terça-feira, 17 de abril de 2012

Frei Carlos e seu tempo da verdade


     Hoje, 17 de Abril, faz um mês que me desloquei a Alvaiázere, ao funeral do Carlos Furtado, amigo dominicano, “mestre do sorriso”.
     Com ele, mais ou menos tempo, caminhámos com ele na vida. Eu caminhei desde 1984, quando o conheci.
     De forma, mais próxima, foram vários anos, desde 2002, na dinamização do Movimento, no seu Sector Juvenil.
     Mais do que palavras minhas, num contexto de “emergência social” e em que os bispos portugueses reunidos em Fátima, apelam à “verdade política”, eis algumas palavras do Carlos, actualizadíssimas, orientadas para a juventude.


  Escreve..:


«Estamos a viver num mundo em processo de mudança acelerada. Há realmente, muitas razões acerca das mudanças, que os jovens têm que enfrentar no seu dia a dia. Enfrentar e analisar a realidade significa abandonar o território seguro e ir para um lugar desconhecido. Assim, à que criar novas relações com os outros e com o mundo.
O mundo está transformado num espaço aberto e é neste espaço, que a juventude deve fazer uma reflexão profunda sobre o tempo real e questionar-se: será que o mundo se está a transformar na global cidadania da mentira, do medo e do terror?
Parece que temos muitas razões para dizer que estamos a viver um período histórico de transição muito importante. […] Uma nova cultura… vive-se uma concentração exclusiva ao presente e ao instante.
É neste tempo que temos que nos interrogar: quem somos? Onde estamos?
Teremos coragem de enfrentar a realidade ou queremos permanecer na ilusão das distracções constantes? Lançamo-nos ao mar, ou afundamo-nos irremediavelmente ao som da orquestra, como os passageiros do Titanic?
Chegou a hora de nos vestirmos de esperança, para ir ao encontro da verdade e redimirmos o mundo – irmos à verdade de nós próprios.
É a Verdade/Jesus Cristo, que nos revela a beleza e a bondade do mundo de Deus. Esta Verdade empurra-nos para os outros e coloca-nos em acção.
Maria ensina-nos a conversar sobre o que nos toca mais profundamente. Só assim tomamos decisões de mudança e nos tornamos apóstolos da Verdade.

É preciso querer crer!

Não é possível querer sem crer!

“- Quereis oferecer-vos a Deus…?
- Sim, queremos”.»

Obrigado, Frei Carlos, pelos teus ensinamentos, que agora vamos relendo…

domingo, 1 de abril de 2012

Fernando Pessoa

Hoje fui revisitar Fernando Pessoa...
Digo revisitar, pois "tive com ele" no secundário e na universidade.
Agora, foi na Fundação Calouste Gulbenkian.

Estive não só com Fernando Pessoa, mas também com Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Bernardo Soares...

Deixo algumas pinceladas d'o poeta que é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente.
Entre muitos traços que podia referir, fixei-me em alguns.
Numa sociedade onde deparamos cada vez mais com a ausência de Deus, de Jesus Cristo, no concreto de cada dia, eis o que pode acontecer para o pagão cada coisa tem o seu génio ou ninfa, cada coisas é uma ninfa cativa ou uma dríade apanhada pelo olhar; por isso cada objeto tem para ele uma espantosa realidade imediata, e com cada coisa ele está em convívio quando a vê, e em amizade, quando lhe toca.
O homem que vê em cada objeto uma outra coisa qualquer, que não seja isto, não pode ver, amar ou sentir esse objeto...
Pertenço a uma geração - suponho que essa geração seja mais pessoas que eu - que perdeu por igual a fé nos deuses das religiões antigas e a fé nos deuses das irreligiões modernas. 
Uma religião individual impera com esta frase típica: "eu cá tenho a minha fé"... Será!?
A fé nunca se vive individualmente, mas sempre em relação.


Foi uma final de manhã bem passado, e que vos convido a visitarem... Vale a pena!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Saudades...

Estamos já em início de fim de semana.
Mais uma semana da nossa vida passou, sem darmos por ela.

