segunda-feira, 29 de junho de 2009

Génios...

Por trás de um artista muito maior do que a sua arte, esconde-se uma pessoa doente, perturbada, atrofiada por uma vida que nunca consegue controlar...

Será Michael Jackson um tal artista?
Houve uuma altura em que Michael Jackson teve o mundo a seus pés.
Houve outra em que o mundo o espezinhou.
Agora que morreu, e como é normal neste mundo, ele presta-lhe novamente vassalgem.

Apesar de raramente se olhar para as letras das canções compostas por M. Jackson, a verdade é que a sua Verdade sempre se escondeu nelas. Se as lermos bem, os motes principais das suas canções eram a culpa, o pecado, a dúvida, a libertação, a redenção, a dicotomia entre o Bem e o Mal; um pouco - estranhamente - à semelhança de muitas letras do nosso António Variações.
Eram letras de uma mente perturbada, por inúmeros fantasmas e saídas de um génio, ele Jackson, absoluto.

É sabido, todos os génios, daqueles génios grandes e verdadeiros e únicos, são almas perturbadas : se nos cingirmos apenas à música, Mozart e Satie, Robert Johnson e Chet Baker, Janis Joplin e Fela Kuti, Nick Drake e Jim Morrison, Syd Barrett e Ian Curtis, Tom Zé e Kurt Cobain fazem o mapa possível de uma genialidade que se cruzou muitas vezes com a loucura, as dorgas, os desvios de caracter e comportamentais, o suicídio ou a morte em condições estranhas, que culmina agora com a morte de Michael Jackson.

Podemos percorrer a lista de génios em outras áreas, de filosofia, literatura, ciência e até da religião (grandes Santos...).

Nascido para a música profissional, Michael rapidamente percebeu qual era a essência da soul, a música que cantava ao lado dos seus irmãos nos Jackson 5: uma música feita em doses quase iguais de gospel (a música de Deus) e de rock'n'roll (a música do Diabo).

Jackson criou um corpus autoral único e absolutamente original, deixando marca única, na música popular do último século.


(fonte de informação, Anjos&Demónios / António Pires, in jornal I (suplemento))

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