Fui ouvir uma pequena palestra, proferida pela Ir. Ângela, cujo tema foi: Bento XVI em Fátima: crise actual à luz da mensagem de Fátima.
As aparições são filhas da crise, e realmente vejo isso em Salette, em Lourdes, em Pontman, em Fátima, em Beauring, em Banneux...
A Ir. Ângela ajudou-me a mergulhar em algumas das características da crise actual, focando o super-individualismo, a ausência de referências exteriores, o relativismo, a ausência de motivação e ausência de sentido.
Estas características foram contrapostas com os aspectos que trazem a mensagem de Fátima, como a centralidade de Deus, a referência externa ausente na sociedade actual, bem como um relativismo que impera, onde só conta o individuo em si, na sua hierarquia individualista.
Um outro aspecto, é o compromisso. Hoje sentimos que a sociedade em geral foge do compromisso. Este passa pelo que Deus quer de mim, em cada momento. "O que Deus quer é o que eu tenho de impõr a mim mesmo para cumprir a vontade de Deus", no meu estado de casado, ou de consagrada, ou de sacerdote, ou de celibatária(o) no mundo, ou ou ou...
O sentir-se amados conduz-nos para todo o lado, podemos tudo. Eis a motivação de um cristão : sentir-se amados de Deus. Numa sociedade onde impera a ausência de motivação, ser cristão motivado, marca a diferença.
Outra ausência na sociedade actual é o de sentido. Em Fátima, esse sentido é a santidade, o céu. Vemos nas crianças, em especial na Jacinta Marto, que tem o seu sentido de vida: o céu.
"A Senhora da Mensagem parece ter, com uma perspicácia singular, os sinais dos tempos, os sinais do nosso tempo" (João Paulo II)
"Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará", é a causa da nossa esperança.
Nestes tempos conturbados, é bom ouvir estas boas novas e sermos interpelados de como estamos a ser cristãos hoje.
domingo, 18 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Martires hoje!
Por se negarem a converter-se ao Islão, um casal cristão foi alvo de brutal violência por parte de extremistas muçulmanos, que aparentemente agiram com o apoio de polícias. O homem, Arshed Masih, foi queimado vivo e sua esposa, Martha Masih, violentada, enquanto seus três filhos, com idades entre 7 e 12 anos, foram obrigados a assistir a seus pais serem brutalizados.
O terrível episódio ocorreu no dia 19 de Março em Rawalpindini, próximo da capital paquistanesa Islamabad, na propriedade de Sheikh Mohammad Sultan, um empresário muçulmano rico, para quem Arshed e Martha Masih trabalhavam.
Segundo a AsiaNews, em Janeiro líderes religiosos fundamentalistas e Mohammad Sultan impuseram a conversão forçada de toda família Masih ao Islão. Diante de sua recusa, os extremistas prometeram-lhes “terríveis consequências”.
Em razão das ameaças, Arshed Masih manifestou sua intenção de deixar a propriedade de seu empregador com a sua família, mas Sultan prometeu “matá-lo” caso tentasse.
Na semana passada, as tensões acirraram-se quando Mohammad Sultan accionou a polícia para reportar o suposto roubo de 500 mil rúpias (cerca de 6 mil dólares) da sua casa, acusando a família Masih de envolvimento e exigindo, mais tarde, que se convertessem para que a queixa fosse retirada. Mais uma vez, o casal recusou-se.
Na sexta-feira passada, o casal foi finalmente atacado por um grupo de extremistas que, de acordo com fontes locais, incluía diversos polícias. Enquanto parte do grupo ateava fogo ao corpo de Masih, alguns dos oficiais de polícia violaram Martha.
Arshed, de 38 anos, permanece internado em estado gravíssimo no hospital da Sagrada Família de Rawalpindi, onde também se encontra a sua esposa Martha. Ele tem mais de 80% do corpo queimado e, segundo os médicos, “tem poucas chances de sobreviver”.
O governo da província de Punjab ordenou uma investigação sobre o ocorrido. “Os culpados serão presos”, garantiu Rana Sanaullah, ministro da justiça do governo local.
Após o crime, diversas manifestações de protesto por parte da comunidade cristã foram registadas nos arredores de Rawalpindi e Lahore.
Que testemunho hoje, nesta sociedade portuguesa e mundial onde nos inserimos, onde sentimos os valores cristãos, muito "humanos", atacados?