É bom recomeçar cada manhã que nasce.
Olhar cada manhã com olhos novos, vendo novidade nas mesmas coisas diárias.
É um desafio.

Não podemos tirar as lembranças de alguém muito querido, que fazia / faz parte na nossa vida.
Frei Carlos esteve/está presente. Ele está presente mais do que nunca.

Na Terça feira, ele esteve presente na oração mensal, que decorreu em Vale Travesso (Ourém).
Lá rezamos um salmo que transcrevo um pedaço:

          "Leva-me, Senhor, mais dentro
          mais dentro de ti, do teu coração...
          Mais dentro do que está oculto e não se vê,
          mais dentro dos gestos simples e generosos, 
          mais dentro da vida vivida por amor,
          mais dentro do que sou,
          mais dentro do abraço que acolhe.
          Leva-me Senhor, contigo...
          Leva-me Senhor mais longe..."

Saudades...


quarta-feira, 7 de março de 2012

Um Deus frágil

Olhar para um Deus frágil, por humano ser.

 Escreveu um dia Juan Arias: “É difícil de entender para muitos o meu Deus frágil, o meu Deus que chora, o meu Deus que não se defende. É difícil o meu Deus frágil, amigo da vida, o meu Deus que sofreu as mordeduras de todas as tentações, o meu Deus que suou sangue antes de aceitar a vontade do seu Pai. É difícil este Deus, este meu Deus frágil, para os que acreditam que só se triunfa vencendo, para os que acreditam que só se defende matando, para os que a salvação é sinónimo de esforço e não dom... É difícil o meu Deus frágil para os que ainda sonham com um Deus que não se pareça com os homens”.

Ouvi que também a nossa fé é um dom frágil, porque condicionada pelo humano que somos, com todas as condicionantes daí provenientes.

Este Deus, na sua condição humana, é frágil. 

Nós somos frágeis, mas podemos ser felizes em Deus de Jesus Cristo.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

