presente. Ele está presente mais do que nunca.
Na Terça feira, ele esteve presente na oração mensal, que decorreu em Vale Travesso (Ourém).
Lá rezamos um salmo que transcrevo um pedaço:
"Leva-me, Senhor, mais dentro
mais dentro de ti, do teu coração...
Mais dentro do que está oculto e não se vê,
mais dentro dos gestos simples e generosos,
mais dentro da vida vivida por amor,
mais dentro do que sou,
mais dentro do abraço que acolhe.
Leva-me Senhor, contigo...
Leva-me Senhor mais longe..."
Saudades...
quarta-feira, 7 de março de 2012
Um Deus frágil
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
L' 8 dicembre, Fatima e i segni della Storia
Dall'addio dei sovietici a Vienna alla bandiera europea
e alla fine dell'Urss: una serie di enigmatiche coincidenze
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Cavalo de Guerra
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Tempo e prioridades…
in Povo
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
NEM SÓ DE PÃO VIVE O HOMEM
A confusão continua, e agora com Ricardo Sá Fernandes, neste mundo sem coluna vertebral, onde os valores são confusos...
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Declaração sobre a maçonaria – Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé - 26.11.1983
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Impostos nos Países Baixos
Só há um antídoto contra a especulação: a informação. É assustador ver tanta opinião instantânea sobre o que se desconhece. A sede de vingança tomou o lugar da fome de justiça. O problema não está na rua, nas redes sociais, nas esquinas dos desempregados. Está em quem tem a obrigação de saber do que fala. Do Parlamento, de Ana Gomes, de António Capucho, dos que pedem boicotes ao Pingo Doce(para comprar onde, já agora? No Continente da Sonae que tem praças na Holanda? No Lidl, que as tem na Alemanha?).
A decisão da família Soares dos Santos pode ser criticada mas não pelas razões que ontem se ouviu. A Jerónimo Martins não vai pagar menos impostos. E a família que a controla também não - até porque já pagava poucos.
Uma empresa tem lucro e paga IRC; depois distribui lucro pelos accionistas, que pagam IRC (se forem empresas) ou IRS (se forem particulares). Neste caso, a Jerónimo continua a pagar o mesmo IRC em Portugal (e na Polónia); o seu accionista de controlo, a "holding" da família Soares dos Santos, transferiu-se para a Holanda. Por ter mais de 10% da Jerónimo, essa "holding" não pagava cá imposto sobre os dividendos e continuará a não pagar lá. Já quando essa "holding" paga aos membros da família, cada um pagaria 25% de IRS cá - e pagará 25% lá. Com uma diferença: 10% são para a Holanda, 15% para Portugal.
Porque tomou a família uma decisão que, sendo neutra para si, prejudica o Estado português? Pela estabilidade e eficácia fiscal de lá, que bate a portuguesa. Pelo acesso a financiamento, impossível cá. E porque a família tem planos de crescimento que não incluem Portugal.
Aqueles que se escandalizaram ontem deviam ter-se comovido também quando, há um par de meses (como aqui foi escrito), a Jerónimo anunciou como iria investir 800 milhões de euros em 2012: 400 milhões da Colômbia, 300 na Polónia... e 100 milhões em Portugal. Isto sim, é sair de Portugal. E quando a Jerónimo investir na Colômbia, provavelmente vai fazê-lo também através da Holanda, onde se paga menos. Estes são problemas diferentes dos que ontem foram enunciados: a falta de atracção de investimento de Portugal; e a instabilidade fiscal, que muda leis como quem muda de camisa, afastando o capital.
A família Espírito Santo tem sede no Luxemburgo. Belmiro lançou a OPA à PT a partir do Holanda. O investimento estrangeiro é feito de fora. Isabel dos Santos investe na Zon a partir de Malta. Queiroz Pereira tem os activos estrangeiros separados de Portugal. António Mota desabafa há dias que pode ter de criar uma sede fora de Portugal só para que a banca lhe empreste dinheiro. E a família Soares dos Santos tem um plano que não nos contou mas que ainda nos vai surpreender - feito com bancos estrangeiros e a partir da Holanda, que é uma plataforma fiscal mais favorável à internacionalização para fora do espaço europeu, uma vez que não há dupla tributação da Holanda para e do resto do mundo.
O que custa a engolir não é que Soares dos Santos tenha cortado o passado com Portugal, esse mantém-no e continua a pagar impostos. É que tenha cortado o futuro. É que tenha decidido investir fora daqui porque aqui não tem por onde crescer, para procurar lucros fora de Portugal, criar postos de trabalho fora de Portugal e, então sim, pagar impostos desse futuro fora de Portugal. Pensando bem, esse é um grande problema e é um problema nosso. Mas investir fora do País não é traição. É apenas desistir dele. E a Jerónimo já partiu para a Polónia há muitos, muitos anos - ou ninguém reparou?