O terrível episódio ocorreu no dia 19 de Março em Rawalpindini, próximo da capital paquistanesa Islamabad, na propriedade de Sheikh Mohammad Sultan, um empresário muçulmano rico, para quem Arshed e Martha Masih trabalhavam.
Segundo a AsiaNews, em Janeiro líderes religiosos fundamentalistas e Mohammad Sultan impuseram a conversão forçada de toda família Masih ao Islão. Diante de sua recusa, os extremistas prometeram-lhes “terríveis consequências”.
Em razão das ameaças, Arshed Masih manifestou sua intenção de deixar a propriedade de seu empregador com a sua família, mas Sultan prometeu “matá-lo” caso tentasse.
Na semana passada, as tensões acirraram-se quando Mohammad Sultan accionou a polícia para reportar o suposto roubo de 500 mil rúpias (cerca de 6 mil dólares) da sua casa, acusando a família Masih de envolvimento e exigindo, mais tarde, que se convertessem para que a queixa fosse retirada. Mais uma vez, o casal recusou-se.
Na sexta-feira passada, o casal foi finalmente atacado por um grupo de extremistas que, de acordo com fontes locais, incluía diversos polícias. Enquanto parte do grupo ateava fogo ao corpo de Masih, alguns dos oficiais de polícia violaram Martha.
Arshed, de 38 anos, permanece internado em estado gravíssimo no hospital da Sagrada Família de Rawalpindi, onde também se encontra a sua esposa Martha. Ele tem mais de 80% do corpo queimado e, segundo os médicos, “tem poucas chances de sobreviver”.
O governo da província de Punjab ordenou uma investigação sobre o ocorrido. “Os culpados serão presos”, garantiu Rana Sanaullah, ministro da justiça do governo local.
Após o crime, diversas manifestações de protesto por parte da comunidade cristã foram registadas nos arredores de Rawalpindi e Lahore.
Que testemunho hoje, nesta sociedade portuguesa e mundial onde nos inserimos, onde sentimos os valores cristãos, muito "humanos", atacados?
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Há jornalistas que marcam...
Ser cristão é estar no mundo, mas não ser no mundo.
Encontrar esta consciência entre os profissionais de informação é raro. Contudo há gente que marca.
Inundados constantemente e ao minuto por informações e notícias tão variadas, veiculadas pelos diversos orgãos de informação (televisão, rádio, jornais, internet), necessita-se ter critério de selecção tanto da parte receptora, como da emissora.
No mundo dos mass-media, a concorrência é feroz e devido a isso, os que pertencem a este meio ultrapassam os limites razoáveis do que é informar.
Não admira que surjam vozes a alertar para esses limites. Desta vez foi o bispo, D. Ilídio Leandro. Ele afirmou que "alguma comunicação social anda, permanentemente, a tentar descobrir o que corrompe, o que escraviza, o que escandaliza e envergonha, o que mata... Alguma infomação parece que prefere descobrir, na vida das pessoas, das instituições e da sociedade em geral, um mar de lama e de podridão... Convido e desafio todos os profissionais dos media a voltarem o seu interesse e a prestarem mais atenção ao que liberta, ao que purifica, ao que dignifica, ao que ajuda a dar vida nova e vida feliz, também àqueles que, por qualquer razão, caíram mas querem levantar-se... Todos ganhávamos e o mundo seria melhor e o futuro teria mais esperança..."
Raquel Abecassis é uma jornalista da Rádio Ranascença. Fiquei a conhecer num serão destes. Tem na vida esta pequena frase que leva para o seu trabalho: "Cristo resulta!É mais eficaz!"
E mais algumas reflexões partilhadas...
Perante a realidade, ou há uma atitude de pretença imparcialidade - o que é falso, porque acabam por afastar da realidade -, ou há uma atitude de deixar ser provodado pela mesma realidade e tomar a respectiva posição. Esta atitude é a que advogo.
No jornalismo, como na vida, há dois caminhos a percorrer, ou sabemos o que queremos ou somos escravos do poder.
Repito o lema da vida desta jornalista, Cristo resulta!É mais eficaz!
terça-feira, 23 de março de 2010
Ser Igreja hoje, no silêncio do coração...