L' 8 dicembre, Fatima e i segni della Storia


Dall'addio dei sovietici a Vienna alla bandiera europea 

e alla fine dell'Urss: una serie di enigmatiche coincidenze

Anche il Corriere ha ricordato, con una pagina intera, i vent'anni da quanto successe in una dacia a Viskuli, nella foresta di Pushcha, in Bielorussia. I primi presidenti eletti democraticamente dalle tre repubbliche slave dell'Urss - Russia, Ucraina, Bielorussia - firmarono il documento che sanciva «la cessazione dell'Unione Sovietica in quanto entità statale» e lo smembramento del primo Stato comunista della storia. Una decisione imprevista, non soltanto dai soliti «esperti», ma anche dagli stessi protagonisti dell'incontro. Ciò che si voleva non era la fine dell'Urss ma un patto federale rinnovato. E invece, pochi giorni dopo, la notte di Natale, la bandiera rossa con la falce e martello era ammainata per sempre dalla cupola più alta del Cremlino e al suo posto risaliva il tricolore dell'impero di Pietro il Grande. La firma del russo Eltsin, dell'ucraino Kravchuk e del bielorusso Shushkevic sul documento in cui la seconda potenza mondiale decideva di suicidarsi fu apposta l'8 dicembre del 1991. Era il giorno della ricorrenza liturgica dell'Immacolata Concezione.
Come impedire ai credenti di pensare alle parole della Signora di Fatima, parole pronunciate nel 1917, in perfetta coincidenza con la presa del potere da parte di Lenin? «La Russia spanderà i suoi errori nel mondo, provocando guerre e persecuzioni contro la Chiesa. I buoni saranno martirizzati, il Santo Padre avrà molto da soffrire, intere nazioni saranno annientate». Ma, aveva concluso l'Apparizione davanti ai tre bambini che ignoravano persino la parola Russia, «ma alla fine il mio Cuore Immacolato trionferà». La fine annunciata nel 1917 dall'Immacolata giungeva, non solo nel «suo» giorno, ma alla vigilia dei 70 anni dalla fondazione ufficiale dell'Urss. Qui i credenti potevano pensare al Salmo 90: «Settanta sono gli anni dell'uomo...». E settanta pure la massima durata delle opere dell'uomo, se fondate sulla persecuzione di ogni religione. E che dire del simbolismo, sin troppo esplicito, di quella bandiera del primo Stato ufficialmente ateo della storia ammainata dal Cremlino, davanti alle televisioni del mondo, nel giorno in cui il calendario gregoriano, seguito dalla maggioranza dei cristiani, celebra la nascita di Cristo?
La bandiera dell’Unione europea, dodici stelle d’oro su sfondo azzurro, fu disegnata dal belga Arsène Heitz e venne adottata l’8 dicembre 1955La bandiera dell’Unione europea, dodici stelle d’oro su sfondo azzurro, fu disegnata dal belga Arsène Heitz e venne adottata l’8 dicembre 1955
Come è giusto - nella prospettiva del Dio biblico che si rivela e al contempo si cela, lasciando alla libertà dell'uomo la scelta tra l'accoglienza e il rifiuto - com'è giusto, dunque, se i credenti vedono qui dei «segni», per gli increduli ci sono solo coincidenze. Coincidenze che, però, sembrano attirate da quell'enigmatico 8 di dicembre. Si veda quell'altra storia davvero singolare della bandiera europea. Il Consiglio d'Europa indisse nel 1950 un concorso internazionale per un vessillo del Continente. Parteciparono centinaia di artisti e di grafici ma i bozzetti, i più numerosi, che contenevano una croce furono bocciati dai socialisti e dai laicisti in genere. Soltanto nel 1955 la commissione, presieduta da Paul Lévy, un ebreo, si decise per una bandiera azzurra con al centro 12 stelle d'oro disposte in cerchio. L'idea piacque, tanto che nel 1986 lo stendardo fu adottato come ufficiale anche dalla Comunità Europea, cambiando solo in argento l'oro delle stelle. Ci fu sconcerto, però, e rammarico, in molti, quando si conobbe il retroscena: l'autore era Arsène Heitz, un grafico belga poco noto, devoto mariano fervente. L'azzurro è il colore della Vergine e le stelle sono quelle che circondano il capo della Donna dell'Apocalisse in cui la Tradizione riconosce Maria. Quanto al dodici, è quello delle dodici tribù di Israele, dei dodici apostoli e delle dodici stelle che stanno sulla Medaglia Miracolosa voluta nel 1830 dalla Vergine stessa e che Heitz portava sempre al collo, da buon devoto. Ma c'è di più, visto che per la firma solenne del documento che adottava la bandiera, nel 1955, si cercò una data che convenisse a tutti i politici che venivano a Strasburgo dall'Europa intera. Nessuno, al Consiglio, si accorse che il giorno prescelto non era come gli altri, per i credenti: era, infatti, pure qui, l'8 dicembre. E la Medaglia che era servita da modello al grafico porta incisa una invocazione proprio all'Immacolata Concezione.
I sovietici lasciarono Vienna dopo 10 anni di occupazione il 13 maggio 1955 riconoscendo l’indipendenza dell’AustriaI sovietici lasciarono Vienna dopo 10 anni di occupazione il 13 maggio 1955 riconoscendo l’indipendenza dell’Austria
Vediamo un altro caso, tra i molti possibili, di coincidenza per alcuni, di segno per altri. Un caso in cui la storia dell'Urss si intreccia ancora una volta con Fatima. Nel 1945 Mosca aveva ottenuto la zona più importante, quella di Vienna, delle quattro in cui era stata divisa l'Austria dagli alleati. Il ministro degli Esteri sovietico, Molotov, disse e ripetè che Mosca mai si sarebbe ritirata da ciò che aveva occupato e tutti si aspettavano che, come a Praga, i comunisti organizzassero un colpo di Stato per andare da soli al potere nell'intera Austria. Le stesse cancellerie occidentali sembravano rassegnate. Ma non si rassegnò un francescano, padre Petrus che, tornato dalla prigionia proprio in Urss, andò in pellegrinaggio nel santuario nazionale austriaco, a Mariazell. Lì fu sorpreso da una voce interiore che gli disse: «Pregate tutti il Rosario e la vostra Patria sarà salva». Buon organizzatore, padre Petrus promosse una «Crociata nazionale del Rosario», nello spirito esplicito di Fatima, che in breve tempo raccolse milioni di austriaci, compreso lo stesso Cancelliere, Leopold Figl. Giorno e notte, grandi masse si riunivano nelle città e nelle campagne, recitando la corona e Vienna era percorsa da imponenti processioni, sorvegliate con ostilità, nel suo settore, dall'Armata Rossa. Gli anni passarono senza che l'occupazione cessasse, per l'ostinazione russa, ma il popolo non si stancava di pregare.
Il 25 dicembre 1991 la bandiera rossa con la falce e martello fu ammainata per sempre dalla cupola più alta del CremlinoIl 25 dicembre 1991 la bandiera rossa con la falce e martello fu ammainata per sempre dalla cupola più alta del Cremlino
Ed ecco che, nel 1955, l'Urss comunicò di essere disposta a ridare all'Austria l'indipendenza, in cambio della neutralità. I governi occidentali furono colti di sorpresa da una decisione inaspettata e unica, sia prima che dopo: mai, come aveva ricordato Molotov, mai, l'Urss accettò di ritirarsi spontaneamente da un Paese occupato. Ma non si sorpresero coloro che da anni pregavano per la «Crociata del Rosario»: in effetti la Conferenza internazionale che portò in due giorni al Trattato sulla fine dell'occupazione fu inaugurata, con la dovuta solennità, nell'ex palazzo imperiale di Vienna il 13 maggio. L'anniversario, cioè, della prima apparizione di Fatima.
Vittorio Messor