Pedro Santos Guerreiro, in Jornal de Negócios
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Deus e a Crise
“Vivemos na primeira civilização ateia, que perdeu a conexão com o infinito e a eternidade”. São palavras de Vaclav Havel, recordadas por Jorge Almeida Fernandes no “Público”. Para Havel, isso implica preferir o ganho a curto prazo e ter a ideia arrogante de que tudo sabemos ou viremos a saber.
Para este “meio crente”, que não aderia a uma religião revelada, era essencial o sentido de transcendência. E Havel considerava “incrivelmente míope” o homem poder esquecer que não é Deus.
Entretanto, nas palavras que dirigiu aos cardeais da Cúria, antes do Natal, Bento XVI uma vez mais apontou a crise ética como raiz da actual crise económica e fi nanceira da Europa. É verdade que há muitos valores compartilhados. “Todavia, falta muitas vezes a força capaz de motivar o indivíduo e os grandes grupos sociais a abraçarem renúncias e sacrifícios”.
Acrescentou o Papa: “onde se torna predominante a dúvida sobre Deus acaba inevitavelmente por seguir-se a dúvida sobre o meu ser homem”. Porque “só a fé me dá esta certeza: é bom existir como pessoa humana, mesmo em tempos difíceis”.
Francisco Sarsfield Cabral
Jornalista
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Coisas?
Ao longo da nossa vida, surgem-nos surpresas, que nos apontam para o essencial.
Basta olhar para o testemunho do pescador ucraniano, que perdeu tudo - bens materiais -, o que tinha.
Será que nesta época de Natal saibamos ler os acontecimentos?
Prendas... Prendas... Consumo... Consumo... E o essencial?
Deixo-vos pensar com a afirmação do pescador:
Ao fim de três dias, contra todas as expectativas, foram encontrados e recebidos em festa no país e na sua terra. Apenas um, ucraniano, não regressou a casa, porque vivia no barco afundado, nem voltou para a família, que continua na Ucrânia. Aos olhos do jornalista que o entrevistou, perdeu tudo, mas a sua resposta é elucidativa sobre o que é tudo:
"Coisas? Essas compram-se com dinheiro. O trabalho e o dinheiro resolvem, isso não é nada comparado com o que ganhei, a vida".
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
T.S. Eliot, ou o cristão no circo pagão
Em Ensaios Escolhidos, podemos encontrar um texto muito atual de T.S. Eliot: "A ideia de uma sociedade cristã". Este ensaio de 1939 é um ótimo buraco da fechadura para observarmos os dilemas do cristão na sociedade de 2011.
Eliot dizia que o cristão tem de tentar influenciar a sociedade do seu país a um nível pré-político. Ou seja, não estamos perante a defesa de um Estado cristão, mas ante a defesa de uma sociedade cristã, uma sociedade com o seu centro vital amarrado a valores cristãos. Eliot, aliás, afirmava que é mais importante a existência de uma sociedade cristã do que a existência de governantes cristãos. Porquê? Numa sociedade cristã, um político pagão não consegue impor leis anti-cristãs, porque o tecido social não o permite. Ao invés, numa sociedade pós-cristã e pagã, um governo de políticos cristãos já não tem hipótese, pois está rodeado por uma sociedade que despreza o moral cristã.
Portanto, Eliot afirmava que um cristão deve actuar na sua sociedade, porque o cristianismo é a última linha de resistência contra o mau governo, contra o "governo totalitário pagão". Tudo bem? Tudo mal. Eliot já tinha o problema que aflige os cristãos europeus de hoje: a sua sociedade já era pagã. Eliot queixava-se da ausência de fé nas massas, e, como se sabe, esta queixa é recorrente na atualidade. Em 2011, tal como em 1939, a sociedade já não é cristã, logo, o Estado projecta-se através de leis que ferem a ética cristã. Sim, tal como no tempo de Eliot, ainda existe uma "Comunidade de Cristãos", mas já não existe uma "Comunidade Cristã". O processo de descristianização das sociedade europeias, que estava a atingir a maturidade no tempo de Eliot, é hoje uma realidade mais do que madura. Maduríssima. Há muito que não existe um ethos cristão a limitar a ação do Estado e dos governantes.
Ora, quer em 1939, quer neste século XXI, o afastamento das sociedades em relação ao ethos cristão não se deveu apenas às investidas das hordas pagãs. A preguiça, digamos assim, dos cristãos também deve ser considerada enquanto causa da decadência da fé. Em Portugal, por exemplo, há muito católico de sofá e de teclado. Julgo mesmo que os católicos portugueses esqueceram o conselho de Eliot, isto é, pensaram que as leis do Estado protegeriam para sempre o ethos católico. Como todos os portugueses, os católicos portugueses encostaram-se ao Estado, e negligenciaram um ponto fundamental: é preciso fazer catolicismo todos os dias, na rua, nas paróquias, nos bairros, nas associações, no voluntariado, junto das pessoas. A lei não chega.
PS: uma nova geração de católicos portugueses (ainda mais nova do que a minha) está a desbravar caminho neste sentido. Ainda bem.
Henrique Raposo (www.expresso.pt) - 8:00 Quarta feira, 30 de novembro de 2011