"Somente o amor é digno de combater a morte. Enquanto vivermos, o que conta é amar os outros, aceitar ser amados e renovar o nosso amor"
Enzo Bianchi, prior do mosteiro de Bose (Itália)
Alguns traços de uma sua entrevista...
"No ecumenismo existe um sopro irreversível, apesar de existir também quem no interior das Igrejas trabalhe contra a unidade, como uma ideologia de clã talvez de tipo tribal, [...] Identidades construídas sem os outros e contra os outros."
"A caridade deve ser sempre inteligente. Sabemos que os pobres vão para onde há pão, e não é o pão que vai para onde estão os pobres."
"A vida interior existe em cada pessoa. Pode ser absolutamente cultivada por todos, crentes e não crentes, fiéis e infiéis."
No mundo actual, "existe tal quantidade de sons, estrondos e mensagens que tornam quase impossível o silêncio. Este causa-nos angústia. Mas, é o lugar onde nasce a palavra verdadeira [...] É uma exigência antropológica antes que cristã [...] É uma mensagem: do silêncio destilamos a autenticidade das palavras. O silêncio traz-nos uma grande paz, diminui a nossa agressividade e muda o nosso olhar sobre os outros".
"Encontrar tempo para estar sós e pensar: tudo o que se faz com os outros, adquire uma qualidade e força diversa, depois."
"O grande drama dos homens é não encontrarem meia hora de silêncio por dia" (Pascal)
"Um verdadeiro crente diz sobretudo, "fala, Senhor, que o teu servo escuta", e não diz, "escuta, Senhor, que teu servo fala". [...] Há um ponto interior, aquele que a Bíblia chama simbolicamente de coração, o profunda da nossa profundeza, no qual devemos acolher a voz de Deus. Então posso iniciar um verdadeiro diálogo."
"A minha vida decide-se agora. Qualquer fragmento do meu tempo é fundamental para minha vida, que está uma só vez no tempo. E o tempo tem um fim, a morte vencida para sempre pela vida e pelo amor."
"o perdão é o amor até ao inimigo [...] Deus misericordioso não nos pedirá contas com severidade daquilo em que tenhamos podido falhar para com Ele. Mas, daquilo que tenhamos falhado em relação aos irmãos, ser-nos-ão pedidas contas de maneira muito precisa. O dia do juízo faz parte do credo cristão e é um fundamento de fé."
Findo repetindo nestes momentos únicos da minha vida, lendo estas linhas,"fala, Senhor, que o teu servo escuta!"
Enzo Bianchi, prior do mosteiro de Bose (Itália)
Alguns traços de uma sua entrevista...
"No ecumenismo existe um sopro irreversível, apesar de existir também quem no interior das Igrejas trabalhe contra a unidade, como uma ideologia de clã talvez de tipo tribal, [...] Identidades construídas sem os outros e contra os outros."
"A caridade deve ser sempre inteligente. Sabemos que os pobres vão para onde há pão, e não é o pão que vai para onde estão os pobres."
"A vida interior existe em cada pessoa. Pode ser absolutamente cultivada por todos, crentes e não crentes, fiéis e infiéis."
No mundo actual, "existe tal quantidade de sons, estrondos e mensagens que tornam quase impossível o silêncio. Este causa-nos angústia. Mas, é o lugar onde nasce a palavra verdadeira [...] É uma exigência antropológica antes que cristã [...] É uma mensagem: do silêncio destilamos a autenticidade das palavras. O silêncio traz-nos uma grande paz, diminui a nossa agressividade e muda o nosso olhar sobre os outros".
"Encontrar tempo para estar sós e pensar: tudo o que se faz com os outros, adquire uma qualidade e força diversa, depois."
"O grande drama dos homens é não encontrarem meia hora de silêncio por dia" (Pascal)
"Um verdadeiro crente diz sobretudo, "fala, Senhor, que o teu servo escuta", e não diz, "escuta, Senhor, que teu servo fala". [...] Há um ponto interior, aquele que a Bíblia chama simbolicamente de coração, o profunda da nossa profundeza, no qual devemos acolher a voz de Deus. Então posso iniciar um verdadeiro diálogo."
"A minha vida decide-se agora. Qualquer fragmento do meu tempo é fundamental para minha vida, que está uma só vez no tempo. E o tempo tem um fim, a morte vencida para sempre pela vida e pelo amor."