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cavalo de Guerra


No ano em que adaptou a obra de Hergé ao grande ecrã, Steven Spielberg lançou-se a nova obra cruzando uma incrível aventura com uma forte mensagem no género humano.
“Cavalo de Guerra” é um drama ambientado na Primeira Guerra Mundial e traz-nos à cabeça a história de Joey, um heroico cavalo que cruza os mais adversos cenários bélicos e geográficos desde que em 1914 é vendido numa feira de Devon, ao modesto quinteiro Narracott, até que cai em pleno campo de batalha francês, entre trincheiras inglesas e alemãs...
Não faria tanto sentido o filme versar apenas sobre o belíssimo  equídeo senão integrasse diversas histórias que, todas juntas, compõem uma clara mensagem: no caso, uma mensagem de esperança na capacidade dos homens de transpor disputas mais e menos pessoais de modo a concorrer para um bem comum. Aqui simbolizado na vida de Joey.
Assim, não é apenas a incrível resiliência de Joey que o faz sobreviver mas igualmente os vários gestos de amor de cada pessoa por quem passa para consigo. E é nesto sentido que “Cavalo de Guerra” deixa de ser a história dum animal heroico para passar claramente a ser uma história de pessoas heroicas, muito mais habilitadas para o bem que une que para o mal que divide.
Postas as inequívocas qualidades temáticas da obra, o filme apresenta na sua conceção original um enorme desafio: levar-nos a percorrer duas horas e meia de viagem à garupa de um cavalo conseguindo interessar-nos equitativa e equilibradamente por cada pequeno enredo que compõe a totalidade da história. Um desafio muito mais difícil do que as palavras parecem sugerir e que deixa algumas reservas quanto ao resultado final... tecnicamente o filme vive muito bem do bom trabalho fotográfico e de uma justa realização, mas não é aposta ganha na gestão do argumento.
Apesar de entrar na corrida aos Oscars como potencial candidato a melhor filme e desta ultimamente trazer surpresas, é provável que Spielberg, com todo o mérito da mensagem que passa, deixe a um dos pares o podium da noite da academia.
Margarida Ataíde

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Tempo e prioridades…


Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavra, pegou num frasco grande e vazio de maionese e começou a enchê-lo com bolas de golfe.
A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio.
Todos estiveram de acordo em dizer que "sim".

O professor então pegou numa caixa de fósforos e esvazio-a dentro do frasco de maionese.
Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe.
O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que "sim".

Logo, o professor pegou uma caixa de areia e vazou-a dentro do frasco.
Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor questionou novamente se o frasco estava cheio.
Os alunos responderam-lhe com um "sim" retumbante.

O professor em seguida adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco e preencheu todos os espaços vazios entre a areia.
Os estudantes riram-se nesta ocasião.

Quando os risos terminaram, o professor comentou:
- "Quero que percebam que este frasco é a Vida.
As bolas de golfe são as coisas importantes - a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos, as coisas que vos apaixonam. São coisa que mesmo que perdêssemos tudo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia.
Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro, etc.
A areia é tudo o resto, as pequenas coisas. Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe.
O mesmo ocorre com a Vida. Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes.
Presta atenção às coisas que realmente importam.
Estabelece as tuas prioridades... e o resto é só areia."

Um dos estudantes levantou a mão e perguntou: - "Então e o que representa o café?".
O professor sorriu e disse:
- "Ainda bem que perguntas! Isso e só para lhes mostrar que, por mais ocupada que a vossa vida possa parecer, há sempre lugar para tomar um café com um amigo."


in Povo

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

NEM SÓ DE PÃO VIVE O HOMEM

Tenho amigos meus que são membros e militantes da CDU e são cristãos empenhados na Igreja...
A confusão continua, e agora com Ricardo Sá Fernandes, neste mundo sem coluna vertebral, onde os valores são confusos...


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Declaração sobre a maçonaria – Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé - 26.11.1983 (v. L’Osservatore Romano de 26.11.83)<>

“ (...) Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.
Não corresponde às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçónicas com um juízo que implique derrogação de quanto acima estabelecido e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação, de 17 de Fevereiro de 1981 (cf. AAS 73, 1981, p.240-241). (...)”
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A desassombrada declaração de interesses de Ricardo Sá Fernandes no jornal Público de hoje, de que é cristão e maçon e de que se assume como católico, vem com erro.
Quem diz acreditar na ressurreição de Jesus Cristo como filho de Deus não pode ser maçon, visto que a maçonaria nega nos seus pressupostos e sempre no seu pensamento e na sua acção, o Deus que se revela pessoalmente: o Deus humanado que vem servir e não ser servido, que padeceu, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia e que fundou a Igreja una, santa, católica e apostólica.
Grande confusão de Sá Fernandes, portanto, a induzir confusão.
Ou se é maçon, o que é uma pena, ou se é católico.

Miguel Alvim
Advogado

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Impostos nos Países Baixos

Estamos saturados de manhosos, desconfiados de moralistas, estamos sem ídolos, sem heróis, estamos encandeados pelos faróis dos que saltam para o lado do bem para escapar à turba contra o mal. Quando apanhamos, abocanhamos. Estraçalhamos. Somos uma multidão furiosa. Às vezes, erramos. A família Soares dos Santos não está a fugir aos impostos. Mesmo se vai fugir ao País. 

Só há um antídoto contra a especulação: a informação. É assustador ver tanta opinião instantânea sobre o que se desconhece. A sede de vingança tomou o lugar da fome de justiça. O problema não está na rua, nas redes sociais, nas esquinas dos desempregados. Está em quem tem a obrigação de saber do que fala. Do Parlamento, de Ana Gomes, de António Capucho, dos que pedem boicotes ao Pingo Doce(para comprar onde, já agora? No Continente da Sonae que tem praças na Holanda? No Lidl, que as tem na Alemanha?).

A decisão da família Soares dos Santos pode ser criticada mas não pelas razões que ontem se ouviu. A Jerónimo Martins não vai pagar menos impostos. E a família que a controla também não - até porque já pagava poucos.