"o perdão é o amor até ao inimigo [...] Deus misericordioso não nos pedirá contas com severidade daquilo em que tenhamos podido falhar para com Ele. Mas, daquilo que tenhamos falhado em relação aos irmãos, ser-nos-ão pedidas contas de maneira muito precisa. O dia do juízo faz parte do credo cristão e é um fundamento de fé."
Findo repetindo nestes momentos únicos da minha vida, lendo estas linhas,"fala, Senhor, que o teu servo escuta!"
quarta-feira, 17 de março de 2010
Recordação

Foi à 20 anos.
Estava com um grupo de adolescentes, quando irrompem à porta e anunciam:
«Teus pais tiveram um grave acidente. Estão mal.»
Morreram nesse acidente, na tarde de sábado, 17 de Março de 1990.
Do sonho à realidade passou-se dias, meses, anos.
Hoje recordo-os, porque sinto ainda falta deles! Uma palavra amiga como tantas vezes eles me davam...
Deixo, ao recordá-los, umas linhas escritas por eles, em 10 de Dezembro de 1988,que estão dentro do espírito da Quaresma que estamos a viver:
"Odiar os defeitos, mas amar as pessoas que têm esses defeitos.
O especifivo do leigo cristão é viver na família, no trabalho.
Para desenvolver a espiritualidade laical, existe um meio, a oração.
A melhor forma de oração é a virtude.
Para a oração pessoal, temos que arranjar tempo e disponibilidade. Santo é aquele que cai e se levanta." (in Apontamentos, casal Serôdio)
São saudades! Prometo que, de vez em quando, vou deixar algumas das suas pinceladas, na sua caminhada terrena para o céu.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Pinceladas para o futuro...
Decorreu no passado dia 13 de Março, um encontro, cuja temática foi, Portugal Abaixo dos quarenta: sonhando uma história do futuro.
N’Uma nova palavra, um novo olhar, com a presença do Pe. José Tolentino Mendonça, Ricardo Araújo Pereira e Joana Carneiro, deixam-se algumas pinceladas dos três, na sua ordem inversa.
“A minha profissão é música, toco a Orquestra”. É “brutal” aprender estas coisas: o de dirigir.
Praticar em conjunto é complexo, exige uma aprendizagem contínua, onde se inclui a disciplina. Esta não é exclusiva à música, mas extravasa para outras áreas.
É um exercício contínuo de dar e receber. Saber dar e receber, e ir ao encontro daquele que se lhe apresenta.
Sozinha, não consigo fazer nada.
Cada interveniente na orquestra tem o seu tempo único. Os músicos que compõem a orquestra querem ser inspirados. Isso é liderar. Confiança, fé e imaginação são elementos para superar as dificuldades.
Há uma beleza constante à nossa volta; o difícil torna a vida muito melhor; “…que sorte fazer parte desta criação”
A música é um meio de alcançar o não terreno.
Hoje é um insulto para mim pensar pela positiva, pois foco a negativa.
Tomo o pequeno poema de Idília Lopes, que é a metáfora da minha vida: “os meus gatos gostam de brincar com as minhas baratas”.
O riso ou comédia distorce a realidade de forma grotesca, mas devolve-a com maior claridade.
O meu trabalho consiste em identificar leopardos (citando um aforismo de Kafka).
Olho a realidade com espanto naquilo que as pessoas são.
Sonho um país em que todos chegam a mestres.
Cito Idília Lopes, tal como Ricardo Pereira, “Eu sou uma obra dos outros”
Vemos Deus um olhar que completa o que se cria, “e viu que tudo era bom!”
“O mais difícil do olhar, é o óbvio”, Óscar Wilde
O nosso olhar só cresce, se sair para fora de si. A conquista da exterioridade é o primeiro passo para a conquista de si. A cura é um processo. O Olhar é um processo, requer um caminho para a perfeição do mesmo olhar.
A percepção adquire-se nos outros. A sinceridade como elemento central deste processo, para que o olhar, o verdadeiro olhar aconteça.
No meio deste leque de pinceladas desconexas, finda-se com este pensamento:
“É o momento de os cristãos viverem na fantasia da realidade”
domingo, 7 de março de 2010
Sinais de Deus
Tempo de quaresma, tempo de conversão, de mudança, de metanoia, de recomeçar...
Inseridos no mundo, atentos aos sinais de Deus, procuramos caminhar num contínuo recomeçar...