Uma empresa tem lucro e paga IRC; depois distribui lucro pelos accionistas, que pagam IRC (se forem empresas) ou IRS (se forem particulares). Neste caso, a Jerónimo continua a pagar o mesmo IRC em Portugal (e na Polónia); o seu accionista de controlo, a "holding" da família Soares dos Santos, transferiu-se para a Holanda. Por ter mais de 10% da Jerónimo, essa "holding" não pagava cá imposto sobre os dividendos e continuará a não pagar lá. Já quando essa "holding" paga aos membros da família, cada um pagaria 25% de IRS cá - e pagará 25% lá. Com uma diferença: 10% são para a Holanda, 15% para Portugal.

Porque tomou a família uma decisão que, sendo neutra para si, prejudica o Estado português? Pela estabilidade e eficácia fiscal de lá, que bate a portuguesa. Pelo acesso a financiamento, impossível cá. E porque a família tem planos de crescimento que não incluem Portugal. 

Aqueles que se escandalizaram ontem deviam ter-se comovido também quando, há um par de meses (como aqui foi escrito), a Jerónimo anunciou como iria investir 800 milhões de euros em 2012: 400 milhões da Colômbia, 300 na Polónia... e 100 milhões em Portugal. Isto sim, é sair de Portugal. E quando a Jerónimo investir na Colômbia, provavelmente vai fazê-lo também através da Holanda, onde se paga menos. Estes são problemas diferentes dos que ontem foram enunciados: a falta de atracção de investimento de Portugal; e a instabilidade fiscal, que muda leis como quem muda de camisa, afastando o capital.

A família Espírito Santo tem sede no Luxemburgo. Belmiro lançou a OPA à PT a partir do Holanda. O investimento estrangeiro é feito de fora. Isabel dos Santos investe na Zon a partir de Malta. Queiroz Pereira tem os activos estrangeiros separados de Portugal. António Mota desabafa há dias que pode ter de criar uma sede fora de Portugal só para que a banca lhe empreste dinheiro. E a família Soares dos Santos tem um plano que não nos contou mas que ainda nos vai surpreender - feito com bancos estrangeiros e a partir da Holanda, que é uma plataforma fiscal mais favorável à internacionalização para fora do espaço europeu, uma vez que não há dupla tributação da Holanda para e do resto do mundo.

O que custa a engolir não é que Soares dos Santos tenha cortado o passado com Portugal, esse mantém-no e continua a pagar impostos. É que tenha cortado o futuro. É que tenha decidido investir fora daqui porque aqui não tem por onde crescer, para procurar lucros fora de Portugal, criar postos de trabalho fora de Portugal e, então sim, pagar impostos desse futuro fora de Portugal. Pensando bem, esse é um grande problema e é um problema nosso. Mas investir fora do País não é traição. É apenas desistir dele. E a Jerónimo já partiu para a Polónia há muitos, muitos anos - ou ninguém reparou?


Pedro Santos Guerreiro, in Jornal de Negócios

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Deus e a Crise



Vivemos na primeira civilização ateia, que perdeu a conexão com o infinito e a eternidade”. São palavras de Vaclav Havel, recordadas por Jorge Almeida Fernandes no “Público”. Para Havel, isso implica preferir o ganho a curto prazo e ter a ideia arrogante de que tudo sabemos ou viremos a saber.

Para este “meio crente”, que não aderia a uma religião revelada, era essencial o sentido de transcendência. E Havel considerava “incrivelmente míope” o homem poder esquecer que não é Deus.

Entretanto, nas palavras que dirigiu aos cardeais da Cúria, antes do Natal, Bento XVI uma vez mais apontou a crise ética como raiz da actual crise económica e fi nanceira da Europa. É verdade que há muitos valores compartilhados. “Todavia, falta muitas vezes a força capaz de motivar o indivíduo e os grandes grupos sociais a abraçarem renúncias e sacrifícios”.

Acrescentou o Papa: “onde se torna predominante a dúvida sobre Deus acaba inevitavelmente por seguir-se a dúvida sobre o meu ser homem”. Porque “só a fé me dá esta certeza: é bom existir como pessoa humana, mesmo em tempos difíceis”.


Francisco Sarsfield Cabral
Jornalista