Há sinais que não compreendemos. Podemos tentar lê-los e interpretá-los...
Hoje estava na eucarístia e ouvia o evangelho e o Jesus dizia aos presentes:
«Julgais que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus, por terem assim sofrido? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos igualmente. E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos da mesma forma.»
Acontecimentos da altura, sempre presentes hoje no Haiti, na Madeira, no Chile... nas estradas portuguesas.
Veio-me à memória um texto do Pe. Anselmo Borges, cujo titulo, Haiti: onde estava Deus? Muitos ainda gritam e gritaram ao longo da história, onde estava Deus no Gólgota?, onde estava Deus no terramoto de Lisboa (em 1755), no maremoto da Indonésia?, onde estava Deus em Auschwitz?..
Cremos que o mal é também um mistério que dificilmente encaixa na imagem deDeus omnipotente e misericordioso, sobretudo se traduz em sofrimento dos pobres e inocentes.
Deus não é neutral, está também nessses acontecimentos ao longo da história. Podemos e devemos todos tornar-nos presentes...
O Haiti, Madeira, Chile, Auschwitz personificam hoje os povos crucificados; todos temos de mudar, e a referência de Deus de Jesus há-de ser "o grande acicate de justiça e solidariedade" num mundo cuja ordem internacional "está montada sobre a concentração da riqueza em 20% da humanidade e o desamparo de boa parte dela"
De facto não compreendemos muitas vezes os sinais de Deus, porque estamos mergulhados em demasia neste mundo, ao qual não pertencemos.
Dizia Santo Agostinho, criste-nos para Vós, e não descansamos enquanto não reposármos em Vós"
Boa Quaresma!
Inseridos no mundo, atentos aos sinais de Deus, procuramos caminhar num contínuo recomeçar...
Há sinais que não compreendemos. Podemos tentar lê-los e interpretá-los...
Hoje estava na eucarístia e ouvia o evangelho e o Jesus dizia aos presentes:
«Julgais que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus, por terem assim sofrido? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos igualmente. E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos da mesma forma.»
Acontecimentos da altura, sempre presentes hoje no Haiti, na Madeira, no Chile... nas estradas portuguesas.
Veio-me à memória um texto do Pe. Anselmo Borges, cujo titulo, Haiti: onde estava Deus? Muitos ainda gritam e gritaram ao longo da história, onde estava Deus no Gólgota?, onde estava Deus no terramoto de Lisboa (em 1755), no maremoto da Indonésia?, onde estava Deus em Auschwitz?..
Cremos que o mal é também um mistério que dificilmente encaixa na imagem deDeus omnipotente e misericordioso, sobretudo se traduz em sofrimento dos pobres e inocentes.
Deus não é neutral, está também nessses acontecimentos ao longo da história. Podemos e devemos todos tornar-nos presentes...
O Haiti, Madeira, Chile, Auschwitz personificam hoje os povos crucificados; todos temos de mudar, e a referência de Deus de Jesus há-de ser "o grande acicate de justiça e solidariedade" num mundo cuja ordem internacional "está montada sobre a concentração da riqueza em 20% da humanidade e o desamparo de boa parte dela"
De facto não compreendemos muitas vezes os sinais de Deus, porque estamos mergulhados em demasia neste mundo, ao qual não pertencemos.
Dizia Santo Agostinho, criste-nos para Vós, e não descansamos enquanto não reposármos em Vós"
Boa Quaresma!
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
O Deus da beleza e da bondade

Simplesmente deixo um testemunho...
Este é um daqueles dias em que me sinto particularmente “ em baixo “.
Não gosto do lugar onde vivo… não gosto das pessoas com quem me cruzo… não consigo trabalhar num lugar onde me sinta bem… mas percebo que, apesar destas adversidades, neste momento é aqui que Deus me quer…
Dizia eu a Deus, tudo isto, mais uma vez… e dirigindo-me para as aulas quando apareceu um pai com uma criança. Ela estava feliz… falava alto, cantarolava… e sem mais nem menos dirigiu-se para mim, estendeu-me a mão. Apertámos a mão… e ela beijou-ma !
Percebi, naquele momento, que Deus me dava o sinal do Seu Amor por mim… com o pormenor do beijo daquela criança na minha mão.
Não tive tempo para mais nada porque ele continuou o seu caminho. Parecia que tinha a certeza que tinha terminado uma missão. Senti mais uma vez o Amor misericordioso de Deus…
Já não é a primeira vez que isto me acontece!
Sentir o dizer de Deus : “ Eu sei as dificuldades que passas por minha causa. Eu sei que sentes a ausência da tua família, dos teus amigos, da tua rotina, do teu barulho… Eu sei que as pessoas que estão à tua volta têm o dever moral de ser diferentes… Eu sei que muitos não te compreendem e que te acham uma louca ou rebelde, Eu sei tudo isso… mas lembra-te que Eu venci o mundo e tu não és deste mundo “.
Quantas vezes Deus passa por nós e não O vemos? Deus é simples … muito simples … e eu quero ser como Ele…. cada vez mais simples …
Amo-te Deus!
domingo, 14 de fevereiro de 2010
É preciso escutar!
Neste momento em que se fala muito de escutas - Freeport; Face Oculta -, o que menos vemos é escutar.
Saber escutar é um dom. É também um exercício que se vai aperfeiçoando.
Vem isto a propósito, pois chegou-me à mão o texto de D. Carlos de Azevedo.
As escutas, segundo ele, produzem "uma murmuração em cadeia, uma grande baralhada que promete durar, porque o gosto por mexer na porcaria é próprio de alguns animais!"
É necessário criar silêncio, próprio do tempo quaresmal.
Deus é a Palavra, nós somos escuta: e a escuta pressupõe o silêncio, isto é, o despojamento de todas as vozes que nos distraem da escuta, sejam aquelas que partem do nosso coração ou da nossa inteligência, sejam aquelas que entram em nós, usurpando um lugar devido...
É difícil falar de silêncio de um mundo habituado ao barulho. Não é grande prova o silêncio sobre um monte deserto, onde tudo nos convida à harmonia com a terra, o céu, as estrelas, as flores, o vento. Sem o silêncio, o ser humano morre de fome, não de fome de pão, mas de escuta da Palavra do Senhor (Amós 8, 11)
Grande parte das pessoas que se cruzam connosco não se encontram, porque não se escutam. Daí as consequências do seu modo de viver: na superficialidade, na conflitualidade, na critica gratuita... porque não se encontram, não se conhecem e sentem medo de iniciar todo esse processo.
Surge agora a Quaresma. Porque não apostar neste trajecto de escuta do eu, da sua essência, do sentir impelido para o absoluto que é Deus...
(nota: contém excertos do artigo de D. Carlos Azevedo)
Saber escutar é um dom. É também um exercício que se vai aperfeiçoando.
Vem isto a propósito, pois chegou-me à mão o texto de D. Carlos de Azevedo.
As escutas, segundo ele, produzem "uma murmuração em cadeia, uma grande baralhada que promete durar, porque o gosto por mexer na porcaria é próprio de alguns animais!"
É necessário criar silêncio, próprio do tempo quaresmal.
Deus é a Palavra, nós somos escuta: e a escuta pressupõe o silêncio, isto é, o despojamento de todas as vozes que nos distraem da escuta, sejam aquelas que partem do nosso coração ou da nossa inteligência, sejam aquelas que entram em nós, usurpando um lugar devido...
É difícil falar de silêncio de um mundo habituado ao barulho. Não é grande prova o silêncio sobre um monte deserto, onde tudo nos convida à harmonia com a terra, o céu, as estrelas, as flores, o vento. Sem o silêncio, o ser humano morre de fome, não de fome de pão, mas de escuta da Palavra do Senhor (Amós 8, 11)
Grande parte das pessoas que se cruzam connosco não se encontram, porque não se escutam. Daí as consequências do seu modo de viver: na superficialidade, na conflitualidade, na critica gratuita... porque não se encontram, não se conhecem e sentem medo de iniciar todo esse processo.
Surge agora a Quaresma. Porque não apostar neste trajecto de escuta do eu, da sua essência, do sentir impelido para o absoluto que é Deus...
(nota: contém excertos do artigo de D. Carlos Azevedo)
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Jacinta casta...
Neste ano do centenário do nascimento da Jacinta,nasceu a 11 de Março de 1910, ano da implantação da República (5 de Outubro de 1910), hoje tocou-me o seu amor à virtude de pureza, castidade.
Essa faceta encontra-se já em germe nas suas brincadeiras de criança. Numa delas, mandaram a Jacinta dar um beijo a um rapaz. Ela disse logo que não, que preferia dar um beijo a Jesus, na cruz. E concederam-lhe.
A 13 de Outubro de 2004, D. Serafim, na sua homilia, diz que "hoje o mundo está espiritualmente doente e, mais do que nunca, aumentam os pecados e os pecadores; até porque o mal se apresenta como bem, e os vícios são exibidos como virtudes. Há ideologias e doutrinas chamadas New Age que negam a existência de Deus e exaltam o poder humano. Há modas de vestir e de viver que traduzem um modo pagão de viver sem Deus e ofendem muito o coração de Deus, porque reduzem o homem - a obra-prima da sua criação - à uma condição indigna da sua dignidade de filho de Deus. Abundam hoje também os atentados contra a vida, desde as inocentes crianças no seio materno até a eutanásia e há leis civis contra a moralidade matrimonial. Há seitas secretas, cultos satânicos, o terrorismo e poderosos meios de comunicação social que destroem muitos, especialmente os jovens, da atenção que devem dar a Deus e ao próximo."
Sublinho, "há modas de vestir e de viver que traduzem um modo pagão de viver sem Deus e ofendam muito o ocração de Deus, porque reduzem o homem a uma condição indigna da sua dignidade de filho de Deus". Estas palavras mais nos tocam, quando deparamos certas "cenas" em plenos recintos sagrados. Já em muitos sítios, existem panos para quem entra os coloquem nos ombros.
Numa aparição particular a Jacinta, Nossa Senhora dirá que "hão-de vir umas modas que ofenderão a Nosso Senhor"
Um sacerdote do Movimento da Mensagem de Fátima pensa que, o facto de o corpo de Jacinta, já cadáver, inalar um perfume; passado 18 anos, na altura da transladação, ainda estar intacto - "quando peguei no caixão, achei pesado" (D. João Pereira Venãncio) -, não serão sinais que reflectem o grande amor da Jacinta, enquanto viva, à virtude de pureza, à castidade?
Como estamos a viver a nossa castidade, o nosso amor à pureza de pensamentos, actos e omissões?
Essa faceta encontra-se já em germe nas suas brincadeiras de criança. Numa delas, mandaram a Jacinta dar um beijo a um rapaz. Ela disse logo que não, que preferia dar um beijo a Jesus, na cruz. E concederam-lhe.
A 13 de Outubro de 2004, D. Serafim, na sua homilia, diz que "hoje o mundo está espiritualmente doente e, mais do que nunca, aumentam os pecados e os pecadores; até porque o mal se apresenta como bem, e os vícios são exibidos como virtudes. Há ideologias e doutrinas chamadas New Age que negam a existência de Deus e exaltam o poder humano. Há modas de vestir e de viver que traduzem um modo pagão de viver sem Deus e ofendem muito o coração de Deus, porque reduzem o homem - a obra-prima da sua criação - à uma condição indigna da sua dignidade de filho de Deus. Abundam hoje também os atentados contra a vida, desde as inocentes crianças no seio materno até a eutanásia e há leis civis contra a moralidade matrimonial. Há seitas secretas, cultos satânicos, o terrorismo e poderosos meios de comunicação social que destroem muitos, especialmente os jovens, da atenção que devem dar a Deus e ao próximo."
Sublinho, "há modas de vestir e de viver que traduzem um modo pagão de viver sem Deus e ofendam muito o ocração de Deus, porque reduzem o homem a uma condição indigna da sua dignidade de filho de Deus". Estas palavras mais nos tocam, quando deparamos certas "cenas" em plenos recintos sagrados. Já em muitos sítios, existem panos para quem entra os coloquem nos ombros.
Numa aparição particular a Jacinta, Nossa Senhora dirá que "hão-de vir umas modas que ofenderão a Nosso Senhor"
Um sacerdote do Movimento da Mensagem de Fátima pensa que, o facto de o corpo de Jacinta, já cadáver, inalar um perfume; passado 18 anos, na altura da transladação, ainda estar intacto - "quando peguei no caixão, achei pesado" (D. João Pereira Venãncio) -, não serão sinais que reflectem o grande amor da Jacinta, enquanto viva, à virtude de pureza, à castidade?
Como estamos a viver a nossa castidade, o nosso amor à pureza de pensamentos, actos e omissões?
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